Elétrico x gasolina: saiba quanto custa rodar com cada um

salvador
01.08.2020, 05:29:00
O Leaf, da Nissan, é uma das opções de carros elétricos à venda no mercado brasileiro (Foto: Nissan)

Elétrico x gasolina: saiba quanto custa rodar com cada um

Oferta de elétricos cresceu, mas o mais barato custa quase R$ 150 mil

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Para que a bateria de um carro elétrico seja completamente carregada é necessário que ele fique cerca de 10 horas plugado na tomada. Muito mais que os poucos minutos que um veículo convencional precisa ficar parado ao lado de uma bomba para ser abastecido. 

Então vem logo uma pergunta: “quanto vai custar?”. Bem menos do que você imaginou. A tarifa de energia varia em cada estado e na Bahia a Coelba cobrou R$ 0,83 por quilowatt-hora (kWh) residencial em Salvador - valor da soma entre a Tarifa de Energia Consumida (TE) e Tarifa de Uso dos Sistemas Elétricos de Distribuição (TUSD) em julho. Ou seja, essa é a base de cálculo para o custo de abastecimento do carro elétrico, como o preço do litro da gasolina para os modelos a combustão.

De acordo com a Chevrolet, o Bolt EV tem baterias com capacidade de 66 kWh e uma autonomia estimada de 416 quilômetros. Fazendo uma regra de três simples, sabemos que o veículo gasta 15,8 kWh para rodar 100 km. Considerando o preço do kWh como R$ 0,83, então a energia de 15,8 kWh necessária para rodar 100 km vai custar R$ 13,11.

Em um automóvel convencional, que faz em média 10 km por litro, o custo para rodar 100 km será de R$ 45, levando em conta o valor médio desse combustível em Salvador. Resultado: rodar com o automóvel elétrico é 3,4 vezes mais barato que com um similar a gasolina. 

Quais as opções

O elétrico mais barato do país é o Zoe, da Renault. Ele tem 4,08 metros de comprimento, quase a mesma medida do Sandero, e é oferecido em apenas uma versão por R$ 147.990. Seu propulsor oferece 92 cv de potência e 22,9 kgfm de torque entre 250 rpm e 2.500 rpm. É um torque superior ao do Sandero R.S., o mais forte da linha, que oferece 20,9 kgfm a 4 mil rpm.

Uma das vantagens do propulsor elétrico sobre o motor a combustão é que a entrega de torque é imediata. Ou seja, não é preciso subir tanto as rotações para atingir o torque máximo. 

Mas nem tudo é superior no elétrico. Enquanto o Sandero R.S. pesa 1.161 kg, o Zoe tem 1.480 kg. Esse peso extra, por conta das baterias, deixa a aceleração de 0 a 100 km/h lenta. São necessários 13,2 segundos para cumprir essa meta. Como comparação, o Sandero esportivo leva 8 segundos. No entanto, no uso urbano o Zoe acelera bem: para ir 0 a 50 km/h são necessários apenas 4 segundos. Importado da França, o Zoe pode rodar até 300 km com uma carga completa.

O Renault Zoe é um dos modelos elétricos mais acessíveis do Brasil
O Renault Zoe é um dos modelos elétricos mais acessíveis do Brasil (Foto: Antônio Meira Jr./CORREIO)
O Leaf, da Nissan, é o carro elétrico mais vendido no mundo
O Leaf, da Nissan, é o carro elétrico mais vendido no mundo (Foto: Nissan)
Produzido nos Estados Unidos, o Bolt é a opção elétrica da Chevrolet no país
Produzido nos Estados Unidos, o Bolt é a opção elétrica da Chevrolet no país (Foto: GM)
O i3, da BMW, é o pioneiro entre os elétricos no mercado nacional
O i3, da BMW, é o pioneiro entre os elétricos no mercado nacional (Foto: BMW)
O utilitário esportivo elétrico e-tron, da Audi, foi lançado este ano
O utilitário esportivo elétrico e-tron, da Audi, foi lançado este ano (Foto: Audi)
A Jaguar foi a primeira a oferecer um SUV elétrico no Brasil, o I-Pace
A Jaguar foi a primeira a oferecer um SUV elétrico no Brasil, o I-Pace (Foto: Fernanda Freixosa/ Jaguar)

O Nissan Leaf, que é importado do Reino Unido, também é comercializado em versão única no país por R$ 195 mil e tem autonomia para rodar até 389 km.

Graças aos 32,6 kgfm de força, quase o mesmo torque de um motor 2 litros turbo, o Leaf pula na frente dos outros carros em uma saída de sinal - inclusive de modelos turbinados com o mesmo torque, isso acontece porque no motor elétrico a força aparece quase de imediato, ao passo que em um sobrealimentado é preciso atingir pelo menos 1.500 rpm.

Outra opção é o Chevrolet Bolt, que é oferecido por R$ 223.890. Neste modelo, que tem 4,16 metros de comprimento e conta com 10 airbags, as arrancadas de 0 a 100 km/h podem ser feitas em aproximadamente 7 segundos. Isto porque o conjunto propulsor entrega 203 cv de potência e 36,7 kgfm de torque em qualquer faixa de rotação.

Logo na sequência, por R$ 229.950, vem o i3, da BMW. Esse modelo foi o pioneiro no país e é oferecido em outras duas versões puramente elétricas: BEV Connected (R$ 253.950) e BEV Full (R$ 261.950). As três versões do modelo, que é importado da Alemanha, contam com um propulsor que entrega 170 cv e 25,5 kgfm de torque. A autonomia é de 335 km e ele consome 0,142 kWh por quilômetro, ou seja, R$ 11,78 para rodar 100 km e menos de R$ 40 para uma carga completa.

