Farm é criticada por ação de vendas após morte de grávida baleada no Rio

brasil
09.06.2021, 16:33:00
Atualizado: 09.06.2021, 16:36:50
(Reprodução)

Farm é criticada por ação de vendas após morte de grávida baleada no Rio

'Kathlen vai trabalhar mesmo depois de assassinada', diz comentário

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Kathlen Romeu, 24 anos, morta no Rio de Janeiro durante troca de tiros entre a polícia e suspeitos de tráfico, trabalhava em uma loja da Farm. Após a morte da jovem, que estava grávida de 4 meses, a marca divulgou o código de vendedora de Kathlen e afirmou que reverteria o valor da comissão de cada venda feita usando-o para a família dela. A Farm disse ainda que vai prestar suporte psicológico e emocional aos funcionários.

A ação da marca não foi bem vista nas redes sociais. A crítica é de que em meio à morte de Kathlen, a empresa está tentando vender produtos e faturar, já que só a comissão será revertida para a família da vítima, e não o valor das compras. "Vocês estão colocando uma funcionária preta pra trabalhar depois de morta. O ano é 2021", comentou um internauta no post da publicação no Instagram.

"A Farm não vai reverter o lucro de vendas com o cupom KATHLEN para a família da Kathlen. A Farm vai reverter somente a comissão das vendas. Comissão que os vendedores recebem pelo trabalho. A Farm está fazendo a Kathlen trabalhar para eles, mesmo depois de assassinada", diz um tuíte sobre o tema que viralizou. 

"Não, né? Não! Não é possível achar uma boa ideia querem promover novas vendas com essa tragédia", criticou a atriz Maria Bopp, a Blogueirinha do Fim do Mundo. "Isso é tão absurdo, tão ofensivo, tão desumano...", diz outra comentarista. Outros apontaram que a marca iria faturar com a morte. "Comissão? Isso só pode ser brincadeira. No final ainda lucra com a imagem da vítima".

No comunicado, a Farm pede justiça pela morte de Kathlen e diz que ela será homenageada. "Nosso time de VM e colegas de loja de Kathlen estão montando uma homenagem à ela, agora pela manhã, na fachada da nossa loja de Ipanema, onde Kath trabalhava", diz o texto. "Sabemos que nada que fizermos poderá trazer Kath de volta mas nos comprometemos a acelerar ainda mais nossos processos de inclusão e equidade racial para transformar as cruéis estatísticas que levam vidas jovens negras como a de Kath a cada 23 minutos no nosso país", continua. "As vidas de Kath e seu bebê importam. Vidas negras importam".
 

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