Década fatal: H1N1 matou 104 pessoas na Bahia nos últimos 10 anos

bahia
02.06.2019, 06:00:00
Atualizado: 03.06.2019, 09:56:16
(Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

Década fatal: H1N1 matou 104 pessoas na Bahia nos últimos 10 anos

Para infectologista, aumento no número de mortes é justificado pela baixa imunização

Em um único ano, mais de 575 mil pessoas morreram em decorrência de um novo tipo de gripe em todo o mundo. Era 2009, há dez anos, e o nível de alerta para pandemias da Organização Mundial de Saúde alcançou o nível 6 - o mais alto da escala. O vírus que matou tanta gente, segundo estudos do Centro de Controle e Prevenção de Enfermidades (CDC) de Atlanta, nos Estados Unidos, era o H1N1. Desde então, a Bahia enfrenta o problema.

De 2009 a 2019, o H1N1 matou 104 pessoas no estado. Destas, 69 aconteceram nos últimos quatro anos - aproximadamente 66%. De acordo com a Secretaria de Saúde do Estado (Sesab), foram 22 óbitos em 2009 e, após isso, a marca só foi ultrapassada em 2016, com 30. Em 2018, foram 33. Este ano, já são seis mortes, todas em Salvador. De acordo com o infectologista Antônio Bandeira, esse aumento de mortes é justificado pela baixa imunização.

“As pessoas se vacinaram nos anos anteriores a 2016 e, com o baixo índice de 2014 e 2015, baixaram a guarda. A quantidade de notícias diminuiu. Com a crise de 2016, todo mundo se vacinou em 2017. E, em 2018, repetiu o erro de se considerar seguro com a vacina do ano anterior”, explica.

O infectologista alerta ainda para o fato de o H1N1 ser um vírus relativamente novo, o que faz com que nosso sistema imunológico ainda não esteja preparado para combatê-lo adequadamente.

Além das seis mortes por H1N1 este ano na capital, há ainda casos envolvendo outros subtipos de vírus que também podem ser letais, como o H3N2 ou determinadas cepas de Influenza B.

Apesar de todas as mortes ocorrerem na capital, Antônio Bandeira explica que isso não significa, necessariamente, que os soteropolitanos corram mais risco: “Há mais notificações porque o fluxo na capital é maior, já que os sistemas de vigilância acabam operando de maneira mais coesa e rápida”.

Fora da curva
Na última década, apenas em três anos, a Bahia não registrou mortes por H1N1: 2011, 2012 e 2015. Nos outros, a incidência variou, alcançando números alarmantes em 2009, 2016 e 2018.

Em 2016, com 30 mortes, a Bahia foi o 10ª estado que mais sofreu com o H1N1. Ano passado, foi o 7º, com 33 óbitos. Segundo dados da Secretaria de Vigilância em Saúde, até o presente momento, já é o 8º estado em número de casos identificados em 2019.

De acordo com o Boletim Epidemiológico divulgado pela Sesab, foram 24 casos reste ano. No mesmo período, em 2018, foram 225 - uma redução de 89,3%. Mas, comparando todos os anos, o atual já é o quinto em número de óbitos.

Para tentar frear o problema, a partir de amanhã, as 128 salas de imunização da rede municipal disponibilizarão as doses da vacina contra a gripe para toda a população, das 8 às 17 horas. De acordo com orientação do Ministério da Saúde, a ação seguirá até o dia 14 de junho. Para consultar os locais de vacinação, basta ir ao site da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e escolher as opções USF e UBS - um mapa mostrará todas as unidades disponíveis na cidade.

Na Bahia, durante a Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe, de 10 de abril a 31 de maio, 71,79% do público-alvo foi vacinado - a meta era 90%. Significa que 2.576.453 de pessoas foram imunizadas. Já Salvador vacinou 81% - 583 mil pessoas. A dose protege contra os vírus H1N1, H3N2 e uma cepa de Influenza B e precisa de um intervalo de duas a três semanas para ativar o efeito.

O período, inclusive, é propenso para buscar a imunização. Isso porque, segundo o especialista, o vírus tem maior número de registros no inverno, que começa 21 de junho, por conta das baixas temperaturas e da maior circulação em ambientes fechados, o que potencializa a possibilidade de contaminação e a expectativa de vida do vírus.

Vacinação pode salvar sua vida
O surto que a Bahia enfrentou em 2018 teve, como uma das causas, o descuido. De acordo com o infectologista, o número de infectados “cresceu absurdamente” porque as pessoas não se vacinaram.

