Em protesto, rodoviários usam ônibus para bloquear trânsito na Lapa

salvador
16.04.2021, 10:27:22
Atualizado: 16.04.2021, 18:49:37
(Foto: Marcelo Palma / CORREIO)

Em protesto, rodoviários usam ônibus para bloquear trânsito na Lapa

Manifestação ocorre por conta de não aproveitamento de trabalhadores aprovados em processo seletivo

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O trânsito na região da Lapa, na manhã desta sexta-feira (16), está travado por conta de um protesto de um grupo de rodoviários. Os trabalhadores atravessaram e estacionaram ônibus na pista, causando enormes congestionamentos. De acordo com a Transalvador, o protesto causa lentidão em avenidas como Centenário, Vasco da Gama e Bonocô. O órgão recomenda que motoristas evitem trafegar pela região.

O protesto, que se iniciou por volta das 9h30, ocorre por conta dos mil trabalhadores que assinaram contrato com as empresas de ônibus mas não foram aproveitados, segundo informações do Sindicato dos Rodoviários. 

Prejuízo para passageiros
A paralisação atrapalhou o cronograma que milhares de soteropolitanos tinham para o dia. Na Lapa, não dava para contar quantas pessoas aguardavam ônibus ou tentavam pegar um o carro por aplicativo para adiantar o lado. Um deles era Ícaro Bacelar, 20 anos, que é estudante universitário e saiu da estação de metrô do Retiro para Lapa com a intenção de chegar na Vasco da Gama sem saber o que estava acontecendo. "Tô tendo dificuldade, nem sabia que tava rolando. Eu tava no metrô e só chegando aqui que avisou que não tava tendo ônibus. Poderia ir até andando, mas, com a chuva, não rola. Era cinco minutos de ônibus pra lá e já tô aqui há mais de meia hora esperando", contou.

A telefonista Anny Rocha, 24, se atrasou para o trabalho por conta do problema e nem sabia ainda se conseguirira chegar ao seu destino para não perder o dia. "Me atrasou para o trabalho que é na Pituba. Eu sempre pego metrô e depois ônibus. Tô aqui desde 12h30 e já são 14h. Desse jeito, vou perder um dia de trabalho. Eu vi que em Pirajá tava tudo parado, mas não sabia que estava rolando aqui também. Na verdade, não sabia nada de paralisação", falou.

Já a auxiliar de secretaria Ilza Sacramento, 50, foi prejudicada duas vezes pela paralisação. Tanto quando saiu de casa pela manhã como quando estava tentando retomar para onde mora, no fim de linha do bairro Santa Cruz. "Claro que prejudicou. De manhã, eu saí da Santa Cruz e os ônibus pararam ali na UPA do Barris. Tive que andar de lá pra cá, mesmo não podendo por causa das minhas pernas que não estão bem. Agora, na volta, tô pegando a mesma coisas. Já são 14h. Se não tivesse nada disso, antes de 12h eu tava em casa", reclamou.

Negociação
Uma reunião entre as lideranças do sindicato e o prefeito Bruno Reis deve ocorrer ainda nesta sexta-feira (16) para resolver a situação. Em coletiva, o chefe do executivo municipal deu detalhes da situação."Que fique claro que a Prefeitura está agindo como interveniente para resolver a situação. Nós contratamos o máximo de trabalhadores possível, estamos colaborando para que o transporte não pare. Agora, quem paga a indenização para os trabalhadores não contratados?", explicou.

Em nota, a secretaria municipal de Mobilidade (Semob), garantiu quea Prefeitura tem buscado mediar as negociações entre a empresa e seus antigos colaboradores para que um acordo entre ambas as partes seja definido o mais breve possível. "A gestão municipal reitera que tem empregado todos os esforços a fim de evitar uma possível paralisação dos serviços, tendo assumido diretamente a operação de transporte na bacia onde atuava a antiga concessionária e contratando mais de 2,8 mil funcionários pelo REDA, evitando também que a população seja penalizada com uma suspensão das atividades", diz o comunicado.

Protesto em Pirajá
Os rodoviários também protestaram numa outra estação de transbordo importante da cidade: a Estação Pirajá. Este, no entanto, cobrou a vacinação dos trabalhadores contra a covid-19. Ao menos dois rodoviários morreram vítimas da doença nas últimas 24 horas.

Segundo a Transalvador, o protesto em Pirajá começou por volta das 10h e durou até as 12h15, quando os ônibus voltaram a circular no terminal.

Durante a manifestação, os rodoviários deixaram os ônibus enfileirados dentro da estação e ficaram de braços cruzados em protesto. Com isso, vários passageiros ficaram aguardando e muitas filas foram formadas, todas sem qualquer distânciamento social. 

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