Conheça detalhes dos 14 casos da variante Delta na Bahia; dois são de Salvador 

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21.09.2021, 05:30:00
Atualizado: 21.09.2021, 09:20:17
(Nara Gentil/Arquivo CORREIO)

Conheça detalhes dos 14 casos da variante Delta na Bahia; dois são de Salvador 

Desse número, dois evoluíram para óbito

A variante Delta da covid-19 não para de se espalhar no estado. Nesta segunda-feira (20), o Laboratório Central de Saúde Pública da Bahia (Lacen-BA) divulgou ter detectado mais 10 casos em sete cidades. Só a capital Salvador tem duas notificações. Os outros municípios que também têm dois casos na conta são Senhor do Bonfim e Medeiros Neto. Já Sapeaçu, Conceição do Almeida e Vitória da Conquista têm uma notificação da Delta cada. 

O 10º novo caso vem de Vereda, que agora também totaliza duas notificações da variante na cidade. O município foi um dos dois primeiros a ter a presença da Delta confirmada pela Sesab, no dia 26 de agosto. A outra cidade foi Feira de Santana. Somados com um caso identificado na cidade de Prado, na semana passada, e outro em um navio dos Estados Unidos ancorado na Bahia, no total, são 14 notificações da Delta feitas pelo Lacen.  

Dois destes casos evoluíram para óbitos. Um homem de 46 anos, sem comorbidades, que já tinha tomado a primeira dose da vacina contra a covid-19, foi o primeiro baiano a ter morte registrada por ter sido contaminado com a variante. O governo já tinha notificado uma outra morte na Bahia, mas esta foi de um morador do município de Niterói, no Rio de Janeiro, de 43 anos, que estava a bordo da embarcação americana. Desta vez, a morte registrada foi de um morador de Senhor do Bonfim, cidade localizada no Norte da Bahia.   

O homem morreu no dia 26 de agosto, mas a contaminação com a variante Delta só foi divulgada nesta segunda-feira (20). Segundo a prefeitura, ele começou a apresentar sintomas no dia 30 de julho, testou positivo no dia 3 de agosto e no dia 7 foi internado no Hospital Dom Antonio Monteiro, de Senhor do Bonfim. No dia 24, ele foi transferido para o Hospital Promatre, em Juazeiro, onde morreu dois dias depois.   

Ainda segundo a gestão municipal, o homem, que não teve o nome divulgado, apresentou tosse seca, coriza, dor muscular, dor de cabeça, desconforto respiratório e apresentou dessaturação de oxigênio. Apesar disso, ela já tinha tomado a primeira dose da vacina AstraZeneca no dia 25 de maio de 2021, ou seja, pouco mais de dois meses antes de morrer. Sua esposa também foi vacinada e contaminada com a Delta, mas sobreviveu. Ela é o segundo caso da variante na cidade.   

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Já o marido foi o 78º óbito por covid registrado em Senhor do Bonfim. Desde sua morte, outros cinco óbitos foram notificados na cidade de 80 mil habitantes: uma idosa de 74 anos, que tinha tomado duas doses da vacina; outra idosa de 64 anos, que não tomou a vacina; um idoso de 68 anos, que também não foi vacinado; outro idoso de 84 anos, vacinado com apenas uma dose; e uma idosa de 90 anos, tabagista, que tinha completado a imunização.   

Essa realidade somada ao fato de que nem todos os casos positivos são sequenciados pelo Lacen, para descobrir a presença de variantes, faz a equipe médica da cidade temer uma terceira onda causada pela Delta.  

“As pessoas não estão respeitando o distanciamento, medidas de higiene, muita gente não usa mais máscara... tudo isso contribui para a disseminação da variante. Eu venho sempre batendo na mesma tecla de que a gente precisa se preparar. Se não houver mudanças no estilo de vida das pessoas, podemos ter uma terceira onda sim”, lamenta Pollyana Huback, médica responsável pelo monitoramento das pessoas com covid da cidade.   

Pesquisas são feitas para identificar presença da variante Delta na Bahia (Nara Gentil/Arquivo CORREIO)

Demais casos 
Maior cidade da Bahia, Salvador também registrou seus primeiros casos da Delta. O primeiro foi um homem de 39 anos com histórico de viagem. O segundo foi de uma mulher de 34 anos sem histórico de viagem. Ambos estavam vacinados com a primeira dose, mas não foram divulgados detalhes sobre seus estados de saúde. Para a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), é cedo pensar em um surto na cidade causado pela nova variante.   