“Em 2017, as pessoas estavam protegidas, acharam que estava tudo bem e até sobrou vacina naquele ano, que foi ofertada para o público fora da campanha. Em 2018, vimos o resultado disso. Menos gente vacinada resultou em mais gente atingida”.

O médico infectologista e professor da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, Robson Reis, confirma os benefícios da prevenção: “A vacina é extremamente eficaz. Há uma circulação de boatos que colocam em dúvida a eficácia da prevenção, mas nenhum deles é fundamentado em acontecimentos da realidade”.

Um desses boatos afirma que a própria vacina provoca gripe. “O que é completamente inverossímil. O que há é uma confusão: pode acontecer uma leve rinite alérgica ou coincidir o período da vacina com um resfriado, mas só”, explica Robson. A vacina contra a gripe é feita com o vírus morto - não provoca a doença. 

Ainda segundo o especialista, outros boatos associam a primeira dose a uma proteção permanente. A hipótese não se sustenta. Afinal, os vírus da gripe sofrem mais mutações em um dia que os seres humanos são capazes de mudar em milênios. Logo, é preciso tomar a vacina todos os anos.

Primeiro, porque a imunidade da vacina se mantém por um período de aproximadamente 12 meses. Segundo, porque a cada ano surgem vírus diferentes, que causam diferentes tipos de gripe, e a vacina é produzida a partir dos vírus mais propensos a aparecer naquele período.

Segundo Antônio Bandeira, os sintomas da gripe, independentemente do vírus causador, são semelhantes ao de um resfriado normal: dor de cabeça, dor na garganta e indisposição.

O médico destaca ainda que, embora os alvos mais fáceis do vírus sejam crianças menores de dois anos e adultos acima de 60, todos podem ser atingidos.

“O vírus pode pegar qualquer pessoa. Claro que crianças, idosos, pacientes com problemas respiratórios ou doenças crônicas são alvo mais fácil, até pela imunidade mais baixa, mas todos precisam se imunizar”, alerta.

O diagnóstico do vírus influenza é feito a partir da coleta de uma amostra do muco nasal ou oral do paciente, que é examinado em laboratório.

Só o H1N1 mata?
Apesar do histórico de mortes por H1N1 nos últimos 10 anos, existem outros vírus que provocam gripe e também matam. Em 2019, além das seis mortes por H1N1, outras três idosas morreram por H3N2. No último dia 24, foi confirmada a morte de uma criança de dois anos, a primeira por Influenza B. Houve ainda uma 11ª morte por Influenza A não subtipada, também em Salvador. O paciente era um idoso de 62 anos. As informações são do último levantamento da secretaria, divulgado em 31 de maio.

Os três vírus citados são os que mais matam e, por isso, são os combatidos na vacinação. No entanto, não são os únicos que oferecem riscos. Parainfluenza, Vírus Sincicial Respiratório e subtipos que ainda não foram identificados também causam doenças respiratórias.

A indicação neste caso, quando não há imunização, é ter algumas precauções como lavar as mãos, evitar tocar olhos, nariz e boca, manter os ambientes bem ventilados e adotar hábitos saudáveis, com alimentação balanceada e ingestão constante de líquidos.

Conheça os tipos de vírus
H1N1: subtipo de Influenzavirus A e a principal causa da gripe. A letra H refere-se à proteína hemaglutinina e a letra N à proteína neuraminidase. Este subtipo já originou várias estirpes, como a da gripe espanhola, já extinta, e a atual, que surgiu em 2009.

H3N2: outro subtipo de Influenza A, é a segunda estirpe de vírus mais comum no Brasil. Seu nome também deriva das proteínas que o compõem. Historicamente, uma de suas estirpes causou a Gripe de Hong Kong.

Influenza B: é outro gênero da família dos ortomixovírus, à qual pertence o Influenza. Diferente da multiplicidade dos subtipos de A, possui uma única espécie, mas que pode se diferenciar em cepas. A vacina trivalente, disponível na saúde pública, contempla, além dos H1N1 e H3N2, uma cepa. A vacina tetravalente, oferecida no serviço particular, contempla duas cepas de Influenza B.

Parainfluenza: A parainfluenza se divide em quatro sorotipos: hPVI1, hPVI2 , hPVI3 e hPVI4. Pode ser responsável por causar doenças como resfriado comum, pneumonia, bronquiolite e laringotraqueobronquite. A maioria das pessoas se recupera espontaneamente, mas pode ser fatal em crianças abaixo dos seis anos.

