Governador do ES classifica paralisação de policiais militares de chantagem

brasil
08.02.2017, 11:27:00
Atualizado: 08.02.2017, 11:53:52

Governador do ES classifica paralisação de policiais militares de chantagem

Governador do ES classifica paralisação de policiais militares de chantagem

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O governador licenciado do Espírito Santo, Paulo Hartung, disse hoje (8/2) que o governo está sendo chantageado pelos policiais militares que estão sem patrulhar as ruas das cidades do estado desde sexta-feira (3) o que tem causado uma grave crise na segurança pública.

“É um caminho errado, que rasga a Constituição do país. O que está acontecendo no Espírito Santo é chantagem aberta. Isso é a mesma coisa que sequestrar a liberdade e o direito do cidadão capixaba e cobrar resgate. Não pode pagar resgate nem pelo aspecto ético nem pelo descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal”, disse Hartung à imprensa, na residência oficial do governo, em Vitória.

Ele está licenciado do cargo por causa de uma cirurgia, feita na última sexta-feira (3), para retirada de um tumor na bexiga. Por recomendação médica, ele continua em repouso e só deve reassumir o cargo na semana que vem. César Colnago continua como governador em exercício.

Hartung fez um apelo para que os policiais militares voltem ao trabalho imediatamente. “Eu me dirijo aos homens e mulheres da Polícia Militar sérios e de bem, que pertencem a uma instituição mais que secular no estado que está sendo manchada por atitudes grotescas. Respeitem a sua instituição, o estado do Espírito Santo, o cidadão capixaba. Quem paga essa conta é o cidadão capixaba, quem está mantendo o salário dos profissionais de segurança em dia é o cidadão capixaba.”

O governador em exercício, César Colnago, informou que vai pedir o envio de mais agentes da Força Nacional e militares das Forças Armadas ao governo federal para se juntar aos 1,2 mil homens que já estão patrulhando a região metropolitana de Vitória.

Segundo Colnago, o governo está apostando no diálogo com os policiais militares e seus parentes e está aberto a novas reuniões. Ele também afirmou que há um movimento articulado para desorganizar a segurança pública do estado, mas não quis mencionar quem são os “atores políticos” que estariam interferindo nas negociações.

Protestos

As manifestações no Espírito Santo começaram na sexta-feira (3), quando parentes de policiais militares, principalmente mulheres, se reuniram em frente à 6ª Companhia, no bairro de Feu Rosa, no município de Serra, na Grande Vitória, e bloquearam a saída de viaturas. Eles reivindicam reajuste salarial para os policiais militares e o pagamento de auxílio-alimentação, periculosidade, insalubridade e adicional noturno.

Os protestos se estenderam para outros batalhões durante o fim de semana e, segundo a Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar do Estado do Espírito Santo, atingem todos os quartéis do estado.

Homicídios

A Secretaria de Estado de Segurança Pública ainda não tem o balanço das ocorrências no Espírito Santo desde que o início das manifestações em frente aos batalhões de polícia. 

O presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol), Jorge Emílio Leal, informou que foram registrados 85 homicídios desde sábado (4) até a manhã de hoje no estado, a maior parte na Grande Vitória.

“Há uma explosão dos índices de criminalidade, tanto patrimonial quanto o de homicídios. No sábado, foram oito homicídios; no domingo, foram 16, na segunda-feira, 42, e o restante de terça-feira para cá. A média diária do mês de janeiro foi 3, 4 homicídios. No início de fevereiro, foram registrados dois homicídios. Do fim de semana para cá houve essa explosão, reflexo da ausência de policiamento”, afirmou o presidente do Sindipol.

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