'Estou fisicamente bem, mas psicologicamente, abalada', diz refém em Cosme de Farias

salvador
13.09.2021, 19:13:00
Atualizado: 13.09.2021, 20:32:00

'Estou fisicamente bem, mas psicologicamente, abalada', diz refém em Cosme de Farias

Festa de aniversário que acontecia foi interrompida pelo som de tiroteio

Uma festa de aniversário infantil feita para os sobrinhos terminou como uma noite que Fernanda Almeida dificilmente esquecerá. Ela foi uma das pessoas mantidas como refém no bairro de Cosme de Farias no último domingo (12). A família, composta de seis pessoas, incluindo três crianças de um, dez e doze anos, permaneceu na situação durante cerca de 4 horas, enquanto a Polícia Militar negociava com o homem, um dos suspeitos de matar o PM Mateus Grec de Carvalho Marinho Queiroz, 35 anos, na mesma tarde. Dois já foram presos.

Durante boa parte do tempo, Fernanda conta que teve a arma apontada para sua cabeça. "Estávamos fazendo uma festinha para a minha sobrinha caçula, de 1 ano, com coleguinhas e a família toda, quando ouvimos um tiroteio. Quando os tiros pararam, eu e minha mãe fomos levar as crianças em casa e vimos o bairro cheio de policiais. Ao chegar em casa, subi as escadas, o homem pulou a janela do terceiro andar e entrou aqui", relata.

O suspeito pulava de telhado em telhado quando conseguiu o acesso à casa. Foi em direção ao quarto, onde estavam as crianças e, por isso, Fernanda pediu que ele a fizesse de refém, em troca de deixá-las em paz. "Jamais deixaria que ele fizesse meus sobrinhos de refém, então pedi para que fosse eu. Durante todo o tempo, ele me segurava como um escudo, com a arma apontada para mim".

As crianças foram colocadas em outro cômodo, junto com o padrasto de Fernanda e, aos poucos, a Polícia Militar conseguiu negociar a liberdade dos menores, de acordo com suas idades. As crianças de um e 10 anos saíram juntas, e, logo depois, o menino de 12. Para isso, o suspeito pediu que fosse entregue à ele um colete à prova de balas. Cerca de uma hora depois, o padrasto de Fernanda conseguiu liberdade.

O homem se entregou à Polícia após ter uma exigência garantida: a de que sua família pudesse estar lá no momento. "Os policiais iam colaborando com o que ele pedia, e, em troca, ele liberava as crianças".

Segundo a Polícia Militar, a situação foi por volta das 21h50, na Travessa 12 de Dezembro. Foram até o local para fazer negociação equipes da 58ª Companhia Independente de Polícia Militar (Cosme de Farias), Rondesp Atlântico, Batalhão de Choque da PM e do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). 

Depois, o acusado acabou sendo preso pela PM. Com ele, foram apreendidos um fuzil M4 TWS, 189 munições calibre 5,56mm, dois carregadores, 144 pedras de crack, três pacotes de cocaína em pedra, R$ 106,74 em dinheiro e uma corrente dourada.

"Foram mais de quatro horas de negociação. Essa negociação foi realizada por uma equipe de especialistas do Batalhão de Operações Especiais seguindo a protocolos internais onde o objetivo é preservar vidas. Tanto os ocupantes da casa, quanto  esse indivíduo armado com um fuzil calibre 556 tiveram suas vidas preservadas. Ele (bandido) foi conduzido e apresentado a autoridade competente e se encontra num momento custadiado pra ser encaminhado à Justiça", diz o major Valdino Sacramento, comandante da Rondesp Atlântico.

Fernanda ainda se diz muito abalada em um vídeo gravado para agradecer aos que prestaram apoio. Ela conta que, embora esteja recebendo muitas mensagens de suporte, em alguns grupos de WhatsApp de conhecidos, pessoas estão espalhando rumores de que ela seria a esposa do homem que a fez de refém.

"Quando fui prestar depoimento da Delegacia, mandaram um áudio desses para minha mãe, Não sei da onde surgiu essa história, mas estou revoltada, e com medo de sair de casa e alguém resolver fazer algo comigo. Não saí de casa para trabalhar hoje e não sei como vou sair nos próximos dias", diz a técnica em Enfermagem.

O acusado e as vítimas foram encaminhados para o DHPP, onde a ocorrência foi registrada. O policiamento segue intensificado na região, com guarnições da 58ª CIPM e da CIPT Rondesp Atlântico.

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