Como construir uma boa reputação na era dos cancelamentos?

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02.03.2021, 11:30:00
Atualizado: 02.03.2021, 11:47:20
A construção de uma boa reputação é um processo longo, contínuo e estratégico para profissionais e empresas (Shutterstock/reprodução)

Como construir uma boa reputação na era dos cancelamentos?

Especialistas mostram como empresas e profissionais podem construir e manter a reputação 

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Quem acompanha redes sociais ou mesmo reality shows deve saber que, em tempos de cancelamento, nunca foi tão importante manter a boa reputação de empresas e profissionais. A ausência dessa imagem positiva pode ser um determinante para a destruição de negócios e carreiras.

No entanto, consolidar a imagem não é uma tarefa simples e para ajudar nessa tarefa. Por isso, o CORREIO ouviu três especialistas que explicam como construir e manter uma boa reputação.

Embora, os especialistas concordem que a tarefa é permanente, eles também concordam que a boa reputação é um exercício de bom senso honestidade e coerência, além de uma boa comunicação com os públicos, também conhecidos como steakholders. Afinal, a reputação é elaborada pela percepção que o público tem sobre uma determinada marca ou produto.  

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Para o relações públicas e diretor da Agência Criativos Rodrigo Almeida, construir reputação é um processo longo, contínuo e estratégico. “Uma reputação positiva fortalece a aderência dos públicos às ações promovidas pela marca, protege o negócio em situações de crise de imagem, gera maior engajamento e confiança dos clientes, amplia participação de mercado, fortalece a marca e ações de inovação”, diz.

Rodrigo Almeida afirma que a reputação se transformou num dos principais ativos da carreira, refletindo a credibilidade que os profissionais possuem no mercado (Foto: Divulgação)

Acostumado a trabalhar as imagens, Almeida lembra que a reputação de uma organização é traçada de fora para dentro, ou seja, ela é construída a longo prazo, unindo estratégias de marca, relacionamento com os diversos públicos, posicionamento de mercado e comunicação com os públicos. 

Imagem ética

“Para construir uma boa reputação, organizações devem investir em atitudes frente às demandas sociais, políticas de responsabilidade social, posicionamento crítico, transparência, comunicação assertiva, diversidade e sustentabilidade, sem esquecer de preservar sua cultura e valores organizacionais”, explica Rodrigo Almeida.

A consultora de carreiras na LHH Nyscia Pinheiro lembra que para construir essa imagem positiva, o profissional precisa capaz de fazer o que se compromete, ter honestidade com atitudes.

“A boa reputação implica em ser fiel com o que se fala e faz, refletem o profissional integro, cônscio e isto aumentam as possibilidades para ser escolhido para ocupar uma posição, ganhar uma conta ou cliente e ser priorizado com agilidade em uma oportunidade, sem gerar dúvidas e tensões”, defende.

Nyscia salienta que diante dos novos formatos de trabalho, a influência tecnológica, especialmente com inteligência artificial, as pessoas precisam se destacar com a garantia de gerar resultados e são escolhidos pela forma como são reconhecidos e pela expressão positiva em sua trajetória.

O palestrante e especialista em comunicação assertiva e ativa Ricardo Silva Voz diz que a necessidade da reputação sólida se deve, especialmente, a um comportamento social imediatista, onde as pessoas pesquisam ou buscam pouco. “Essa imagem vai então facilitar a apoio e o engajamento do público e da sociedade”, esclarece. 

Era dos cancelamentos

Rodrigo Almeida lembra que a reputação se transformou num dos principais ativos da carreira, refletindo a credibilidade que os profissionais possuem no mercado. No entanto, um discurso mal interpretado, uma postura inadequada, inabilidade de comunicação ou algum equívoco comportamental pode ser motivador do tão temido cancelamento, que nada mais é do que uma sanção social no universo digital. 

“Todos estamos propícios ao cancelamento e, para superar experiências negativas e retomar a boa reputação, é importante que em situações de crise o profissional ou marca “cancelada”, o sujeito ou a organização entenda o real motivo do conflito, monitore a repercussão da situação nos ambientes on e off-line”, ensina Almeida.

Ele reforça que, nessas situações, a transparência será o principal ativo de resolução. “Marcas com reputação consolidada tendem a sofrer menos impacto em situações de crise, e isso é algo que deveria fazer parte de toda estratégia empresarial”, completa.

Nyscia Pinheiro que uma vez que erro tenha sido cometido, é preciso assumí-lo, mostrando as razões que induziram a ele.  Para reconstruir a imagem da experiência negativa é preciso um recolhimento, principalmente das redes sociais, para refazer um planejamento de marca pessoal, buscar os pontos de transformações e crescimento, muitas vezes apoiados por profissionais que atuarão no aspecto psicológico e no desenvolvimento de competências, como a comunicação pessoal e de mídia em coerência.  

“Quem já tem uma boa reputação, mesmo diante uma experiência negativa, consegue minimizar o julgamento. O contrário, o peso de um erro gera um prejuízo bem mais difícil de ser recuperado. Por isso a reputação faz parte da nossa conduta diante a vida em todos os momentos”, finaliza.


Para estabelecer solidez, é importante que o profissional se atente para: 
•    Atuação ética – é essencial que exista confiança como base nas relações sociais e profissionais;
•    Consistência – saiba do que está falando com propriedade e segurança;
•    Credibilidade – honre compromissos e obrigações;
•    Redes fortes de relacionamento – construa e fortaleça o networking profissional;
•    Flexibilidade – permita-se aprender continuamente, gerando facilidade de trânsito social;
•    Alinhe discurso online e offline – não construa fakes.

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