Fintechs e bancos digitais: saiba como contratar soluções financeiras para empreendedores

economia
12.07.2021, 06:00:00
Atualizado: 21.07.2021, 18:05:38
Bancos digitais e os serviços de fintechs ganham empreendedores pelas facilidades e desburocratização (Shutterstock/reprodução)

Fintechs e bancos digitais: saiba como contratar soluções financeiras para empreendedores

Serviços e produtos para os pequenos e microempreendedores

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Comercializando carros desde 2008, através da Ideal Multimarcas, o empresário André Soares Leonel descobriu, há apenas 40 dias, as vantagens e as soluções que as startups financeiras, também conhecidas como fintechs, são capazes de proporcionar. No caso específico da empresa, a opção foi pela maquininha de cartão da empresa em virtude  da taxa diferenciada. “Sempre prezei por entregar ao meu cliente a melhor taxa do mercado e com a PagueVeloz consigo repassar esse diferencial, tanto na venda via cartão de crédito, como também em financiamentos”, comemora.

Para ele, os principais atrativos estão nas taxas diferenciadas, que funcionam como um atrativo para o negócio, além do atendimento muito mais próximo. André é um dos muitos empresários que estão sendo contemplados com serviços e produtos das fintechs e dos chamados bancos digitais. 

Sócio de consultoria para serviços financeiros da KPMG, Fábio Licere diz que muito vem sendo construído para apoiar os micros, pequenos e médios negócios quando se trata do ecossistema de serviços financeiros local. Ele salienta que a agenda atual do Bacen e outros reguladores está muito voltada a democratização dos serviços financeiros e inclusão de públicos desassistidos, sejam eles pessoas física (PF) ou jurídica(PJ). 

Soluções

 “As soluções propostas por fintechs não possuem escopo de atuação limitado para PF ou para PJ, eles podem operar em ambas as frentes, a depender de seu objeto social. Quando observamos o ecossistema de startups, é fácil identificar operações para ambas as categorias, e são diversas operações olhando para nichos diferentes”, diz.

Para ele, merece destaque ainda a atuação do Banco Central para inclusão e flexibilização de novas entidades financeiras, trazendo modalidades que demandam menos capital regulatório, como é o caso das IPs, SCDs, SEPs, quando comparadas a instituições de maior porte como SCFI, Bancos comerciais, Bancos múltiplos e outros. 

“Quando observamos o ecossistema atual, é fácil identificar novos players provedores de operações de crédito, pagamento, investimentos entre outros”, completa, destacando que a ideia é que esse mercado se regule e que crie uma sustentabilidade onde as taxas imediatamente sejam impactadas em função do estímulo da competição. 

Concorrência ampliada

A analista do Sebrae Bahia, Adriana Pereira comemora o fato dos bancos digitais estarem ampliando suas ações para as pequenas e micro empresas, levando as instituições mais tradicionais a aperfeiçoarem seus serviços digitais e a realizar, inclusive, parcerias com algumas fintechs. “ As intermediadoras de pagamento também têm ampliado a oferta neste nicho de mercado, o que permite o aumento da concorrência e, portanto, melhores condições para as empresas. Isso envolve melhores taxas e também melhor dinâmica de atendimento ao cliente e recebimento dos recursos”, completa.

Adriana faz questão de lembrar que as opções cresceram muito nos últimos cinco anos e gerou uma competição benéfica para os empreendedores, o que resolve, em parte, a questão. “Por outro lado, o empresário deve buscar conhecer os critérios das operadoras para definir as taxas e saber o retrato dos tipos de venda que faz: volume de débito, crédito à vista e crédito parcelado, além e saber se costuma fazer a antecipação dos recebimentos, o que não é recomendável, a depender da taxa cobrada”, explica, destacando que o Sebrae tem disponibilizado conteúdo de orientação nos canais próprios.

“As taxas de operações com cartões variam conforme o volume de vendas da empresa e o prazo para recebimento do dinheiro. Assim, o empreendedor poderá pesquisar constantemente as melhores opções do mercado e tentar sempre negociar as melhores taxas com a operadora que já atua”, orienta. “Caso não consiga, é possível mudar. Lembre-se que a operadora é um fornecedor que deve ser sempre avaliado. O importante é não se acomodar”, completa.

Desburocratização

O CEO da PagueVeloz Paulo Gomes acredita que o grande ganho que essa desburocratização trouxe para o empreendedor é que ele passou a ter um fluxo de caixa mais dinâmico. “Ele não precisa mais esperar aquela compensação da TED para ter dinheiro em caixa. Pode gerenciar melhor as contas, movimentar saldos com rapidez e custo extremamente reduzido e ter um controle muito melhor”, defende. 

Para ele, em uma realidade como a nossa, onde a educação financeira ainda não é algo presente e comum nas escolas ou em casa, isso é essencial. “Mais do que oferecer serviços facilitados, esse processo de digitalização tem contribuído para que o empreendedor seja empoderado do ponto de vista financeiro, possa pagar menos taxas, escolher com mais tranquilidade o serviço que se encaixa melhor ao seu negócio e controlar suas finanças com mais transparência. Isso é fundamental, especialmente neste momento que vivemos”, complementa.

Fábio Licere  afirma que não existe algo resolutivo sendo tracionado como o corte da taxa, mas sim há um incentivo para o mercado olhar para o cliente sob a perspectiva de gestão do ciclo de vida e experiência, assim como interagir de uma outra maneira, com objetivo de incentivar novos empreendedores entrarem neste espaço e portanto criar um ecossistema mais competitivo e saudável para os clientes finais.

Adriana diz que o ideal é que os empreendedores pesquisem as opções através dos sites destas instituições e busquem obter propostas de acordo com as vendas do seu negócio, fazendo uma lista comparativa sobre os principais itens. “Normalmente, o acesso aos serviços, atualmente, é feito via sites ou centrais de relacionamento. O Sebrae tem um site que ajuda a simular as melhores opções de conta corrente e cartões: https://emconta.sebrae.com.br. É uma fonte de pesquisa, mas as condições deverão ser confirmadas com a operadora do cartão.”, finaliza.

O que o empreendedor deve levar em consideração na hora de contratar os serviços das fintechs?

  Adequação dos serviços às necessidades do negócio e valor cobrado, observando a relação custo-benefício

  Facilidade de uso das plataformas/aplicativos/meios de contato disponibilizados

  Regras de contrato de prestação de serviços – ler com atenção regras de reajuste de taxas, rompimento de contrato, multas, suporte disponibilizado

  Verificar histórico de reclamações que a empresa possa ter em sites especializados nestes serviços.

Importante lembrar que nem todas as fintechs têm registro no Banco Central, pois dependendo das operações que fazem, não é necessário. Mas os bancos digitais devem ter e podem ser consultados no site da instituição.


Fintechs x bancos tradicionais?

As principais vantagens costumam ser:

  menor custo por não manterem estruturas físicas e utilizarem a tecnologia para ofertarem os serviços

  a agilidade para abertura de cadastro e análise/liberação de crédito (normalmente tudo é feito via site/aplicativo, sem necessidade de entrega de documentos fisicamente)

  atualizações constantes para melhoria dos serviços, pois investem nas necessidades de clientes e em suas plataformas

  muitas atuam somente em um nicho (cobrança, cartões, antecipação e fornecedores), o que permite ter um atendimento diferenciado.
 

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