Forró do Jegue anima foliões na Ribeira

salvador
24.06.2019, 19:42:00
Atualizado: 24.06.2019, 19:43:29
(Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

Forró do Jegue anima foliões na Ribeira

Apesar do nome, a festa em mais um ano não pôde contar com o seu principal símbolo, o jegue

Quem não conseguiu viajar, ou preferiu curtir o São João em Salvador mesmo, encontrou no Forró do Jegue uma boa oportunidade de curtição na tarde desta segunda-feira (24), na Cidade Baixa. O bloco Levada do Jegue, que faz parte do evento, arrastou uma multidão de foliões atrás do trio elétrico, que conduzia músicos tocando o autêntico forró pé de serra durante o percurso entre o Largo da Madragoa até a Avenida Beira Mar, no fim de linha da Ribeira.

Apesar do nome, a festa em mais um ano não pôde contar com o seu principal símbolo, o jegue. Isso porque em 2018 o Ministério Público da Bahia (MP-BA) decidiu proibir a presença do equino no evento, alegando maus-tratos ao animal por conta do barulho.  

Mesmo organizado aos '45 minutos do segundo tempo', quase em cima da data do São João, o forró só foi realizado graças a parceria firmada pelos organizadores com a prefeitura de Salvador, que cedeu o trio elétrico para a festa, o Governo do Estado, que colocou a banda de forró para animar os foliões, e os comerciantes locais, que ajudaram com patrocínio para demais despesas. Ao todo, para o bloco Levada do Jegue fazer a alegria dos foliões, o custo foi de R$ 40 mil, segundo a organização.  

(Foto: Arisson Marinho/CORREIO)
(Foto: Arisson Marinho/CORREIO)
(Foto: Arisson Marinho/CORREIO)
(Foto: Arisson Marinho/CORREIO)
(Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

Depois de muita luta para enfim montar o evento, visto que há alguns dias a sua realização estava ameaçada, o organizador da festa, Moises Cafezeiro, 62 anos, comemorou. Segundo ele, este é o 35º forró organizado em sua gestão. Antes, a festa que já possui 60 anos, era conduzida pelo seu pai, o comerciante Miguel Cafezeiro, que passou a tradição para seu filho após seu falecimento.

“Com muita luta e resistência, nós conseguimos colocar o bloco na rua e fazer a nossa tradicional festa. Eu agradeço muito a todos os comerciantes da Ribeira que nos ajudaram e a prefeitura e ao governo do estado, que se conscientizaram e não deixaram a nossa tradição acabar. Sem eles a festa não aconteceria, porque o Forró do Jegue é a alegria do povo da Cidade Baixa”, contou.

O Forró do Jegue é uma festa para a família toda. Muitos casais acompanhados com seus filhos, idosos, cadeirantes puderam participar. Acompanhado da filha, o carreteiro e morador da Ribeira, Alexandre Borges, 46, curte a festa desde 2011. Emocionado, falou da importância do evento para o bairro: “O Forró do Jegue é uma festa para a família toda. Aqui eu tenho a possibilidade de trazer minha filha para brincar um pouco também. Eu já curto há oito anos, espero que isso nunca acabe. Essa tradição tem que durar por anos, é a alegria do nosso bairro no São João, todo mundo se diverte, é muita alegria. Todos os bairros merecem algo assim, mais investimentos nas festas populares, para quem não pode curtir em outra cidade”, disse o morador.

Nascida e criada na Ribeira e bastante animada com mais uma edição do Forró do Jegue, a gerente de Recursos Humanos, Virginia Magalhães, fez questão de participar do percurso completo por mais um ano. Ela contou um pouco sobre toda a sua experiência na festa. Segundo ela, o forró é tão bom que mexe com todo o povo da Cidade Baixa.

“Esse evento é tudo de bom, é uma tradição nossa e não pode e nem deve acabar. Faço questão de vir todos os anos com a minha mãe, meus filhos e netos. Aqui tem gente de todo o tipo, inclusive pessoas de outros lugares, isso é muito bom. Posso dizer que não só eu, mas toda a comunidade ama esse evento. O Moisés sempre se preocupou em trazer essa alegria para a Cidade Baixa, aqui nunca teve nada no São João antes dele e do pai”, contou Virginia.


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