Crise da Avianca interrompe crescimento de ocupação hoteleira de Salvador

bahia
12.06.2019, 05:00:00
Atualizado: 12.06.2019, 10:18:22

Crise da Avianca interrompe crescimento de ocupação hoteleira de Salvador

Nos meses de abril e maio, a ocupação média foi de 51%, o que representa redução de cerca de 5%

O crescimento da taxa de ocupação hoteleira de Salvador registrado nos últimos três anos foi interrompido pela crise na aviação provocada pelo processo de recuperação judicial da Avianca, cujo colapso eclodiu em abril com o cancelamento de voos. 

Nos meses de abril e maio deste ano, a ocupação média foi de 51%, o que representa redução de cerca de 5% em relação ao mesmo período de 2018, quando o índice foi de cerca de 54%, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH).  

Nos últimos três anos, contudo, a ocupação hoteleira na capital baiana estava em curva de ascensão, com aumento de 20% entre 2016 e 2018. Em 2016, a média dos meses de abril e maio foi de 43,99%, número que chegou a 46,89% no ano seguinte, ainda conforme levantamento da ABIH. 

O resultado deixa o trade turístico em alerta para o restante de 2019, especialmente para o período de baixa estação, que vai até julho. Embora o cancelamento de voos tenha reflexos em todo o país, especialmente no Nordeste, a Bahia foi a mais atingida. 

Isso porque a companhia aérea detinha 27% das chegadas e partidas do Aeroporto de Salvador - ou seja, mais de um quarto dos voos diários. São, em média, 44 voos a menos por dia no terminal da capital baiana. 

Hoje, a Avianca ainda mantém dois voos entre Salvador e Congonhas (um de ida e outro de volta), mas a rota está suspensa pelo fato de a companhia estar proibida de operar pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Então, na prática, não há voos da Avianca em operação. 

Além da extinção de dez rotas, a crise provocou também perda de conexão direta de Salvador com as cidades de Bogotá, Petrolina, Aracaju e Maceió, cujo operação era feita pela Avianca. Com Petrolina, a conexão será retomada na próxima sexta-feira (14), quando terá início um voo diário operado pela Passaredo. 

A redução no número de voos provocou, consequente, a queda no volume de passageiros que passam pelo terminal. Em abril, a diminuição foi de 9,3% - de 597.021 no ano passado para 541.574 em 2019. Em maio de 2019, o impacto foi ainda maior. No mês passado, foram  5.190 voos no terminal. 

A queda foi de 19,1% no fluxo de passageiros, o que representa quase 110 mil usuários do aeroporto a menos. Por outro  lado, o tráfego internacional cresceu em quase 3 mil passageiros - aumento de 111,4%. 

Um levantamento da Voopter, plataforma que faz comparação de valores das passagens, mostrou que o trecho entre os aeroportos de Salvador e Santos Dumont, no Rio de Janeiro, foi o que teve a tarifa mais elevada entre as rotas analisadas por conta da crise da Avianca. O valor médio da passagem passou de R$ 574,14, em abril de 2018, para R$ 1.377,32, no mesmo mês deste ano, um aumento de 139,89%. 

Prejuízos
Enquanto isso, o setor hoteleiro começa a sofrer os prejuízos da crise da Avianca. Além da redução já registrada em abril e maio, as perspectivas não são as melhores. 

O Fera Palace Hotel, no Centro Histórico, por exemplo, só tem 20% dos quartos reservados para julho. No ano passado, neste mesmo período, as reservas já estavam em 40% - ou seja, o volume caiu pela metade. Em maio, o hotel só registrou 40% de ocupação, muito abaixo do esperado. 

"Para o hotel  representa um prejuízo muito grande, sendo que hotéis necessitam de pelo  menos 60% de ocupação para pagar as contas. Acredito que outros estejam numa  situação como a do Palace, justamente pela falta de malha aérea para levar  turistas a Salvador e pelos preços absurdos praticados (pelas companhias)", afirma Antonio Mazzafera, CEO Fera Hotéis. 

Segundo ele, para junho, mesmo com a Copa América, a previsão é de 40% no taxa de ocupação. "Mas deveríamos estar com 80%. As pessoas não estão comprando passagens por causa dos preços", avalia. 

De acordo com Sílvio Pessoa, presidente da Febha, os dias de jogos do torneio continental de futebol em Salvador devem alavancar a ocupação.  "Nos dias de jogos, devemos ter entre 65% a 75%", diz. Além disso, bares  e restaurantes do Rio Vermelho e Barra devem ter incremento de 20% a  40%, respectivamente, no faturamento nos dias das partidas na capital.  Cervejarias e bares da capital terão programação especial para o torneio

No Sol Barra, por exemplo, a média de reservas nos dias de jogos (15, 18, 21, 23 e 29 de junho) está em 53,68%, sendo que o dia 15 de junho, quando a Arena Fonte Nova recebe a partida entre Argentina x Colômbia, o melhor deles, com 92,8%. Este hotel integra a rede Sol Express, da qual Pessoa é diretor-geral. 

O Gran Hotel Stella Maris, outro hotel do grupo, tem média de reservas de 71,66% para os dias das partidas do torneio continental. O melhor dia também é o da primeira partida, com taxa de 96,1%. 

Pessoa é cauteloso ao falar sobre a  previsão para julho. "A primeira semana de julho, os primeiros dez dias, é  sempre uma semana mais fraca. Depois começa a melhorar. Esperamos  uma mudança de cenário", diz. 

Lígia Uchôa, gestora do Salvador Mar Hotel, conta que o estabelecimento sentiu os impactos da crise com cancelamentos durante o mês de maio. "Especialmente da Decolar e CVC, porque eles vendem os pacotes. Com o cancelamento dos voos, acabam cancelando também as reservas", afirma. 

Para ela, os hotéis menores são os que mais sentem os impactos. "Não temos uma rede por trás, somos independentes", diz. Lígia revela que, por conta da Copa América, as reservas para junho estão melhores. 

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis da Bahia  (ABIH-BA), Glicério Lemos, conta que houve cancelamentos de reservas  feitas para a Copa América por causa da crise da Avianca. Ele diz que  torcedores estão programando vir a Salvador de carro e ônibus, embora a  maioria venha de avião. 

"Vamos esperar os desdobramentos, ver se alguma companhia vai preencher essa lacuna. Estamos, sim, preocupados  com os próximos meses, pois os preços estão muito altos, e isso faz com  que as pessoas desistam de vir para cá", diz Lemos. 

A presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagem (Abav) na  Bahia, Ângela Carvalho, diz que o setor também tem sofrido redução.  "Muita gente que programou vir está desistindo. Salvador sempre é um  destino, mas esse ano as pessoas estão ainda cautelosas porque as tarifas  estão muito altas", avalia. 

Para ela, a abertura do mercado para  companhias com 100% de capital estrangeiro é uma medida positiva.  "Hoje estamos nas mãos de três companhias aéreas. A vinda de  companhias de baixo custo vai faciltar muito", diz. 

Ações
O secretário municipal de Cultura e Turismo, Claudio Tinoco, avalia que a queda ainda não é, ainda, substancial. O que preocupa, entretanto, são os próximos meses. "Não é uma queda substancial em relação ao efeito da redução de voos. Demonstra que temos conseguido superar um efeito mais drástico com um turismo regional", diz. 

"O efeito pior pode vir no segundo semestre. As pessoas estavam programadas para viajar, mas temos que ver o efeito da manutenção do valor das passagens. O que nos preocupa é daqui para frente", complementa. 

Ele destaca que a prefeitura tem intensificado as ações de promoção de Salvador para evitar os efeitos. Ainda neste mês, segundo ele, a prefeitura vai intensificar ainda mais as ações de promoção digital. 

Além disso, informou que está intensificando o diáloco com as três companhias aéreas que já operam no Brasil - Latam, Gol e Azul. "Vamos dar continuidade também à abordagem a companhias que ainda não operam em Salvador. Estamos pactuados com uma companhia da América Latina para uma operação especial na alta estação, com perspectiva de continuidade com voos regulares", afirmou. 