As outras opções são de SUVs, o Audi e-tron e o Jaguar I-Pace. O alemão é oferecido em duas versões: Performance (R$ 531.990) e Performance Black (R$ 571.990). O novo veículo é equipado com dois motores elétricos, que combinam para uma potência total de 408 cv com 67,7 kgfm de torque. Por ter torque instantâneo, a aceleração de 0 a 100 km/h é feita em 5,7 segundos e a velocidade máxima, que é controlada eletronicamente, é de 200 km/h. Ótimo resultado para um modelo que pesa 2.655 kg, sendo que 700 kg são referentes às baterias.

Em estações de recarga ultrarrápida de 150 kW, por exemplo, a Audi afirma que é possível compor até 80% da bateria em meia hora.

Produzido em Graz, na Áustria, em uma parceria com a Magna Steyr, o Jaguar tem carroceria de alumínio e é equipado com uma bateria de íon de lítio de 90kWh formada por 432 células. Os dois motores, um em cada eixo, produzem 200 cv de potência cada. E, graças ao poderoso e quase instantâneo torque de 70,97 kgfm gerado por estes propulsores, o modelo é capaz de sair da imobilidade e alcançar os 100 km/h em apenas 4,8 segundos. Ele custa R$ 487.950 e sua autonomia pode chegar aos 470 km.

Até o final do ano, a Mercedes-Benz trará o EQC, um utilitário esportivo baseado no GLC e a Porsche lançará o Taycan, seu primeiro modelo desse gênero.

A Mercedes-Benz já confirmou a chegada do EQC ao Brasil (Foto: Daimler)
O primeiro elétrico da Porsche também está confirmado para o país (Foto: Porsche)

O que é necessário
Os carros elétricos podem ser carregados em qualquer tomada convencional de três pinos, desde que seja aterrada e sigam o padrão NBR5410. Caso não haja compatibilidade, um simples adaptador resolverá. A recomendação é de que as tomadas de 110 Volts tenham no mínimo 10 amperes e no máximo 20 amperes. Já as de 220 Volts possuem corrente de 20 amperes.

Para carregar o Zoe basta abrir uma tampa na dianteira do veículo (Foto: Renault)

As fabricantes também oferecem carregadores rápidos, que podem ser instalados na garagem do proprietário. Elas, inclusive, credenciam empresas locais para fazer a instalação.

Há também a possibilidade de instalação de células para a captação de energia solar, o que irá reduzir o custo de carregamento. Em Salvador, há também sete pontos de recarga gratuitos: três em shoppings (Salvador, Bahia e Barra), na Bahia Marina e em três concessionárias (GNC Suécia, Terra Forte e Haus).

As estações de abastecimento podem ser encontradas pelo GPS ou aplicativos específicos (Foto: BMW)

Em deslocamentos com o carro, basta buscar um ponto de recarga rápida pelo navegador. Outra opção é instalar um aplicativo no smartphone para detectar o carregador mais próximo.

A manutenção deste tipo de veículo é mais barata que a convencional. Isso ocorre porque não há troca de componentes como filtro de óleo, óleo do motor e outros itens, pelo fato do motor não ser a combustão. A Jaguar, por exemplo, oferece cinco anos de garantia e as três primeiras revisões gratuitas, que devem ser feitas a cada 24 meses ou 34 mil quilômetros. 

No dia a dia
A rotina de quem vai utilizar um carro elétrico na cidade não será complexa, basta ter alguns cuidados. Quem vai rodar com o Zoe, que tem autonomia de 200 km, poderá circular por até 30 km por dia durante toda a semana. O que pode dobrar para o proprietário de um Bolt - que inclusive poderá ir de Salvador a Aracaju com uma carga. Mas o normal é que o cliente instale um carregador em casa e a bateria seja preenchida durante a noite.

Alguns modelos contam com uma forma de dirigir usando apenas um pedal, como o Leaf. O sistema permite que o condutor dê a partida, acelere, desacelere e se mantenha parado apenas aumentando ou diminuindo a pressão exercida sobre o acelerador. 

É possível guiar um automóvel elétrico utlizando apenas o pedal do acelerador (Foto: Fernanda Freixosa/ Jaguar)

Quando nenhuma pressão é exercida neste pedal, os freios regenerativos ou de fricção são automaticamente acionados, permitindo parar totalmente o veículo e mantê-lo imóvel mesmo em ladeiras, até que o acelerador volte a ser pressionado. É uma sensação de guiar completamente distinta.

Emissão zero?
Ao andar em um veículo elétrico o consumidor pode achar que não está emitindo nenhum poluente. Depende. Quando a energia é gerada pelo vento, pelo sol ou pela água, por exemplo, a premissa é verdadeira. No entanto, alguns países que queimam carvão ou outros combustíveis fósseis para gerar eletricidade. Assim o carro elétrico é um paliativo: não polui na cidade, mas sim onde a energia é produzida.

De acordo com dados da Agência Internacional de Energia, o petróleo e seus derivados são responsáveis por 31,9% da matriz energética mundial, seguido pelo carvão (27,1%) e gás natural (22,1%). Globalmente a hidráulica equivale a apenas 2,5%. 

No Brasil, os derivados da cana correspondem a 17% da energia gerada e a hidráulica a 12%. Ainda assim, o petróleo e seus derivados são responsáveis por 36,4% da energia consumida no país. Somente para gerar energia elétrica a fonte é amplamente hidráulica com 65,2%. O gás natural é segunda fonte (10,5%), biomassa a terceira (8,2%) e, solar e eólica, somadas, a quarta (6,9%).

Outra questão que ainda não foi completamente resolvida é o descarte das baterias dos carros elétricos. Elas são produzidas com materiais que podem poluir de forma drástica. Ou seja, nem tudo é perfeito.

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