Filho de Tetê Espíndola, Dani Black é destaque da nova geração da MPB

Música
06.10.2015, 12:54:00
Atualizado: 06.10.2015, 13:03:52

Filho de Tetê Espíndola, Dani Black é destaque da nova geração da MPB

O padrinho, ninguém menos que Chico César, se tornou um mentor

O mito do dilúvio aparece em diversas culturas. Tem histórias sobre as inundações da Mesopotâmia; nos livros religiosos hindus Puranas; na mitologia grega em Deucalião; e no Gênesis, o mais conhecido entre os ocidentais. Em todas, a narrativa é sempre de uma grande inundação que, enviada por alguma divindade, destrói a civilização em preparação para o renascimento. 

Talvez tenha sido isso que aconteceu com o paulista Dani Black, 27 anos, em seu segundo disco. Quatro anos depois do primeiro, o homônimo de 2011 – além do EP Dani Black Ao Vivo de 2013 –, ele surge com as 11 faixas do álbum Dilúvio (LuzAzul). Produzido por Conrado Goys em parceria com o cantor, o projeto é completamente autoral. “Ficamos meses no estúdio nos adentrando nas mensagens das músicas”, conta.

(Foto: Paulo Bueno/ Divulgação)

A água é, talvez, o melhor elemento para analisar o disco. Porque ele consegue ser manso em músicas como Areia, Só Sorriso, Não Não Não e Ú. A força vai ganhando espaço, como em uma corredeira, em canções como Linha Tênue, Seu Gosto e Ganhar Dinheiro. E, por fim, tudo deságua em Maior, que é a faixa mais potente em melodia e poesia. “Em um espaço de dois anos eu compus muita coisa. Então decidi o disco que eu queria fazer e eu queria esse som furioso do dilúvio, mas ao mesmo tempo poético”, diz.

Bituca 
Maior é especial, não só pela composição em si, mas pela presença ilustre de Milton Nascimento. O convite de parceria se transformou em uma bela estada na casa de Bituca, como Milton é carinhosamente chamado. “Conversei com Bituca e ele me chamou para ir na casa dele. Acabei ficando uma semana morando lá. A gente ficou cantando todo dia e conversando sobre a vida”, lembra. 

A canção, que aborda a evolução do ser humano, foi a última a entrar no repertório. Coincidentemente, Maior é a que mais representa o dilúvio que Dani quis propor: ela é o fim que prepara um novo recomeço. “Essa foi uma das últimas músicas que fiz e resolvi colocar porque achei que seria o modo certo de fechar o disco. Porque assim, a gente não fecha totalmente, deixa em aberto, comemorando a evolução do homem”, esclarece. 

Nessa aventura, embarcaram nomes de destaque da música brasileira como Sidmar Vieira, Zé Godoy e o tecladista Renato Neto, que acompanhou por mais de dez anos o americano Prince. O clima das gravações seguiu nesse barco. “Eu e Conrado fizemos a pré-produção, entendendo o repertório do disco, qual a sonoridade que queríamos e depois chamamos os músicos que sabíamos que poderiam contribuir”, pondera. 

Berço 
Essa atmosfera é fruto também de um progresso como profissional. “Mudei muito do primeiro disco para esse. Como diz Maior, as cores mudam e as mudas crescem. Mas as músicas do primeiro álbum continuam fazendo muito sentido para mim”, fala. Para ele, a sua visão de mundo se transformou e o repertório de Dilúvio marca essa transição.

Filho dos vencedores do Festival dos Festivais, de 1985,  Tetê Espindola e Arnaldo Black - compositor, junto com Carlos Rennó da música Escrito nas Estrelas -, Dani cresceu em um ambiente musical. “Cresci rodeado de instrumentos e de músicos entrando e saindo de casa. Isso me ajudou a construir a minha musicalidade”, explica.

O padrinho, ninguém menos que Chico César, se tornou um mentor. “O Chico é muito importante para mim. Dentro de um raio de 15 anos ele passou de meu baby sitter, porque cuidava de mim e da minha irmã quando meus pais saíam, a ser um mestre da estrada, porque rodamos o Brasil fazendo um show juntos”, lembra.

Diverso 
Multiartista, Dani diz não ter preferência. “Mas sou primeiro compositor. O que acontece primeiro pra mim é a composição e dela vem a vontade de cantar”, conta. Isso não o impede de interpretar canções de outros artistas. “Minha obra é meu motor, mas eu canto músicas dos outros quando sinto que pode ser recomposta por mim”, aponta.

Fruto da mescla de gerações, ele se define como uma “mistura entre a MPB clássica e essa coisa pop e rock’n’roll”. E se mantém atento aos colegas contemporâneos. “Adoro o pessoal do 5 a Seco, Maria Gadú, Duda Brack, Filipe Catto, Tulipa, Jeneci, Tiago Iorc”, destaca. É dele, inclusive, alguns dos maiores hits de Gadú, como Aurora e Miragem.

A turnê já está circulando. “Passamos por Brasília, Belo Horizonte, Campinas e São Paulo”, conta. Salvador está nos planos. “Se Deus quiser”, garante. O disco completo está disponível no site do artista www.daniblack.com.br.


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