Como manter os laços com os colegas de trabalho à distância?

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16.11.2020, 06:00:00
Quando não há um laço de confiança mínimo, os desempenhos no ambiente de trabalho ficam comprometidos (Shutterstock/reprodução)

Como manter os laços com os colegas de trabalho à distância?

A pandemia fez com que colegas de trabalho não se conheçam. Saiba como driblar essa situação, gerando engajamento

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Dieggo Armando Vieira Thomaz começou a gerenciar o departamento de relacionamento com o cliente (Customer Relationship Management – CRM) da GhFly Network, começou na empresa no dia 1º de abril, quando a pandemia já era uma realidade e o distanciamento social uma prática. O contexto criou uma situação inusitada: o desconhecimento dos colegas de trabalho. “Cheguei a conhecer o escritório e boa parte da liderança, pois meu processo seletivo foi realizado de maneira presencial. Porém, quando iniciei, o sistema de home-office já havia sido instituído”, conta.

A experiência vivida por Dieggo terminou se tornando usual nesses tempos, quando a pandemia não apenas instituiu a contratação remota como também inseriu profissionais em ambientes de trabalho sem que eles conheçam pessoalmente os demais colegas.   

No caso de Dieggo, que gere uma equipe de dez profissionais, mesmo não conhecendo seus liderados pessoalmente, criou um vínculo com eles. “Fazemos reuniões constantes em que não falamos apenas de assuntos relacionados ao trabalho, mas também do aspecto pessoal. Isso ajuda a criar afinidade, proporcionando uma sensação de pertencimento”, destaca. 
O coordenador do MBA em Marketing e Inteligência de Negócios Digitais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e CEO da MIT Tecnology Review Brasil Andre Miceli afirma que as pessoas que entram no modelo de home office sem o conhecimento prévio do ambiente e das equipes tendem a ter dificuldade em desenvolver senso de pertencimento em relação a empresa, e principalmente, capacidade de confiança, construção de laços de confiança. “As pessoas que estabeleceram laços de confiança e têm senso de pertencimento as suas organizações, quando colocadas em home office, se comportam de maneira muito diferente em relação aos seus pares e em relação a empresa, quando comparadas aos que foram contratadas nessa modalidade”, esclarece. 

Ritos conjuntos

Para Miceli, a criação de ritos em conjunto é parte fundamental dessa integração. “Um bom exemplo é reunir, todos os dias de manhã, a equipe inteira por 15 minutos, meia hora, no máximo. Esse tipo de iniciativa é bastante eficiente, no sentido de criar integração”, sugere, ressaltando que happy hours, salas abertas de trabalho onde haja conexão e que os participantes possam falar uma besteira ou outra enquanto trabalham podem ser bem úteis para estabelecer a integração nesses tempos. 
Aimê de Souza Bertoloto, analista de tráfego na GhFly, iniciou na empresa em julho, a partir de um processo seletivo 100% virtual. “Eu já tinha feito algumas entrevistas via Skype, mas essa foi a primeira vez que passei por todas as fases sem ter nenhum tipo de contato presencial com os entrevistadores. Foi uma experiência diferente. Procurei me preparar da maneira mais assertiva possível para minimizar a falta do cara a cara”, afirma. 

 A profissional também criou laços com os colegas mesmo sem sequer ter pisado no escritório. “Acho que é a primeira vez que faço amizade com pessoas que não conheci pessoalmente. Sinto que sou muito próxima de quem trabalha comigo porque a GhFly Network incentiva que as pessoas falem sobre seus anseios”, diz.

A holding ainda tem promovido diversas ações remotas destinadas ao público interno, como os Grupos de Apoio. Nos encontros, os participantes contam sobre as preocupações da semana, os aprendizados, os anseios e trocam experiências. Inicialmente criado para pais e mães, o programa foi expandido e, atualmente, conta com quatro grupos de suporte.  
Outra iniciativa desenvolvida foi o Friends To Share!, na qual pessoas da mesmas equipes trocam elogios entre si. Deu tão certo que feedbacks positivos passaram a ser compartilhados por colaboradores de diferentes setores. A GhFly ainda abriu espaço para que algumas pessoas do time dividissem suas experiências como membros da comunidade LGBTQIA+ e lançou o primeiro Pet Day a distância, com direito a concurso para eleger a foto mais criativa.

Laços de confiança

O representante da FGV salienta que quando não um laço de confiança mínimo, os desempenhos no ambiente de trabalho ficam comprometidas. “Esses laços são fundamentais para que se estabeleça confiança, não só na pessoa, mas na capacidade daquele profissional exercer o trabalho. Então, quando isso é construído, as performances desses indivíduos ficam melhores”, esclarece. 

Andre Miceli diz que no ambiente virtual, as ações de integração são ainda mais importantes. “Estabelecer esses laços entre os membros da equipe e de alguma maneira trabalhar para substituir o happy hour físico, o cafezinho, o corredor, o bate-papo na hora do almoço, quando os líderes criam situações para que essas pessoas se encontrem em ambientes digitais, isso costuma funcionar”, completa. Para ele, com o chamado novo normal é ainda possível promover encontros ao ar livre, iniciativas que de alguma maneira privilegiam o contato, ainda com distância, evidentemente respeitando todas as questões de segurança. “Está todo mundo muito ansioso para ter uma vida mais próxima do que tinha e o contato físico é parte fundamental desse processo. Então, os líderes criarem experiências híbridas pode ser uma ação eficiente também”, completa.
Souzanne Dupont, Chief People Officer na GhFly Network, concorda que o  isolamento social e o home-office demandam um cuidado ainda maior com a jornada do novo contratado. “Implementamos um pré-onboarding, fase que antecede o começo oficial do novo colaborador na empresa, detalhado e personalizado. Enviamos vídeo com imagens do nosso escritório e com depoimentos dos gestores ao recém-contratado. Também temos o programa Buddy, em que um colaborador da casa fica responsável por dar todo o suporte ao iniciante”, exemplifica. 

O coordenador do curso de marketing também cita pesquisas realizadas pela FGV que mostraram que existe uma correlação positiva entre a cultura de inovação e a eficiência do trabalho remoto. “Então, reforçar o sentimento de equipe e engajamento passa por criar senso de pertencimento em relação a empresa, e a empresa tem que cuidar de perto dessas pessoas”, finaliza.

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