EUA e China assinam fase 1 de acordo para trégua em guerra comercial

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15.01.2020, 18:28:00
(Arquivo AFP)

EUA e China assinam fase 1 de acordo para trégua em guerra comercial

Americanos irão suavizar as tarifas dos últimos meses, mas manterão boa parte das sobretaxas

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Estados Unidos e China oficializaram nesta quarta-feira, 15, na Casa Branca, em Washington, a primeira fase de um acordo que coloca fim à guerra comercial que se arrastou por quase dois anos. Desde 2018, a disputa entre as duas potências gerou uma escalada de tarifas impostas pelos EUA a US$ 360 bilhões de produtos chineses e retaliações por parte de Pequim, com reflexos na economia mundial.

Para a chamada "fase 1" do acordo, os chineses concordaram em aumentar a compra de bens e serviços americanos - incluindo produção agrícola dos EUA, severamente afetada pela queda de braço entre os dois países - e em avançar na proteção de tecnologia, um pleito dos americanos.

Os EUA irão suavizar as tarifas impostas nos últimos meses, mas manter boa parte das sobretaxas, com a ameaça de uma punição extra caso a China descumpra o acordado.

No anúncio do acordo, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que as tarifas ainda em vigor são uma forma de manter as negociações para a chamada "fase 2" do acordo, mas disse que está pronto para retirar todas as sobretaxas assim que os dois países chegarem a um acordo final. "Francamente, a China e eu vamos começar a negociar (próxima fase) muito em breve", disse Trump.

Em dezembro, Pequim e Washington anunciaram que haviam chegado à primeira fase do acordo, oficializado nesta quarta.

Na ocasião, os EUA cancelaram uma nova leva de tarifas que entraria em vigor e anunciaram a redução de 15% para 7,5% da sobretaxa a US$ 110 bilhões imposta em setembro. Mas as tarifas de 25% impostas a US$ 250 bilhões de produtos chineses continuam em vigor. Em troca, os chineses prometem reformas estruturais e a compra de US$ 200 bilhões de bens e serviços dos EUA nos próximos dois anos.

Trump sela a trégua com os chineses a menos de 11 meses da disputa presidencial de 2020, que pode conduzi-lo a mais quatro anos na Casa Branca.

O setor rural, eleitorado importante do presidente, tem pressionado o governo por soluções sobre a disputa com os chineses.

Os agricultores do Meio-Oeste sofreram com a retaliação chinesa às tarifas impostas pelos EUA. O valor de produtos agrícolas exportados para a China caiu de US$ 19,5 bilhões em 2017 para US$ 9,2 bilhões em 2018. O Brasil tem substituído os EUA na exportação de soja para a China durante o período de guerra comercial.

O acordo desta quarta foi anunciado em cerimônia de mais de uma hora na Casa Branca para cerca de 200 convidados, com presença do vice-premiê chinês, Liu He, e da cúpula do governo Trump e da delegação chinesa.

Trump fez agradecimentos à sua equipe de negociadores envolvidos nas tratativas com a China - na qual incluiu o genro, Jared Kushner - e passou boa parte do seu discurso com comentários que extrapolavam o acordo, como agradecimentos aos executivos e integrantes do mercado financeiro presentes na cerimônia. Trump também fez críticas aos seus antecessores: "Nunca tivemos um acordo com eles, eles faziam o que queriam. Eu não culpo a China, eu culpo quem esteve aqui (na Casa Branca) antes."

O secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, disse nesta quarta-feira que parte dos dilemas envolvendo tecnologia e cibersegurança seria discutida no próximo capítulo do acordo.

"Eu acho que uma parte significativa das questões de tecnologia estão na fase 1. Há outras áreas de serviços que estarão na fase 2. Há questões adicionais de cibersegurança que estarão na fase 2", disse Mnuchin à rede de televisão CNBC.

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