“Os casos estão sendo acompanhados, a situação epidemiológica está sobre controle e sendo monitorada diariamente por indicadores. Estamos avançando e agilizando a vacinação, inclusive com dose de reforço, adotando as demais medidas de controle a fim de evitar que isso possa acontecer”, disse o órgão em nota. Caso o aumento de casos seja uma realidade, ações podem ser adotadas pela prefeitura.  

"As medidas de flexibilização foram tomadas com responsabilidade, baseando-se no atual perfil epidemiológico da cidade, no avanço da vacinação e das medidas de controle. Eventuais mudanças nesse cenário, detectado pelo monitoramento diário, podem modificar, caso necessário, as medidas de flexibilização”, completa a SMS.  

Vizinho a Vereda, a cidade de Medeiros Neto, de 23 mil habitantes e localizada no Sul da Bahia, tem dois casos da variante Delta. Trata-se de uma mulher de 29 anos, que não precisou ser internada. Ela teve tosse, perda de olfato e paladar. Segundo a prefeitura, ela disse não ter tido histórico de viagens ou recebido visitas nos últimos dias, além de não ter tomado a vacina contra a covid-19. Sua alta médica aconteceu no dia 11 de agosto. 

O outro caso foi de um bebê de um ano e três meses, que teve tosse e febre, mas também não precisou de internação. Os pais também negaram ter histórico recente de viagens ou recebimento de visitas. A alta médica ocorreu no dia 13 de agosto.  

Já em Conceição do Almeida, de 17 mil habitantes e localizada no leste da Bahia, apenas um caso da Delta foi notificado. Trata-se de uma mulher de 22 anos, sem comorbidades, não imunizada e sem histórico recente de viagem. Seu quadro de saúde não teve complicações e ela evoluiu para alta por cura no dia 14 de agosto.  

Outra cidade que registrou apenas um caso foi Vitória da Conquista, o terceiro maior município baiano, com 340 mil habitantes, atrás apenas de Feira de Santana e Salvador, que também têm registros da Delta. Em Conquista, a doente era uma mulher de 39 anos, que estava vacinada com as duas doses, não chegou a ser internada e já está recuperada, segundo a prefeitura. 

A segunda dose foi a de CoronaVac, aplicada há seis meses. Depois disso, ela viajou para o Espírito Santo e retornou à Bahia em 14 de agosto. Ela declarou que continuou fazendo uso correto da máscara nesse período. Dois dias depois de voltar da viagem, ela teve obstrução nasal, febre, tosse a calafrios. Seguiu em isolamento domiciliar e, no dia 19 de agosto, veio o teste positivo, o que foi uma reinfecção, já que em 2020 ela tinha sido diagnosticada com a covid-19.   

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Homem contaminado pela variante Delta em Prado não tomou vacina por opção pessoal 
Em Prado, cidade de 28 mil habitantes e também localizado no sul do estado, houve um caso registrado da variante Delta. O contaminado foi um homem de 30 anos que não tomou a vacina por opção pessoal. Segundo a prefeitura, ele não tem comorbidades e residiu por 10 meses no município. Os sintomas surgiram no dia 22 de agosto e no dia 24 ocorreu o teste positivo. Ele ficou em isolamento domiciliar até o dia 8 de setembro.  

Ainda segundo a prefeitura, em Prado são realizados uma média de 100 coletas RT-PCR por semana, o que representa um aumento na testagem. ”Pacientes testados positivos e seus contatos são informados sobre as medidas de isolamento e distanciamento social, inclusive acerca das medidas legais em caso de descumprimento”, disse a prefeitura, em nota.  

Com os novos registros, a Bahia tem, no total, 14 casos da variante. Em Vereda, o primeiro paciente que testou tem 29 anos. Já em Feira de Santana, o primeiro caso veio de um homem de 52 anos. Ambos não estavam vacinados, mas não tiveram sintomas graves. Apesar desses casos, segundo a Sesab, é a variante Gamma a responsável por 80%, ou seja, a maior parte das infecções no estado. 

Mesmo assim, a situação preocupa, já que a Delta é denominada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma “variante de atenção/preocupação” por alterar o comportamento do coronavírus e ser mais transmissível do que as linhagens anteriores.  

“É importante que as pessoas busquem as unidades de saúde para tomarem o imunizante contra a doença, incluindo também a dose de reforço. O esquema completo de vacinação dá uma maior garantia de defesa contra a Covid-19”, ressalta a secretária da Saúde da Bahia em exercício, Tereza Paim. 

A reportagem não conseguiu contato com as prefeituras de Sapeaçu e Vereda.  

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