Daniel Silveira briga com policial por se negar a usar máscara no IML

brasil
17.02.2021, 10:43:00
Atualizado: 17.02.2021, 10:53:30

Daniel Silveira briga com policial por se negar a usar máscara no IML

Preso, ele alegou ter uma "dispensa" e a chamou de "militante petista" e "folgada"

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O deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), preso na noite da terça-feira (16), se envolveu em mais uma confusão envolvendo uso de máscara. Ele foi levado ao Instituto Médico Legal Afrânio Peixoto, no Rio, para passar por exame de corpo de delito, mas não quis colocar a proteção facial, apontada por cientistas como essencial para ajudar a diminuir o ritmo de disseminação da covid-19. Ele chegou a chamar a policial de "folgada".

Silveira foi preso em flagrante depois de publicar vídeo com ataques a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A prisão deve ser avaliada na Câmara dos Deputados ainda hoje.

Ao chegar ao local, ele foi informado pela policial que lá dentro o uso de máscara era obrigatório. Silveira disse ter uma "dispensa". “Para a nossa proteção e para a sua também, aqui dentro tem que usar máscara. Senhor, por favor, não fale comigo sem máscara. Não existe dispensa”, afirmou a policial.

"A senhora não manda em mim não. Acha que está falando com vagabundo? Pior coisa é militante petista que faz espetáculo. E se eu não quiser botar?", questiona ele, em discussão com a policial que solicitou que ele colocasse a máscara.

A policial insistiu para que o deputado colocasse a proteção. "Se a senhora falar mais uma vez, eu não boto. Me respeita que você não está falando com um vagabundo não. A senhora é policial, e daí? Eu também sou polícia e deputado federal", respondeu ele, que eventualmente colocou a máscara.

O bolsonarista já chamou a máscara de "focinheira ideológica", no ano passado. Ele se recusou a usar a proteção anteriormente, no aeroporto e em um voo, alegando estar protegido por lei - ele citou uma legislação que trata especificamente a PCDs (pessoas com deficiência), especificamente para pessoas autistas. Silveira já chegou a ser retirado de um voo pela recusa de usar a máscara.

Prisão
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), expediu mandado de prisão em flagrante por crime inafiançável contra o deputado bolsonarista Daniel Silveira (PSL-RJ). A ordem foi proferida na noite desta terça-feira (16), após o parlamentar divulgar um vídeo com discurso de ódio contra os integrantes da Corte, e executada pela Polícia Federal pouco depois.

A prisão do deputado foi determinada por Moraes no âmbito do inquérito sigiloso que apura ameaças, ofensas e fake news disparadas contra ministros do STF e seus familiares. Segundo o Estadão/Broadcast apurou, Moraes entrou em contato com o presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), por telefone, logo depois de assinar a decisão.

A prisão de Silveira marca o primeiro desgaste entre STF e Câmara desde que Lira assumiu o comando da Casa, há duas semanas Aliados de Lira temem que a decisão leve a uma nova crise entre o Judiciário e o Legislativo.

Nas redes sociais, Silveira afirmou que a Polícia Federal esteve em sua residência na noite desta terça para cumprir o mandato. "Polícia Federal na minha casa neste exato momento com ordem de prisão expedida pelo ministro Alexandre de Moraes", escreveu o parlamentar. Silveira foi conduzido para a Superintendência da Polícia Federal no Rio.

Silveira é investigado no inquérito que mira o financiamento e organização de atos democráticos em Brasília. Em junho, ele foi alvo de buscas e apreensões pela Polícia Federal e teve o sigilo fiscal quebrado por decisão do ministro Alexandre de Moraes. Em depoimento, o parlamentar negou produzir ou repassar mensagens que incitassem animosidade das Forças Armadas contra o Supremo ou seus ministros.

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