Do branco ao azul: qual cor de carro vale mais a pena comprar?

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20.02.2021, 06:00:00
Atualizado: 16.03.2021, 19:49:54
Em 2020 o consumidor continuou apostando em cores tradicionais, como branco, prata e preto. Mas tons como azul e verde cresceram (Foto: PPG)

Do branco ao azul: qual cor de carro vale mais a pena comprar?

Apesar de o branco ser preferência mundial, cores como azul estão ganhando espaço nos modelos mais modernos

Por mais de uma década, até a chegada da pandemia, circulei por diversos salões automotivos em vários países. Geralmente, os modelos conceituais são os que mais chamam a atenção. Muitos dos seus elementos apontavam o futuro e seriam posteriormente aplicados na versão final ou em outro modelo.

E algo neles, e em outros modelos convencionais que ficavam em destaque, começou a chamar minha atenção: a cor. Houve mostra automotiva onde o branco imperou. Nas últimas, o azul começou a crescer. Nesta semana, quando recebi um relatório da PPG, fabricante de tintas, minha percepção foi confirmada: o azul subiu para 9% da participação global de cores - um aumento de 1% em relação a 2019. 

Modelos conceituais como o Volkswagen Tarok apostaram no azul
Modelos conceituais como o Volkswagen Tarok apostaram no azul (Foto: Pedro Dantas/Volkswagen)
O Kia Stinger GT foi mostrado na cor azul no Salão do Automóvel de São Paulo
O Kia Stinger GT foi mostrado na cor azul no Salão do Automóvel de São Paulo (Foto: Antônio Meira Jr./CORREIO)
O chinês Wey S foi exibido em tons de azul no Salão de Frankfurt, na Alemanha
O chinês Wey S foi exibido em tons de azul no Salão de Frankfurt, na Alemanha (Foto: Antônio Meira Jr./CORREIO)
O elétrico ID3, da VW, debutou para o mundo pintado de azul
O elétrico ID3, da VW, debutou para o mundo pintado de azul (Foto: Volkswagen)
A cor de lançamento da nova geração do BMW Série 3 também foi azul
A cor de lançamento da nova geração do BMW Série 3 também foi azul (Foto: BMW)

“O azul é uma cor otimista e reconfortante, que transmite confiança, confiabilidade, segurança, recuperação e esperança. Também está associado à natureza, limpeza e tecnologia voltada para o futuro”, explica Misty Yeomans, gerente de estilização de cores da PPG para as Américas. Os especialistas da empresa acreditam que a pandemia de Covid-19 provavelmente aumentará ainda mais a preferência pela cor.

No entanto, na América do Sul ainda há espaço para crescimento do azul. Por aqui, a tonalidade representa apenas 2% das vendas. O predomínio foi do branco, com 36,5% das vendas - mas com queda de 2,5% em relação ao relatório apresentado em 2019. A prata (21%) ficou com a segunda posição, a cinza (15%), na terceira, a preta (14%), na quarta e, a vermelha (7%), na quinta. Na Europa, o azul corresponde a 11% dos carros vendidos e, na América do Norte, a 10%.

Mundialmente a cor azul se destacou em 2020, correspondendo a 9% dos veículos vendidos (Imagem: PPG)

“Tons azul-água de inspiração digital combinam versatilidade com uma sensação de juventude e um espírito novo”, comenta Yeomans. “O surgimento do mercado de veículos elétricos também impulsionará o crescimento de tons vibrantes e efeitos interessantes, como cores mutáveis. Também estamos vendo o azul ser utilizado mais amplamente em acabamentos, logotipos e outras aplicações em acessórios”, justifica o executivo. Como exemplo dessa aplicação, basta observar o azul em logotipos de carros híbridos da Toyota. São sempre com o fundo azul.

O fenômeno do branco


Globalmente, 34% dos carros vendidos em 2020 foram brancos, mesmo com uma queda de 1% em relação ao ano anterior. Naturalmente, os veículos de frota, os táxis e atendimento a governo são nesse tom, o que amplia muito a sua popularidade. Associado a isso, é geralmente a opção mais barata. Claro que há exceções, como quando há coberturas extras, como na variante perolada ou metálica.

Outra característica importante dessa cor é relacionada às tecnologias autônomas. “A preferência pela cor branca nos carros autônomos está ligada ao potencial do pigmento de refletir a luz e, assim, facilitar a detecção dos veículos pelos radares, que utilizam o sistema LiDAR (sigla em inglês Light Detection And Ranging, tecnologia utilizada pelos sistemas de visão por computador responsáveis por detectar veículos e obstáculos pela detecção de luz)”, explica Odair Destro, gerente de produto de tintas automotivas da PPG no Brasil.

Desde que seja preto


Em 1909, Henry Ford declarou em uma reunião em 1909: “o cliente pode comprar um carro de qualquer cor que quiser, desde que seja preto”.  Criador da produção em série, Ford queria conter os custos e economizar tempo na fabricação e, por isso, queria induzir os clientes a preferir determinada cor. Mas na verdade o carro produzido à época, o Modelo T, era também oferecido nas cores azul, bege, cinza, marrom, verde e vermelho.

Mas, e você, na hora da compra, vai levar o que para sua garagem? Cores básicas para ficar fácil na revenda ou vai inovar e levar um tom exótico? Ou vai se inspirar no trecho da música “O Bom”, de Carlos Eduardo Corte Imperial: “meu carro é vermelho. Não uso espelho pra me pentear”.

Minha sugestão é que compre o que te faz feliz. Mas tenha em mente que um verde “burro-quando-foge” pode ser mais complicado para revender. No entanto, por outro lado, será um carro menos desejado pelos ladrões, que preferem se misturar à paisagem.

Se o orçamento permitir, prefira uma cor metálica ou perolizada. Elas contêm camadas extras de verniz e, consequentemente, são mais duradoras. Lembre-se também que cores escuras, como o preto, são piores em dias quentes. Esses tons também ficam sujos com maior rapidez.

A cor prata é certamente a mais prática. Disfarça pequenos arranhões e mostra menos a poeira, por exemplo.

Na hora da limpeza


Alguns cuidados básicos devem ser sempre lembrados na hora da lavagem. O sabão precisa ser neutro e, enquanto ensaboado, o carro deve evitar grande exposição ao sol. Polimentos em excesso podem danificar a pintura. É bom lembra que ela é uma cobertura e com a frequência de polimentos, principalmente com uso de máquinas, sua camada pode ser desgastada.

Fezes de pássaros devem ser removidas o quanto antes. Alta acidez desses dejetos é um grande inimigo da pintura automotiva. Em contato com o sol, a lataria pode esquentar muito e o os materiais ácidos podem estragar o verniz.

A lama na pintura também deve ser retirada o quanto antes. Um dos motivos é que a terra seca pode ser friccionada até quando alguém esbarra no veículo. Com o tempo, pode causar danos maiores.

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