Domingos Montagner recusa título de galã e exalta construção humana de seu personagem em 'Velho Chico'

TV
04.09.2016, 08:10:00

Domingos Montagner recusa título de galã e exalta construção humana de seu personagem em 'Velho Chico'

Em entrevista, ator fala sobre novela e paixão pelo teatro e circo

Responsável por dar vida ao sertanejo Santo, o ator paulista Domingos Montagner, 54 anos, é um dos principais destaques de Velho Chico, novela das 21h da Globo/TV Bahia. Apaixonado pelo teatro, ele recusa o título de galã e exalta a construção humana do seu personagem, que é um ídolo com falhas.

Em entrevista ao CORREIO, o ator fala da volta do personagem que sofreu um atentado na trama de Benedito Ruy Barbosa, sobre o debate em torno do Rio São Francisco e a paixão pelo teatro e o circo. Além disso, anuncia novos projetos: uma série de tevê baseada num livro de Drauzio Varella, ainda este ano, e a volta para o teatro, com peça que estreia ano que vem. Confira!

Domingos Montagner no papel de Santo

(Foto: Renato Rocha Miranda/TV Globo)

Faz pouco mais de uma semana que Santo voltou à trama e isso está dando o que falar. O que se pode esperar dessa nova fase?

Essa sequência que aconteceu  a partir da tentativa de assassinato vai provocar mudanças significativas na trajetória dele. É quase um renascimento, uma mudança espiritual grande. Ele vai repensar a vida, as relações. Isso vai imprimir um novo comportamento nele e as pessoas vão ser influenciadas por essa luz espiritual que ele vai carregar daqui por diante.

O que de fato aconteceu com Santo? Quem atirou nele?

Ele não viu quem foi que atirou, inclusive fala isso nas primeiras conversas que tem com o irmão (Bento/Irandhir Santos). Ele não viu nem de onde vieram os tiros. Também não sei. Juro! (risos). A gente realmente não sabe, até ficamos comentando entre nós. Tem várias pessoas que poderiam ter feito isso. Mas Santo não vai se fixar nisso não, de tentar saber quem foi. Ele vem numa missão crítica, onde repensa a vida. Santo tem uma força muito grande naquele núcleo social e a presença ou ausência dele significa muita coisa.


E a vida dele com Tereza (Camila Pitanga) e Luzia (Lucy Alves), como fica realmente?

Antes do atentado, ele já tinha avisado a Luzia que ia se separar dela. Já estava claro pra ele. Isso agora vai se consolidar, não tem como retroceder a essa situação. Com Tereza, ele vai assumiu a relação.

Sabemos que não se considera galã, mas você virou o principal destaque de uma novela que possui alguns atores jovens com esse mesmo perfil. Como lida com isso?

Não sei se sou o principal destaque não. A gente tem um elenco incrível, com poucos personagens, e a função de todos é importante. Me sinto privilegiado de estar nesse núcleo, dentro de um grupo cujo trabalho vai ser histórico para a televisão, com uma narrativa diferente e estética ousada. Fico feliz que Santo está comunicando à altura que considero esse personagem. O galã é uma apreciação bem de fora, a gente nunca tem esse preceito na construção do personagem.

Apaixonado por Tereza (Camila Pitanga), Santo (Domingos Montagner) segue seu coração após retorno à trama

(Foto: Mauricio Fidalgo/TV Globo)

O que você mais gosta em interpretar Santo?

Gosto dos meus cavalos (risos). Brincadeira. Adoro esse traço arquetípico de herói, que a construção de Santo está aliada. A novela tem um formato épico e a forma como a gente conseguiu desenvolver ele me agrada, porque ele é um herói muito humano. Tem suas falhas, indecisões, inseguranças, mas você reconhece nele a trajetória do herói. É um personagem que caminha sempre adiante, suas dúvidas são para levá-lo mais adiante. Gosto também desse aspecto que a novela trouxe, de valores muito essenciais à relação humana, à fraternidade. Amo a relação do Santo com o Bento, além de prazerosa é muito positiva. É como se dá uma relação honesta entre irmãos. Assim como amo a relação dele com a família: nunca resvala no machismo, no autoritarismo e tem sempre um respeito com todo mundo.

A novela Velho Chico apresenta questionamentos políticos, como o coronelismo e a transposição do Rio São Francisco. O que acha dessa discussão?

Conheci e me encantei pelo Rio São Francisco quando gravei Cordel Encantado (2011). Depois também filmei o Gonzaga: De Pai pra Filho (2012), próximo dali. A gente nota a importância desse esclarecimento, de colocar em foco a situação de um povo muito pouco representado na teledramaturgia brasileira. É muito importante falar da realidade do Rio São Francisco, porque automaticamente provoca a inclusão dessas pessoas na discussão do dia a dia. Daqui a alguns anos, a gente vai reconhecer ainda mais a importância dessa novela. Tratar disso é maravilhoso. A grande função da dramaturgia é contar a história do seu tempo.

Você vem de uma formação forte do teatro. O que difere esse universo da televisão?

Montagner como o palhaço Agenor

(Foto: Divulgação)

Me formei artisticamente no teatro e no circo, só que nosso ofício tem um espectro muito grande. Reduzir nosso ofício a um suporte só é menosprezar sua capacidade de alcance e comunicação com o público. Fiquei feliz de aparecerem trabalhos na televisão e no cinema, foi um prêmio receber novos convites para outras experiências. A gente tem uma possibilidade tão grande de aprender... Acho que o teatro é um esteio para tudo isso e me sinto feliz de ter começado onde é o berço de nossa profissão. Isso me deu uma segurança muito grande em relação ao que significa meu ofício, das características artesanais à função dentro da sociedade, de comunicação com o público.

Já tem novos projetos previstos para o período posterior à novela Velho Chico?

Nós atores temos sempre novos projetos, né? (risos). Vou filmar logo depois da novela uma série chamada Carcereiros, baseada no livro do Drauzio Varella e com direção do Zé Belmonte (José Eduardo Belmonte, diretor do filme Alemão/2014). Até o final do ano, a gente filma. A série vai mostrar o sistema peninteciário do ponto de vista do carcereiro, que será interpretado por mim. Além disso, ano que vem, vou voltar para o teatro com uma peça que vou montar com minha companhia, La Mínima. Será uma adaptação da ópera italiana Pagliacci e terá direção do Chico Pelúcio, do grupo Galpão, de Minas Gerais. A adaptação é de Luis Alberto de Abreu e a gente deve estrear em março. A gente deve ir a Salvador com certeza!


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