Doceira morta pelo filho no Cabula cuidava de netos e tinha adotado duas crianças

salvador
10.01.2020, 15:40:00
Atualizado: 10.01.2020, 15:40:30
(Foto: Eduardo Dias/CORREIO)

Doceira morta pelo filho no Cabula cuidava de netos e tinha adotado duas crianças

Vizinhos relatam que crianças presenciaram o crime

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Uma tragédia familiar marcou o fim da tarde de quinta-feira (9) na comunidade Vila São José, na Avenida Silveira Martins, no bairro do Cabula, em Salvador. A doceira Giscelia da Silva Correia, de 62 anos, foi assassinada dentro de casa, onde morava com dois de seus três filhos, marido e os quatro netos.

O crime aconteceu após a doceira tentar separar uma briga entre irmãos. Segundo a polícia, ela foi ferida no pescoço com uma faca de serra utilizada para cortar bolos. O suspeito do crime é o próprio filho dela, Manoel, que foi preso em flagrante no local. 

Uma equipe do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) foi chamada e foi ao local para tentar socorrer a mulher, mas ela já estava morta.

Giscelia trabalhava com bolos e doces
(Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

Doceira, Giscelia trabalhava com encomendas de buffet para festas de aniversário e batizados. Na casa onde morava, ela ajudava a criar os quatro filhos de Manoel, além de cuidar da própria filha, que tem problemas mentais.

Segundo a investigação, Manoel tentava atingir a irmã de 23 anos com a faca de bolo, utilizada pela doceira para trabalhar, e acabou acertando fatalmente a mãe, que tentava separar a briga dos filhos.

A relação entre os dois filhos da doceira era conturbada, segundo contam vizinhos da família. Segundo a polícia, moradores relataram que, quando a jovem tinha 14 anos, ela assassinou a cunhada, esposa de Manoel. Não há informações se a briga que vitimou a mãe deles começou o motivo da briga era esse nem sobre o crime citado.

Nesta sexta-feira (10), o CORREIO esteve no local onde o crime aconteceu e conversou com vizinhos da família. Com medo, eles preferiram se manter sob anonimato.

Um deles narrou que estava em casa quando tudo aconteceu. Segundo ele, foi possível ouvir gritos de socorro e barulhos de pessoas caindo vindo de dentro da residência 1008, onde dona Giscelia morava. Assustado, ele ligou para a polícia e pediu ajuda.

“Da minha casa dava para ver e ouvir tudo, meus filhos ficaram assustados. Liguei para a polícia para que eles interferissem na situação, até porque eu não sabia o que estava acontecendo por lá. As próprias crianças da casa dela viram tudo acontecer, estavam todos lá. Uma situação complicada”, contou o morador.   

Também sem revelar o nome, outra moradora lamentou a morte e fez questão de afirmar que a doceira era uma "pessoa do bem, que gostava de ajudar as pessoas" e que tinha conseguido a guarda de duas crianças que adotou em um orfanato recentemente.

“Ela era uma ótima mãe e amiga, todos da igreja gostavam dela. Vamos sentir muita falta. Ela estava feliz, há poucos dias tinha conseguido a guarda para cuidar de duas crianças de um orfanato. Ela sempre pedia ajuda de nós, da igreja, para as crianças. Sempre acolheu os necessitados, ajudava todo mundo, independentemente de cor, raça ou classe social. Ela tirava do dela para ajudar os outros, deixava até de comer para ajudar o próximo. A notícia pegou todos nós de surpresa, ainda mais da forma que foi”, disse a moradora.

A vizinha disse ainda que Manoel não tinha perfil violento e também não apresentou nenhum comportamento estranho nos últimos dias. 

“O filho dela, não era uma má pessoa, pelo contrário. É um bom pai, era um bom filho também, até esse episódio acontecer. Nunca tinha ouvido falar em casos de violência por parte dele. Soube que ele e a irmã brigavam, mas nunca soube o motivo direito, pois nunca quis invadir a privacidade deles”, completou a mulher.

Na manhã desta sexta, familiares de dona Giscelia aguardavam a liberação do corpo dela no Instituto Médico Legal Nina Rodrigues (IMLRN). A reportagem tentou conversar com alguns familiares, sem sucesso. "Sem conversa, ninguém vai falar nada", respondeu um dos familiares ao ser abordado.

Giscelia era casada e tinha dois filhos e quatro netos. O enterro dela será realizado na tarde desta sexta-feira (10), no Cemitério Bosque da Paz, na Av. Aliomar Baleeiro.

O caso
Em nota, a Polícia Militar informou que recebeu uma denúncia  por volta das 16h45 de que uma mulher de 62 anos foi encontrada morta dentro da casa onde morava, com cortes no pescoço, provocados por uma faca.

Uma equipe da 23ª Companhia Independente de Policiamento Militar (CIPM/Doron) foram enviada ao local e acompanhou o trabalho dos profissionais do Samu, que constataram a morte da mulher ainda no local.

Ainda no local, vizinhos informaram que a vítima estava com o filho no momento do crime. Manoel foi preso em flagrante e levado para a delegacia do bairro de Tancredo Neves, onde a ocorrência foi registrada. Em seguida, foi apresentado na Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), onde o crime será investigado.

Manoel foi preso em flagrante
(Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

Ao CORREIO, a Polícia Civil disse que Manoel foi autuado em flagrante, na 2ª Delegacia de Homicídios (DH/Central), após ser apresentado pelos policiais militares. Ele confessou ter assassinado a mãe. O homem está à disposição da Justiça.

* Com supervisão do chefe de reportagem Jorge Gauthier

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