Estratégia
Para o presidente da Salvador Destination, Roberto Duran, houve um erro  estratégico da Bahia ao optar pela Avianca e deixar que Azul e Gol implantassem seus hubs em outras capitais nordestinas. "A Bahia não teve articulação para estabelecer diálogo com outras companhias. Agora, o  resultado são estes preços absurdos", afirma. 

Uma medida defendida pelo  trade do governo do estado é a redução do ICMS sobre o querosene de  aviação. Contudo, para Duran, essa medida hoje já não faz tanta diferença,  embora continue sendo importante. "Hoje o preço do combustível é  extorsivo. Aqui, o preço do litro é mais de 2 dólares. Em Nova York, por  exemplo, é 0,22 centavos de dólar, em Lisboa, 0,62", diz. 

Segundo ele, cabe ao governo tomar medidas para reverter a situação. "É preciso trabalhar com promoção dos destinos, fechar acordo com as companhias que restaram, dando condições crescentes de redução (do ICMS)", afirma. 

Em nota, a Secretaria do Turismo da Bahia (Setur) informou que atua, em conjunto com as pastas da Fazenda (Sefaz) e da Casa Civil, na aplicação de medidas que ajudem a minimizar os transtornos causados pela redução de voos da Avianca.

"Uma das estratégias prevê incentivo fiscal no querosene de aviação, num processo que inclui contrapartida no aumento do fluxo de passageiros e consumo de combustível. O diálogo com as companhias aéreas é permanente, visando ao aprimoramento dessa política", informa.

Segundo a Setur, a Vinci tem sido parceira nesse trabalho, "ao lado do governo estadual e das companhias aéreas, com o mesmo propósito de ampliar a oferta de voos e o fluxo de passageiros".  

"A abertura do setor aéreo ao capital estrangeiro também oferece perspectiva de avanço, com aumento da oferta de voos e a necessária redução dos preços das passagens aéreas", complementa a nota.

Segundo a Setur, a aviação é um eixo importante para a economia do Estado, não somente para o turismo. "Por isso, uma equipe governamental se dedica permanentemente ao trabalho de expansão da malha aérea, com resultados que ocorrerão brevemente".

Estratégia
Segundo Marc Gordien, diretor comercial do aeroporto de Salvador, a demanda por viagens de/para Salvador é extremamente restrita, com uma oferta insuficiente para atender à crescente demanda, uma situação que já existia antes da suspensão das operações da Avianca.

 "Com a interrupção dos voos da referida companhia aérea vivemos um momento crítico, pois ela representou 27% do tráfego de passageiros em 2018 no aeroporto. Agora observamos os efeitos diretos da saída da Avianca, com um impacto importante e imediato para Salvador já que o mercado ainda não teve tempo para ajustar-se a esta nova realidade", afirma. 

De acordo com ele, reuniões com o trade e com parceiros institucionais apontam para um cenário mais favorável. "Estamos confiantes que, com a participação de todas as partes interessadas, o mercado soteropolitano vai voltar ao topo rapidamente, tanto como potência econômica do Nordeste quanto como um dos destinos turísticos mais atraentes do país", complementa. 

Procurada, a Anac informou que o acompanhamento das tarifas aéreas é feito mensalmente por meio de dados encaminhados pelas companhias aéreas, que são auditados e posteriormente divulgados. Diz ainda que a "precificação das passagens aéreas é um processo complexo e dinâmico e está intimamente relacionado à demanda, à oferta e à concorrência do setor". 

"Assim, os preços oscilam a todo instante em razão de diversos fatores, tais como distância entre a origem e o destino, condições contratuais para remarcação e cancelamento de passagens, antecedência da compra, dia da semana e horário do voo, aeroporto de origem e de destino e ações promocionais", diz a agência, em nota. 

O julgamento sobre o leilão da Avianca, que ocorreria no última segunda-feira (10), foi adiado para o próximo dia 17. A decisão foi do Tribunal de Justiça de São Paulo, por conta da ausência de um dos três desembargadores que devem julgar o caso, Ricardo Negrão, por problemas de saúde.

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