Covid: Sesab emite alerta sobre disseminação das variantes britânicas e de Manaus na Bahia

coronavírus
05.03.2021, 05:00:00
Atualizado: 05.03.2021, 17:52:03
(Arisson Marinho/Correio)

Covid: Sesab emite alerta sobre disseminação das variantes britânicas e de Manaus na Bahia

Cepas são mutações do coronavírus e têm índices de transmissão maiores; secretaria pede rastreamento de contatos 

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

A Superintendência de Vigilância e Proteção à Saúde, da Sesab, emitiu, nessa quinta-feira (4), um alerta para todas as unidades de saúde da Bahia sobre a disseminação, de forma comunitária, das variantes do coronavírus do Reino Unido e de Manaus no estado.

De acordo com o comunicado, na quarta-feira (3), o Laboratório de Vírus Respiratórios e Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (lOC/Fiocruz) e a Central de Saúde Pública da Bahia (Lacen) notificaram a identificação, através de sequenciamento, de mais casos da variante Sars-CoV-2 P.1 da linhagem B.1.1.28, de Manaus, e da variante Sars-CoV-2 VOC 202012/01 da linhagem B.1.1.7, do Reino Unido, em amostras provenientes do estado da Bahia. 

A coordenadora da Coordenação de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS), Talita Urpia, diz que o alerta nacional está voltado para três variantes e que a Bahia já tem duas delas. "Das variantes de atenção, que são as linhagens que sofreram mutações e que apresentam maior transmissibilidade e gravidade dos quadros dos pacientes, o Ministério da Saúde alerta para três: a da África do Sul, a do Reino Unidos e a de Manaus. Aqui na Bahia, já temos a desses dois últimos locais”, explica. 

As duas variantes são consideradas de risco por causa das mutações que apresentam e estão diretamente relacionadas a um aumento de transmissibilidade e maior gravidade dos quadros e risco de morte. “A gente percebe que existe um quadro mais grave nos pacientes que estão infectados com a variante de Manaus, tivemos óbitos e a maioria necessitou de hospitalização. Esses infectados tinham entre 29 e 90 anos. Já com os pacientes infectados com as variantes do Reino Unidos, ainda não houve hospitalizações e todos foram curados”, afirma a coordenadora.

O alerta da Sesab pede que unidades notificadoras fortaleçam as atividades de controle da covid-19, se mantendo atentas aos atendimentos dos casos suspeitos e realizando a notificação tanto dos suspeitos, quanto dos confirmados, atentando para o rastreamento dos contatos de todos os casos.

A Sesab pede ainda que a população seja orientada em relação às medidas de controle e prevenção como o isolamento domiciliar da pessoa que estiver com suspeita ou em período de transmissão da doença, além de outros cuidados que já fazem parte do nosso dia a dia, mas que precisam ser sempre lembrados, como a lavagem frequente das mãos com água e sabão e/ou álcool em gel a 70%, além do uso obrigatório de máscara e o distanciamento social. O comunicado é assinado pela coordenadora do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde, Talita Moreira Urpia.

Análise mostra risco maior da variante de Manaus
Segundo o comunicado, até o dia 3 de março, foram confirmados 17 casos da variante P.1 de Manaus, na Bahia. Os casos estão relacionados com os municípios de Salvador, Amargosa, Itabuna, Santa Luz, Irecê, João Dourado e Lauro de Freitas. Ainda de acordo com o alerta, 10 casos (58,8%) precisaram de hospitalização, e três (17,6%) pacientes morreram.

Desde o começo de fevereiro deste ano, a cepa de Manaus está presente no território baiano.

Um estudo do final de fevereiro, coordenado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Amazônia, constatou que a carga viral de pacientes contaminados pela cepa P.1 é bem maior do que em pacientes com outras cepas que circulam no Amazonas.

De acordo com a pesquisa, ainda não oficialmente publicada, mas disponível na plataforma Research Square, o aumento da quantidade de vírus no nariz e na garganta amplia a possibilidade de transmissão.

Já em relação à variante B.1.1.7 do Reino Unido, o alerta da Sesab diz que até 3 de março de 2021, foram notificados nove casos, sendo seis confirmados e três ainda em análise. Nesse caso, os municípios que apresentaram essa variante foram Salvador, Feira de Santana, Ilhéus, Itapetinga e Lauro de Freitas.

Ainda segundo o comunicado, nenhum dos casos confirmados pela variante britânica necessitou de hospitalização, e todos estão curados.

No dia 17 de fevereiro, a Sesab anunciou a detecção de transmissão comunitária na Bahia da variante britânica.

Na ocasião, o resultado foi apresentado após o sequenciamento genético da amostra de um homem de 62 anos, residente em Salvador, sem histórico de viagem ao exterior, nem contato com pessoas com esse perfil.

Novo cenário

De acordo com o epidemiologista Eduardo Martins Netto, as mutações são comuns nos vírus, assim como o surgimento de novas cepas e variantes. “O que ocorre é que as mutações que são menos agressivas desaparecem, então só as mais agressivas ficam. O cenário que temos hoje já era uma coisa esperada”, coloca Netto.

O epidemiologista ainda alerta que não há garantia de que as vacinas disponíveis hoje oferecem proteção contra todas as variantes já existentes e que ainda podem surgir. "As vacinas têm mostrado que ter proteção contra algumas mutações, mas ainda não sabemos se têm impacto na cepa de Manaus ou outras cepas mutantes. Isso ainda está sendo investigado”, ressalta.

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas