Escolas laboratório trazem a inovação para a educação municipal

agenda bahia
15.07.2018, 05:58:00
Nas escolabs a crianças é incentivada a levar celulares para a escola e as aulas utilizam tablets e computadores (Valter Pontes/Agecom)

Escolas laboratório trazem a inovação para a educação municipal

Parceria da Prefeitura de Salvador com o Google começou em 2016

Diariamente, no turno oposto ao das aulas regulares, estudantes de oito escolas municipais de Salvador, alguns vindos de Mussurunga e São Cristovão, ocupam as salas de aula da Escolab Boca do Rio, um espaço onde crianças e adolescentes do quarto ao nono ano podem inovar, inventar e experimentar. Ao todo, são três Escolas Laboratório gerenciadas pela Secretaria de Educação da Prefeitura Municipal de Salvador (Smed/PMS). Além da Boca do Rio, as outras duas estão em Coutos, sendo uma delas nas instalações do Subúrbio 360, na Rua da Paz. 

Qualquer aluno da rede municipal de ensino pode participar das Escolas Laboratório, diz Miguel Dourado, diretor da unidade da Boca do Rio. “As escolabs representam uma inovação na educação integral do município. O aluno tem aula no turno oposto ao da aula regular e um currículo voltado para a tecnologia”, explica Dourado.

Implantadas desde 2016, a partir de uma parceria da Prefeitura de Salvador com a empresa Google, o projeto prevê o exercício da inovação e o protagonismo de estudantes e professores. Diariamente, os alunos praticam atividades artísticas e tecnológicas que estimulam a criatividade. 

São seis eixos que estruturam o processo de ensino, quatro em plataformas do Google: jogos de linguagem, jogos de raciocínio lógico, cultura global e experimentação científica; e dois desenvolvidos pela Smed: experimentação artística e prática esportiva. 

Com capacidade para atender 1,5 mil estudantes, as unidades oferecem aulas de introdução à programação, modelagem, produção de aplicativos, criação de games e introdução à robótica. Na Escolab Subúrbio 360, os alunos ainda têm oficinas de técnicas de rádio e difusão.

A criançada usa tablets e computadores o tempo inteiro. Inclusive, o trabalho dos professores é apoiado por conteúdos produzidos especificamente para essas ferramentas

DNA futurista

Segundo Miguel Dourado, a equipe da Escolab Boca do Rio tem experiência no uso de ferramentas tecnológicas e trabalha amparada no tripé neuroaprendizagem (neurociência), experimentação e tecnologias digitais e também analógicas. 

“Os estudantes das escolabs já são nativos digitais (nome dado à geração que já cresceu conectada). Nas escolas convencionais, esse aluno não pode usar nada em sala de aula, já na escolab ele é estimulado a trazer o celular, usar internet e aplicativos, softwares livres e também brinquedos analógicos como os jogos” (Miguel Dourado)

Na unidade que Dourado dirige, os estudantes também usam permanentemente redes sociais, mas não sem um propósito. São eles que alimentam o Instagram e a fanpage no Facebook da escola, usando essas mídias para apresentar suas criações.

“Trabalhamos muito também com a internet, mostrando os benefícios e malefícios, como o projeto sobre fake news (notícias falsas), que discutiu os problemas causados pela disseminação de informações inverídicas”, acrescenta.

Em aulas como a de arte digital, por exemplo, as turmas criam desenhos no tablets que depois viram quebra-cabeças. Há estudantes que também criam estampas e depois vendem no Mercado Livre, ou fazem animação e desenvolvem aplicativos, exercitando o empreendedorismo.

No Centro de Pesquisa e Mídia da Escolab Boca do Rio, os alunos mais velhos, quando estão sem as aulas normais, gostam ir para trabalhar, transformando o local em um espaço de coworking. Lá, eles editam, filmam, transmitem eventos, criam jogos digitais para as outras turmas menores, produzem livros e revistas.

“Recentemente tivemos o Festival do Conhecimento e da Juventude, onde foram mostrados produtos tecnológicos, artísticos, etc. Também fizemos uma releitura dos funks proibidões (os que têm letras picantes). Eles pesquisaram o que é funk, a origem, a história. Depois, discutiram as questões de gênero e o machismo das letras e fizeram uma exposição inclusiva, com novas letras, remixagem e arte digital”, conta Miguel Dourado.


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