Fundos de investimento: o básico que você precisa saber antes de aplicar

bahia
20.03.2021, 06:30:00
Com fundos, você se torna cotista e entrega a gestão a um especialista (Anna Nekrashevich / Pexels)

Fundos de investimento: o básico que você precisa saber antes de aplicar

Não tem tempo para acompanhar o mercado? Fundos são boa opção

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Se o seu objetivo é sair da poupança em 2021, mas não tem tempo e ainda está dando os primeiros passos no mercado financeiro, talvez seja uma boa ideia analisar as opções de fundos de investimento.

Os fundos trazem duas vantagens ao investidor iniciante: acesso ao maiores mercados de capitais do mundo a partir de um custo baixo e, sobretudo, praticidade.

Por que? Os fundos são como condomínios de investidores. A partir de um pequeno valor, você pode adquirir uma cota, que é uma participação do grande "condomínio".

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A soma dos valores aplicados pelos cotistas formam o fundo, que é entregue a um gestor: o profissional ou a empresa que vai traçar as melhores estratégias para fazer aquele dinheiro render.

O gestor pode aplicar o dinheiro em várias frentes, mas sempre obedecendo à natureza do fundo. Pode ser em ações em bolsas de valores de dentro ou de fora do Brasil, em títulos de renda fixa, em moeda estrangeira, em imóveis, entre outros.

Em troca, o investidor receberá uma parte do rendimento total do fundo, proporcional à quantidade de cotas que você adquiriu.

Em mais um capítulo do guia elaborado pelo CORREIO para investidores iniciantes, trazemos o básico que você precisa saber sobre fundos de investimento.


Prós e contras

A principal vantagem de aplicar em fundos de investimento, portanto, é a praticidade. Se você não tem tempo para acompanhar, todos os dias, as oscilações do mercado financeiro e do rendimento da sua carteira, pode entregar essa missão a profissionais com anos de experiência e que, de fato, vivem disso.

Outra vantagem é ter acesso a mercados como o de câmbio ou o de ações estrangeiras, mais distantes dos investidores individuais. Tudo isso a um valor mais baixo, já que você estaria contribuindo apenas com uma parte – o fundo é, na prática, uma espécie de 'vaquinha'.

O lado negativo, naturalmente, é o risco. As aplicações em fundos de investimentos não possuem a garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito). Isso é válido mesmo se a política do fundo for de aplicar em títulos de renda fixa, como CDB, que possuem essa segurança em caso de investidores individuais.

Além disso, o rendimento do fundo – e consequentemente do valor que você investiu – depende do seu gestor ser bem sucedido ou não em suas estratégias. Se ele fizer uma aposta errada e o fundo oscilar para baixo, todos os cotistas perderão dinheiro e ponto final.


Taxas cobradas

Poder terceirizar a gestão do seu dinheiro é algo prático. Mas como não há almoço de graça, os gestores cobram um preço. Existem duas taxas que são cobradas pelos fundos, uma geral e outra eventual: a taxa de administração e a taxa de performance.

A taxa de administração existe em todos os fundos. Trata-se de uma porcentagem que será retirada do valor investido, geralmente a cada ano – e que oscila entre menos de 1% a até 3% em alguns casos – e que não depende do fundo ter tido bom rendimento ou não.

Por exemplo: digamos que você aplicou R$ 1 mil num fundo com taxa de administração de 1% ao ano. Se nesse período o gestor ter feito escolhas erradas e o valor investido ter oscilado para R$ 800, ainda assim ele te cobrará R$ 8.

A taxa de performance só existe em alguns fundos, e mesmo assim só é cobrada quando o rendimento é maior do que um determinado índice. Geralmente, são utilizados o CDI (taxa de juros cobrada entre os bancos) e o Ibovespa.

Por exemplo: digamos que você aplicou num fundo que cobra 20% de performance do rendimento acima do CDI. Se, ao fim de um ano, o valor que você investiu tiver rendido R$ 1 mil acima do CDI – que em 2020 ficou em 2,75% - o gestor cobrará 20% desses R$ 1 mil.

Se a priori a taxa de performance parece uma desvantagem, ela pode servir como incentivo aos gestores para que busquem rendimentos muito acima de índices como o Ibovespa – que é o índice de referência da Bolsa de Valores brasileira.


O que olhar?

Ao abrir o aplicativo ou site da sua corretora favorita, você certamente encontrará uma lista enorme de fundos de investimento. Antes mesmo de depositar qualquer valor, é preciso analisar com cuidado algumas informações básicas.

Lâmina de investimentos:

Trata-se de um relatório que todos os fundos precisam enviar para qualquer interessado. Nesse documento, é possível conhecer a política completa do fundo e seu histórico.