Vírus Sincicial Respiratório: O vírus sincicial respiratório (VSR) é uma das principais causas de infecções das vias respiratórias e pulmões em recém-nascidos e crianças com menos de dois anos, e um de muitos vírus que podem causar bronquiolite (infecção dos brônquios, nos pequenos tubos respiratórios dos pulmões).

Curiosidades

  • O primeiro registro sobre a gripe foi feito em 412 a.C. pelo grego Hipócrates, o pai da Medicina. O nome influenza vem do italiano e surgiu porque se achava que a doença era causada pela influência do vento frio do inverno.

  • Os causadores da gripe são classificados como vírus ARN, que tem como material genético o RNA. O importante desta informação é que estes são vírus mais propensos a sofrer mutações genéticas, o que justifica a necessidade de repetir a vacina anualmente. 

  • No primeiro registro histórico que teve, quando ocasionou a gripe espanhola, o H1N1 atuava causando uma tempestade de citocinas no organismo. Citocinas são células que sinalizam o alvo a ser combatido pelas células imunológicas. Quando a ação é exagerada - uma tempestade -, estas células podem se acumular no pulmão, obstruindo as vias aéreas, e pode causar morte por asfixia. 

  • O H1N1 é conhecido também como 'gripe espanhola'. Isso porque, em 1918, a Espanha teve um surto que matou 100 milhões de pessoas. A Primeira Guerra Mundial, que terminou no mesmo ano, foi 30 vezes menos letal. 

  • H3N2 é também conhecida como 'gripe de Hong Kong', após deixar mais de 3 milhões de mortos nos anos 60 - principalmente em Hong Kong e nos Estados Unidos. Os vôos internacionais já eram realidade, o que colaborou na proliferação do vírus. 

  • O H1N1, antes de infectar humanos, atingiu suínos. Por isso, em 2009, foi batizado de gripe suína. O vírus não se restringe às vias respiratórias e podem viajar através dos sistemas e se instalar no aparelho digestivo, causando enjoos e diarreia. 

Veja alguns centros de saúde em Salvador: 

CS Frei Benjamin
Endereço: Rua da Matriz s/nº - Valéria
Telefones: (71) 3611 -7910 / 7911

CS Nelson Piauhy Dourado
Endereço: Rua Endeo Nascimento, Qd. C, s/n, Caj. III, Água Claras CEP 41310380
Telefones: (71) 3611-5313 / 5314

CS Alto do Bariri
Endereço: Rua Niágara, 144, Salvador - BahiaSalvador - BA, 40717-288
Telefones: (71) 3611-5600 / 5601

CS Frei Benjamin
Endereço: Rua da Matriz s/nº - Valéria
Telefones: (71) 3611 -7910 / 7911

CS Paripe
Endereço: Rua Almirante Barroso, S/N
Telefones: (71) 3611-5900 / 5901

CS Fazenda Coutos III 
Endereço: Rua Alto das Malvinas, S/N - Faz. Coutos III
Telefones: (71) 3611-5910 / 5911

CS Fazenda Coutos Casa Trabalhador
Endereço: R. Eixo A, 278 - Fazenda CoutosSalvador - BA
Telefones: (71) 3611-5959 / 5960

CS Castelo Branco
Endereço: R. P-Qd 16- 3ª Etapa - Castelo Branco, Salvador - BA, Brasil
Telefones: (71) 3611-5316 / 3611-5317

CS Sete de Abril
Endereço: Rua Feliciano, s/n - Sete de Abril ( ponto de referencia 50ª CPM)
Telefones: (71) 3611-7832 / 7833

CS Marechal Rondon
Endereço: Praça Marechal Rondon s/nº - Fim de Linha Marechal Rondon
Telefones: (71) 3611 -5208 / 5209

CS Edgard Pires da Veiga
Endereço: Rua Jaime Vieira Lima, s/n-Pau da lima. (Ponto de referencia - 10ª Delegacia)
Telefones: (71) 3611-7830 / 3611-7831

CS Nova Brasília
Endereço: Rua Nelson Lacerda, s/n - Nova Brasília (Ponto de referencia - Colégio Vera Lux)
Telefones: (71) 3611-7828 / 3611-7829

CS Canabrava
Endereço: Rua Bem ti vi, s/n - Canabrava (ponto de referencia ao lado Escola Municipal de Canabrava).
Telefones: (71) 3611-7340 / 3611-7341

