Feirense conquista espaço no mercado de cabelos e abre 150 pontos de franquia no país

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23.01.2022, 07:00:00
Em 2022, marca deve abrir 43 novas unidades do Atacadão do Cabelo (Foto: Divulgação)

Feirense conquista espaço no mercado de cabelos e abre 150 pontos de franquia no país

Roberta Casaes, do Atacadão do Cabelo, produz 1,6 milhão de apliques e perucas a base de fio 100% vegetal por ano

Um olho no close, outro no corre. Quem olha assim, nem imagina que a empresária feirense Roberta Casaes, de 24 anos, já vendeu de tudo nessa vida: doce na rua, chaveiro no sinal, revista Avon, boia, chapéu de praia e até peças para ferro-velho. Na verdade, ainda menina, ela se deu conta de que, ao invés de juntar as moedas para comprar pipoca na barraquinha da praça por R$ 1, ela poderia fazer sua própria pipoca comprando o pacote de milho pela metade do preço. Não deu outra. Virou concorrente competitiva (e a altura) do pipoqueiro.

“Daquele dia em diante o tio da barraca de pipoca perdeu uma cliente e ganhou uma mini concorrente de 8 anos. Comecei a fazer e vendia pela metade do preço. Todas as crianças corriam na minha direção e a pipoca era um verdadeiro sucesso. O pipoqueiro chegou a ir na minha casa falar com minha avó que eu estava atrapalhando o negócio dele”, lembra Roberta.

Sim, ela cresceu. E como cresceu. Hoje, a menina que vendia pipoca na pracinha e desafiou o pipoqueiro é dona da rede Atacadão do Cabelo (@atacadaodocabelofsa), marca especializada em apliques e perucas que deve faturar em 2022, cerca de R$ 100 milhões. Ao todo, já são 150 franquias pelo Brasil, que geram, aproximadamente, 700 empregos.  Em Feira de Santana – onde tudo começou – está uma loja matriz. Em Salvador, são três. Mas pela Bahia há unidades nos municípios de Santo Antônio de Jesus, Valença e Serrinha.

“Fui taxada de ‘louca’ quando comecei a contar a minha ideia as pessoas ao meu redor. Não tinha ninguém para deixar meus filhos e levava eles para trabalhar comigo e para fazer entregas quando era vendedora ambulante e entregava o nosso produto de porta em porta. Hoje estamos nos 26 estados brasileiros em três anos de marca”.

Roberta sempre gostou de todo dia ter um cabelo diferente. Mas como ter o cabelo que quisesse de forma prática e barata sem ter que gastar tanto com produtos e idas ao salão? “Foi aí que eu pensei: e se eu criasse um cabelo idêntico ao natural? Os fios naturais custavam caro, exatamente, porque existia demanda e pouca oferta. Afinal, um cabelo natural leva de 4 a 5 anos para crescer”.

Roberta Casaes apostou na criação de um produto exclusivo: o Cabelo Bio Humano
(Foto: Divulgação)

Bom, ela foi lá e fez. Depois de pesquisar bastante e fazer diversos testes que levassem até o aplique perfeito, Roberta criou o Cabelo Bio Humano, um produto 100% vegetal. Ao todo, a marca produz 1,6 milhão de peças por ano.

“É um produto inovador porque é o que mais se assemelha aos fios naturais e tem uma durabilidade maior. Não se degrada nem acaba e não é perecível, diferente dos fios naturais que perdem proteínas com o tempo. Além disso, ele custa 20 vezes menos, que o de um cabelo natural”, destaca.

No início de tudo, Roberta tinha apenas R$ 100 no bolso: “Primeiro, testamos e descobrimos a possibilidade de fabricarmos um cabelo muito fiel aos fios naturais. Depois, uma fábrica de cabelos sintéticos abraçou o projeto e passou a produzir o Cabelo Bio Humano. A nossa fabricação é 100% terceirizada em outro país e importada para o Brasil”. Um dos projetos para esse ano é migrar a fabricação cá. “Vamos gerar novos empregos, otimizar a logística e proporcionar mais estabilidade ao nosso negócio”, complementa a empresária. 

Piscou, mudou
No bonde dos apliques e laces, cantoras como Ludimillah e Anitta, por exemplo, estão aí para provar o tamanho do potencial desse mercado. “Entre os nossos clientes temos os influencers Thamy Araújo, Camila Quintela, Nanda Batista, Ney Lima.  Tive que criar um mercado para receber o nosso cabelo, gerando nos consumidores a necessidade do consumo do produto. O mercado é extremamente promissor”.

Os apliques custam de R$ 120 a R$ 400.  Além dos apliques e perucas, as lojas da marca comercializam cosméticos e acessórios e contam com um salão de beleza nas unidades. “O Cabelo Bio humano é um produto exclusivo, o que possibilita aos nossos franqueados e revendedores, uma alta margem de lucro e rotatividade. No final das contas, o cliente entra para comprar um aplique por R$ 120 e gasta R$ 700, em média. A melhor maneira de conquistar os consumidores desse ramo é vendendo beleza, inovação e praticidade”, comenta.

O 'boom' da marca veio com a pandemia, depois que o Atacadão aliou o e-commerce a uma boa estratégia de marketing de influência, como pontua Roberta. Para isso, foi decisivo estimular o auto cuidado e auto admiração dessas clientes, mesmo com a necessidade de ficar em casa. Os apliques instantâneos que as mulheres tiram e colocam quando quiser, são os itens com maior saída.  

“Continuamos em expansão e nesse momento estamos com uma fila de espera para novos franqueados. O valor de aquisição da marca custa R$ 110 mil e já temos mais de 43 unidades encaminhadas para o ano de 2022. Começar um sonho tão grande sem dinheiro foi a coisa mais desafiadora que fiz. O Atacadão do Cabelo é para todas as cabeças. Para todas as pessoas que querem se sentir diferentes”, completa.


AS DICAS DE ROBERTA

Acredite que é possível 
Confie nos seus sonhos e na sua intuição porque vai ter muita gente que vai dizer que não vai dar certo. 

Maximize os resultados
Busque sempre agregar produtos úteis ao seu consumidor.

Influencie
Uma boa estratégia de marketing é fundamental não só para tonar seu produto conhecido, mas sim um objeto de desejo para o seu cliente. 


QUEM É
Roberta Casaes é empresária e proprietária da Rede Atacadão do Cabelo. 

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