Na lâmina, você conhece a empresa que administra o fundo, onde ela está baseada, qual o seu histórico no mercado financeiro, qual o público-alvo daquele produto, entre outras informações.

Também é possível checar a política do fundo, se ele é voltado para aplicações em renda fixa, em ações, em moedas etc. E, sobretudo, qual é a estratégia dos gestores: se eles se arriscam mais ou buscam investimentos mais sólidos.

Histórico de performance:

O mantra do mercado financeiro, mesmo para quem está iniciando, deve ser “o rendimento passado não significa garantia de rendimento futuro”.

Ou seja, se o fundo ou a ação foi muito bem nos últimos 12 meses, não quer dizer que no próximo ano ela terá o mesmo desempenho. Pode ter sido, simplesmente, sorte.

Porém, ainda assim é importante checar o histórico de performance do fundo que você tem interesse. Observe em diferentes períodos de tempo – nos aplicativos e sites é possível fazer o recorte até em dois ou cinco anos anteriores.

Analise o desempenho daquele fundo em momentos de oscilações macroeconômicas, como no início da pandemia da covid-19, em março de 2020, por exemplo.

Não se encante com rendimentos estratosféricos em curtos períodos de tempo, como de um ano. Em muitos casos, um fundo mais equilibrado, que oscila pouco mesmo em períodos de crise, pode ser mais vantajoso do que um que rendeu enormidades de dinheiro em 12 meses.

Prazo de cotização:

É o tempo que o gestor pede ao investidor para realizar o cálculo – ou cotizar – a participação dele no fundo e, por consequência, quanto ele receberá ao solicitar um resgate.

Geralmente, esse prazo aparece como uma sigla do tipo “D+1” ou “D+30”. Isso significa a quantidade de dias corridos que o gestor precisa.

Por exemplo: digamos que você precisa de dinheiro e solicitou hoje o resgate. No caso de um fundo com prazo “D+20”, o gestor vai calcular o valor do seu resgate após 20 dias corridos.

Ou seja, o seu dinheiro ainda pode valorizar ou desvalorizar ao longo desses 20 dias, e só no último é que será calculado, de fato, o quanto você receberá de volta.

Prazo de liquidez:

É o período que o gestor pede ao cliente para devolver, de fato, o dinheiro na conta. Ele começa a contar a partir do fim do prazo de cotização.

Digamos que, no caso do exemplo anterior, o prazo de liquidez seja de D+10. Além dos 20 dias para cotização do valor, o cliente vai precisar esperar mais 10 dias corridos para receber o valor final, já cotizado, em sua conta bancária.

Obviamente, fundos que possuem prazo de cotização e prazo de liquidez menores são mais vantajosos. Alguns possuem ambos D+1, ou seja, tanto o cálculo do valor do resgate como o depósito na conta do cliente são feitos no dia seguinte à solicitação.

Aplicação inicial:

Talvez a mais óbvia das informações, trata-se do valor mínimo que o interessado deve aplicar para fazer parte daquele fundo.

Fundos com aplicações iniciais mais altas tendem a ser fundos com operações mais arrojadas. Hoje em dia, é possível ser cotista a partir de valores muito baixos, a partir de R$ 100.

A depender do valor investido, você vai adquirir uma determinada quantidade de cotas daquele fundo. Por exemplo: se você investir R$ 5 mil e, naquele dia, cada cota estiver avaliada em R$ 100, você vai adquirir 50 cotas.


Tipos de fundos

Os fundos de investimento precisam declarar ao cliente qual a sua estratégia básica. Com isso, existem vários tipos de fundo – o que renderia um capítulo por si só deste guia.

Por exemplo, fundos de renda fixa aplicam majoritariamente em títulos de renda fixa como CDBs e Tesouro Direto. O objetivo é manter o rendimento acima da média dos ativos dessa natureza que poderiam ser comprados individualmente.

Existem ainda fundos de ações, que compram e vendem ações de diferentes empresas na bolsa; fundos de moedas, que se valorizam ou desvalorizam de acordo com a oscilação do dólar ou do real; fundos de multimercados, que operam desde renda fixa até commodities como ouro.

Saber em que tipo de fundo você está investindo é essencial. É preciso adequar essa estratégia ao perfil do investidor, se aceita correr riscos ou é mais conservador.

E a depender dessa estratégia existe um tipo de rendimento esperado, um tipo de cobrança de taxas e até mesmo de pagamento do Imposto de Renda.

Por isso, os diferentes tipos de fundos de investimento e as suas características serão o assunto do próximo capítulo de guia de investimentos do CORREIO.

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