‘Eu comecei a gritar: vou ser vacinada!’, conta funcionária do Martagão Gesteira

coronavírus
20.01.2021, 13:13:00
Atualizado: 20.01.2021, 23:18:12
Edna comemora após ser imunizada (Foto: Arisson Marinho/ CORREIO)

‘Eu comecei a gritar: vou ser vacinada!’, conta funcionária do Martagão Gesteira

Unidades está imunizando 273 profissionais nesta quarta-feira (20)

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A auxiliar de higienização, Edna Brito, 45 anos, estava no ônibus quando recebeu uma ligação, e fez um escândalo que assustou e divertiu os passageiros. Ela trabalha no Hospital Martagão Gesteira, em Nazaré, mas aproveitou o dia de folga, nesta terça-feira (19), para passar com o neto.

“Eu tinha ido buscar meu neto na casa da mãe dele para passar o dia comigo. A gente estava no ônibus quando me ligaram. Eu fiquei tão feliz que comecei a gritar ‘eu vou ser vacinada! eu vou ser vacinada! Obrigado, meu Deus’. O povo dentro do ônibus se assustou e depois começou a aplaudir”, contou ela, rindo.

Edna foi a primeira pessoa vacinada no Martagão Gesteira, a primeira de 273 profissionais de saúde que estão sendo imunizados na unidade nesta quarta-feira (20). Ela trabalha há um ano no local e atua na linha de frente, onde estão os pacientes diagnosticados com covid-19.

Esperança
Uma cerimônia oficial com a presença do prefeito Bruno Reis, do secretário de Saúde, Léo Prates, e do diretor-presidente do Martagão, Carlos Emanuel Melo, marcou o início da imunização na unidade que é referência no atendimento pediátrico. Cinco profissionais receberam a primeira dose da CoronaVac diante das câmeras.

Além de Edna, foram imunizadas a fisioterapeuta Carla Veloso, 40, a enfermeira Catarina Aquino, 29, a técnica de enfermagem Ednalva Pereira, 43, e a médica intensivista Juliana Bastos, 35, além de outras dezenas de profissionais.

Carla exibe orgulhosa a caderneta de vacinação (Foto: Arisson Marinho/ CORREIO)

Ednalva contou que como trabalha diretamente com pacientes que estão infectados com o novo coronavírus precisou se afastar de pessoas idosas da família, como as tias que ela tanto gosta. Ela definiu a aplicação da primeira dose nesta quarta-feira como um momento de esperança.

“Esse foi um desafio muito grande na minha vida, mas creio que tudo isso vai passar. Tenho familiares idosos e cardíacos. Tem quase um ano que não posso visitar, que não posso estar com eles. Eu me sinto privilegiada. Essa vacina é a esperança de que tudo isso vai passar. Já fiz foto e mandei para a família toda”, contou.

Ednalva está esperando para reencontrar os familiares (Foto: Arisson Marinho/ CORREIO)

Cenário
Ednalva atua há seis anos no Martagão Gesteira e trabalha também na UTI do Hospital Ana Nery. O diretor-presidente da Liga Álvaro Bahia Contra a Mortalidade Infantil, mantenedora do Martagão, Carlos Emanuel Melo, contou que 132 crianças atendidas na unidade foram diagnosticadas com covid e que 126 delas se recuperaram, as outras seis não tiveram a mesma sorte. Ao todo, 315 profissionais precisam ser afastados por conta da doença. 

“A primeira fase foi a do medo do desconhecido e da incerteza sobre o que iria acontecer. Foi nessa fase que preparamos o cenário. A segunda foi a do enfrentamento, quando começamos a aprender, ganhar expertise, conversar com médicos do mundo todo para compreender a doença. E, agora, estamos na terceira fase que é a de estabilização, onde sabemos o que deve ser feito e temos protocolos já definidos”, disse.

A unidade avaliou cerca de 800 crianças que apresentaram Síndrome Respiratória Aguda durante a pandemia. Elas eram colocadas em isolamento até terem o diagnóstico descartado para covid-19. O prefeito Bruno Reis frisou que o início da vacinação não é motivo para relaxar.

“Nós temos uma população de 3 milhões de habitantes, e vamos imunizar até a sexta-feira 21 mil pessoas. Isso é menos que 1% da população, então, não pode a chegada da vacina refletir o relaxamento. Espero e trabalho todos os dias para não precisa adotar nenhuma medida de restrição, mas para isso precisamos do apoio da população”, disse.

Balanço
A vacinação começou por volta das 9h, e a estimativa da prefeitura é que 5,3 mil doses sejam aplicadas nesta quarta, contemplando trabalhadores de 18 unidades de saúde, a exemplo de hospitais de grande porte, UPAs e Gripários. Uma equipe formada por 30 vacinadores percorrerá as unidades para efetuar a imunização, que só termina por volta das 18h. O secretário Léo Prates contou que o primeiro dia ficou abaixo da meta.

“Nós tínhamos a expectativa de vacinar 2,5 mil pessoas, e vacinamos 1.397 porque muitos profissionais de saúde trabalham em escala e não estavam de plantão quando as equipes chegaram, mas, mesmo assim, nós vacinamos 14% de toda a população imunizada no Brasil. Foram imunizadas ontem (terça-feira) cerca de 10 mil pessoas em todo o país, e nós imunizamos 1.397. Salvador foi a capital que mais vacinou”, afirmou.

Apesar da meta desta quarta-feira ser mais ambiciosa, o secretário acredita que será atingida e que essa primeira etapa da vacinação será concluída ainda essa semana. Ele também comentou sobre a possibilidade de alguém furar a fila.

“Nós temos tablets, criamos um vacinômetro, temos supervisores de equipe, e a vacinação tem que ser incluída on-line. Então, se no final do dia, ao fazer a contabilidade, eu não tiver o número de doses igual ao número de pessoas que está no meu sistema vamos apurar qual a equipe que fez o trabalho errado. Não posso dizer que é impossível, mas posso afirmar que é muito difícil consegui fraudar o nosso sistema”, disse.

Até às 12h, Salvador tinha 4.038 pessoas imunizadas contra a covid-19. Por enquanto, as vacinas estão sendo aplicadas apenas em profissionais de saúde que atuam na linha de frente do enfretamento ao novo coronavírus e em idosos que vivem em Instituições de Longa Permanência, como aconteceu nas Obras Sociais Irmã Dulce (Osid) e no Abrigo Dom Pedro II, na terça-feira.  

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