Farol a farol: veja roteiro que vai da Barra até Itapuã e Humaitá

salvador
29.03.2022, 19:00:00
Construídos para proteger navegadores, faróis se tornaram cartões postais de Salvador (Arisson Marinho )

Farol a farol: veja roteiro que vai da Barra até Itapuã e Humaitá

Criados para garantir navegação segura, agora fazem fazem alegria de quem está em terra firme

Para os navegantes que levavam cargas comerciais em direção à Bahia até o ano de 1698, a aproximação pela Baía-de-Todos-os-Santos era um desafio. Naufrágios eram recorrentes, mercadorias eram perdidas, e a situação causava grande prejuízo econômico para a Salvador do século XVII. Ao menos até o emprego de um farol no Forte Santo Antônio da Barra, que já protegia a região desde 1536. Hoje, o atual Farol da Barra está para o turismo como estava  antes para a economia.

Não somente ele, a mina de ouro dos guias turísticos, mas outros dois garantem proteção à costa e uma bela vista para os visitantes: o Farol de Itapuã e o de Humaitá, na Cidade Baixa. De acordo com o profissional Sérgio Manoel, é possível fazer a rota para conhecer os três cartões postais da cidade em um dia e ainda curtir o caminho entre eles. O perímetro tem cerca de 40 quilômetros (km) de extensão, no total.

“A melhor forma de fazer o percurso é de carro, mas é possível fazer de bicicleta. Saindo de Itapuã às 8h da manhã, por exemplo, e passando pelo da Barra, é possível chegar na Ponta do Humaitá pouco depois de 12h, isso se você não fizer muitas paradas”, afirma.

Se tiver disponibilidade para curtir o dia todo e puder terminar a tour no início da noite, alguns pontos são imperdíveis, de acordo com o profissional, que atua há 13 anos no ramo. “Se puder almoçar, escolha a região de Pedra Furada, que tem várias opções de bares e restaurantes, e já foi uma das mais badaladas da cidade. A vista do pôr-do-sol no Forte Nossa Senhora de Monte Serrat, por sua vez, é uma das mais bonitas da cidade”, aponta.

Com o tempo, o Monte Serrat quase virou sinônimo de Farol do Humaitá. Com a construção finalizada no final do século XVIII, há ainda, ao lado, a capela de Nossa Senhora de Monte Serrat e a praia de Boa Viagem, que valem a visita. O Farol também é o único que se localiza dentro da Baía-de-Todos-os-Santos, conforme reforça o arquiteto e urbanista Louti Bahia, também administrador da página Amo a História de Salvador, no Instagram.

“Diferente do que muitos pensam, o Farol da Barra não fica na Baía, mas na ponta da reentrância litorânea”, lembra.

O local permite, ainda, acesso ao Museu Náutico. Lá, é possível encontrar miniaturas dos navios que passaram pela costa, amostras de porcelanas encontradas nos navios naufragados, além de cartas náuticas portuguesas, utilizadas para enganar e despistar os demais europeus que tentassem fazer “visitinhas” ao nosso litoral. O acesso pode ser feito com apenas R$ 15, com possibilidade de meia-entrada.

Antes de partir para a próxima parada, não deixe de passar pelo Forte Santa Maria. O lugar abriga o Espaço Pierre Verger, Museu da Fotografia da Bahia. Se for em direção a Itapuã, é inevitável parar no Restaurante Barravento, ao menos para os amantes de frutos do mar, massas e risotos.

Já o Farol de Itapuã, que tem data de inauguração em 1873, não possui visitação aberta ao público, de acordo com a Marinha. Distante 23 km do Farol da Barra, dentro dele, entretanto, há um pequeno espaço, antigamente destinado à casa do faroleiro. “Eles eram profissionais responsáveis pelo farol, hoje uma profissão extinta. Mas o espaço que antes conectava o farol com a casa ainda está lá”, explica o historiador e guia turístico, Roberto Pessoa. Este, assim como os outros faróis, tinha função essencial para os navegantes, principalmente antes da invenção da eletricidade.

Nas proximidades, o Casa Di Vina é ideal para um almoço ou jantar bem servido, além de também se encaixar em uma tour cultural. A casa onde Vinicius de Moraes e Gessy Gesse moravam hoje serve de museu, mas já foi frequentada por artistas e é um berço de famosas canções do artista. A entrada é gratuita.
 

Serviço

Farol da Barra - Museu Náutico

Valor: R$15 , com meia-entrada para estudantes, professores, idosos; gratuidade para deficiente físico e seu acompanhante, militares, grupos de escolas públicas,  museólogo;

Visita média: 1h a 1h30m

Horário de funcionamento: Todos os dias, das 9 às 18h

Melhor horário para visita: Pela manhã o dia está mais fresco, e no final da tarde tem o espetáculo do pôr do sol. Vai do gosto do freguês.

Farol de Itapuã

Não permite visitação interna

Farol do Humaitá

Sem resposta da assessoria

Com edição de Donaldson Gomes

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