CS Calabetão
Endereço: Rua Cleriston Andrade, s/n
Telefones: (71) 3611-5206 / 5207

CS Santo Inácio
Endereço: Alameda Santo Inácio, 64 - Jardim Santo Inácio Salvador - BA
Telefones: (71) 3611-5204 / 5205

CS Mata Escura
Endereço: R. Benjamim Abdon, 7 - Mata Escura Salvador - BA
Telefones: (71) 3611-5524 / 5525

CS Dr. Orlando Imbassahy
Endereço: Tancredo Neves, S/N - Bairro da Paz
Telefones: (71) 3611-7002 / 7012

CS São Cristóvão
Endereço: R. Lauro de Freitas, 42 - São Cristóvão Salvador - BA, 41500-190
Telefones: (71) 3377-2112

CS Prof. José Mariane
Endereço: Av. Dorival Cayme, S/N - Itapuã
Telefones: (71) 3611-7116 / 7117

CS Barreiras
Endereço: Estrada das Barreiras, s/n
Telefones: (71) 3611-5410 / 5411

CS Péricles Laranjeiras
Endereço: Rua das Pitangueiras s/nº - Faz. Grande do Retiro
Telefones: (71) 3611 -5805 / 5806

CS Arenoso
Endereço: R. Reynaldo Praxedes - Arenoso Salvador - BA, 41205-270
Telefones: (71) 3611-7300 / 7301

CS Engomadeira
Endereço: Rua Direita da Engomadeira, s/n - CEP 4120-050
Telefones: (71) 3611-5414 / 5415

CS Eunísio Coelho Teixeira
Endereço: Rua Jucurutus, s/n, Saboeiro- CEP 41180210
Telefones: (71) 3611-5412 / 5413

CS Pernambués
Endereço: Rua Tomaz Gonzaga
Telefones: (71) 3611-9010/9011

CS Maria Conceição Santiago Imbassahy
Endereço: Rua Marquês de Marica, s/n - Pau Miúdo CEP: 40.310-000
Telefones: (71) 3386-2086

CS São Judas Tadeu
Endereço: Rua Prof. Soeiro, s/n - Pau Miúdo CEP: 40.310-300
Telefones: (71) 3611-4013 / 3611

CS Alfredo Bureau
Endereço: Rua Jaime Sapolnick, s/n - Marback
Telefones: (71) 3034-7777 / 7771 3034-7768 / 7755 3034-7754 / 7750

CS Dr César de Araújo
Endereço: Rua Manoel Quaresma, nº 08 - Boca do Rio
Telefones: (71) 3611-7317 / 3611-7375

CS Santo Antônio
Endereço: Prça Quinze Misterios, 238 Santo Antonio
Telefones: (71) 3611-4132/4133

CS Dr. Péricles Esteves Cardoso - Barbalho
Endereço: Rua Arturh de Aguiar, 04 Barbalho
Telefones: (71) 3611-4137 / 4136

CS Mário Andréa
Endereço: RUA FORTUNATO BENJAMIN SABACK, SN  SETE PORTAS
Telefones: (71) 3611-2958 / 3611-2962

CS Pelourinho
Endereço: Rua do Bispo, 37 Pelourinho
Telefones: (71) 3611-6821/6822/6851

CS São Francisco
Endereço: Rua do Carro - Nazaré
Telefones: (71) 3611-2982

CS Pernambués
Endereço: Rua Thomaz Gonzaga, 150 - CEP 41100000
Telefones: (71) 3611-9010 / 9011

CS Cardeal da Silva
Endereço: Rua Direta de Cosme de Farias, s/n 40.252-000
Telefones: (71) 3611-2963 / 3611-2992

CS Manoel Vitorino
Endereço: Av. Dom João VI, 450 - Brotas
Telefones: (71) 3611-3800 / 3611-3801

CS Dr. Osvaldo Caldas Campos - Santa Cruz
Endereço: Rua Drº Mariano Calavolpe - Stª Cruz
Telefones: (71) 3611-3540 / 3611-3541

CS Engenho velho da Federação
Endereço: Rua: Apolinario Santana - Engenho velho da Federação
Telefones: (71) 3611-5706

CS Sabino Silva
Endereço: Rua Reinaldo de Matos, s/nº Nordeste de Amaralina.
Telefones: (71) 3611-3536 / 3611-3537

* Com supervisão da subeditora Fernanda Varela

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas