Espécie de 'test drive', lojas pop up são opções baratas para quem quer abrir negócio

salvador
26.04.2016, 06:31:00
Atualizado: 26.04.2016, 09:03:35

Espécie de 'test drive', lojas pop up são opções baratas para quem quer abrir negócio

As lojas temporárias ocupam espaço cada vez maior nos shoppings da cidade

Abrir uma loja é um grande desafio para quem está começando um negócio, principalmente em tempos de crise.  É neste contexto que surgem as lojas pop up, operações temporárias em que as marcas ocupam um espaço fixo por um curto período de tempo - de dois a seis meses. 

“Elas são como aqueles pop ups da internet, que pipocam exatamente quando o fluxo de cliente é intenso, e desaparecem na mesma proporção”, afirma o gerente da unidade de acesso ao mercado da unidade baiana do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), José Nilo Meira.

O formato vem sendo adotado por shoppings, que enxergam nele uma maneira de oferecer uma variedade mais ampla de marcas e lucrar com espaços não ocupados. Para as empresas, essa é uma oportunidade de fazer contato direto com o público e testar produtos.

Os sócios da Somos - Coletivo Criativo, Karen Uchôa, Lucas Goes, Michelle Diniz e Fernanda Cardonski
(Foto: Ponto com Dendê Comunicação/Divulgação)

Uma das sócias da Somos – Coletivo Criativo, loja pop up que funciona no Shopping da Bahia, Michelle Diniz acredita que as lojas temporárias e os pequenos negócios vêm conquistando seu lugar nos centros de compras. “Antes os shoppings eram somente para as grandes marcas. Hoje em dia, nós que estamos começando também temos o nosso lugar”, comemora.

Quarenta em uma
Com um investimento inicial de R$ 25 mil, Michelle e a sócia, Fernanda Cardonski, donas da Velkro Criativo, se juntaram aos empresários Karen Uchôa e Lucas Goes, da Amores da Matilda, e abriram a Somos no Shopping da Bahia. O espaço possui cerca de 200 metros quadrados e é dividido de forma a  garantir a exposição de 40 marcas baianas de segmentos distintos.

Cada vaga de exposição pode ser alugada por preços que vão de R$ 300 a R$ 1.500. Todas as despesas da operação são divididas entre elas, o que barateia a participação de cada uma.

“Manter um espaço em um shopping tem um custo alto.  Nossos gastos são semelhantes aos de uma loja normal. Temos que pagar contador, consultoria e material gráfico, por exemplo. A diferença é que aqui todo mundo contribui”, diz Michelle. 

Apesar de as pop up ficarem em um mesmo lugar por um período relativamente curto, se engana quem acha que, para abrir uma, o lojista não precisa lidar com procedimentos burocráticos. “Quanto à burocracia, o processo não é muito diferente do necessário para inaugurar uma loja convencional. Nós também precisamos ter um endereço, CNPJ e alvará de funcionamento”, relata a empresária.

Michelle destaca ainda que, para reduzir custos, a montagem da loja foi feita por ela e os sócios. “Fomos nós e alguns artistas parceiros que pintamos as paredes. Os móveis pertenciam a minha avó e nós mesmos reciclamos. Acho que usar o que você já tem é uma ótima dica para quem está com o orçamento apertado”.  No total, eles economizaram cerca de R$ 20 mil.

Mercado
A gerente de Marketing do Shopping da Bahia, Izabel Ciacci, defende que uma das vantagens das lojas pop up é o lucro imediato. “A vantagem para o lojista é que o retorno é mais rápido, já que o investimento inicial se dilui mais depressa”, afirma.

Ainda de acordo com a gerente, a grande diferença entre lojas temporárias e fixas são os contratos de aluguel mais curtos e flexíveis. “Cada negociação é diferenciada, depende de cada acordo firmado e do que a marca tem a oferecer”.

A primeira loja pop up do shopping foi a Casa Cor, há dois anos. O espaço tinha o objetivo de levar o ambiente do evento para dentro do espaço durante pouco mais de um mês. Hoje, o Shopping da Bahia possui 535 lojas fixas e conta, ainda, com quatro lojas temporárias.

Camisetas itinerantes
Proprietária da Rock di Saia, loja pop up que comercializa camisetas e óculos escuros no Shopping Barra, Cris Rocon diz se identificar com o formato temporário e diz não saber quando terá uma loja fixa.

“Para mim é muito mais vantajoso ter uma pop up porque posso levá-la para qualquer lugar, quando quiser. Eu vendo dois tipos de produtos, então, o espaço que eu ocupo hoje é ideal para dispor tudo”, conta a empresária.

A Rock di Saia vende camisetas e óculos escuros no Shopping Barra
(Foto: Rodrigo Teles/Divulgação)

Por ser uma loja pequena – um quiosque de 6x2 metros – a Rock di Saia possui apenas um funcionário por turno.  O investimento inicial para abrir o estabelecimento foi de R$ 20 mil, e até o final do contrato de aluguel, em junho, a proprietária da marca calcula receber um retorno de R$ 200 mil. 

Segundo Karina Brito, gerente de marketing do shopping, as pop up trazem benefícios para o lojista e para o centro comercial. “Esses tipos de loja fazem com que a gente ofereça mais opções para o cliente. Já para o comerciante, estar dentro de um shopping já consolidado ajuda bastante (nas vendas)”.  

O espaço foi inaugurado em 15 de janeiro com a previsão de ficar no shopping até o fim do carnaval. O sucesso, porém, fez o contrato ser renovado e a Rock di Saia vai ficar no local até  junho. Hoje o Shopping Barra tem duas lojas temporárias.

Espaços temporários dão visibilidade às marcas
Gerente da unidade de acesso a mercado do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas na Bahia (Sebrae-BA), José Nilo Meira acredita que tanto pequenas quanto grandes marcas podem investir em lojas temporárias. Para quem está começando, o modelo é uma forma de dar visibilidade aos produtos e à marca. Já para as empresas com mais experiência, este é o momento de testar a recepção de novos públicos e produtos para expandir o negócio.

“Existem casos em que a loja pop up acaba sendo uma espécie de filhote de uma loja convencional. Na verdade, esta é uma tendência que vem crescendo nos últimos anos. O que mais estimula os empresários é a chance de reduzir riscos, e ver como negócio vai se sair”, conta.

Ele acrescenta que outro ponto positivo deste tipo de comércio é a possibilidade de se adequar a mercados específicos. “A grande sacada de uma loja estilo pop up é aproveitar determinados nichos que têm sazonalidade marcante - como abrir uma loja temporária de moda praia em uma cidade litorânea durante o alto verão -, e testar o mercado para ver se a marca pode dar certo ali”.

Algumas outras vantagens são: retorno financeiro mais rápido, curta duração dos contratos de locação, negociação pré-determinada, equipe reduzida e baixos custos de instalação. No mais, como o contrato com os funcionários também é por tempo determinado, a empresa deixa de pagar alguns encargos trabalhistas, a exemplo do aviso prévio.

Para Meira, é necessário, entretanto, levar alguns fatores em consideração antes de se aventurar no mercado de lojas temporárias. Além do público, do período de permanência e o local, ele destaca a importância de fazer um bom planejamento e ter atenção aos processos burocráticos e de contratação de pessoal e serviços terceirizados.

Em relação à montagem do negócio, o gerente afirma que é importante pensar no seu tempo de permanência. Investir em uma estrutura pesada e elaborada é uma desvantagem para a empresa, já que não se trata de um projeto no qual a marca vai se instalar por muito tempo. Nesse caso, materiais reaproveitáveis e de fácil transporte são uma boa opção. 

O consultor defende ainda que as lojas pop up são uma mistura de loja fixa e virtual. “Sua configuração é híbrida. Apesar de não serem fixas, elas se atêm a um mesmo conceito, missão, valores e visão da marca.  Esse também é o princípio dos food trucks - veículos adaptados para produzir e servir refeições nas ruas”, explica.

O Sebrae é um órgão que busca auxiliar o desenvolvimento de micro e empresas - com faturamento anual de até R$ 3,6 milhões, estimulando o empreendedorismo por meio da competitividade e o desenvolvimento sustentável dos empreendimentos.


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