Grana extra: 15 empresas de venda direta para ganhar em média R$ 3 mil por mês

coronavírus
20.05.2021, 05:45:00
(Foto: Shutterstock)

Grana extra: 15 empresas de venda direta para ganhar em média R$ 3 mil por mês

Revendas ou programas de afiliados podem dar lucro de até 100%, a depender da marca

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Aquela venda de porta em porta não é mais igual a antes, mas continua como uma alternativa de ganho extra, sobretudo, na crise. Os catálogos se digitalizaram, cada um pode montar sua própria lojinha virtual. As vendas acontecem até mesmo via redes sociais como o Whastapp. Mesmo que esse revendedor não precise entrar mais na sua casa, com certeza, algum cliente já recebeu uma mensagem com uma boa oferta ou promoção hoje. E já passam de 230 mil o número de pessoas que trabalham com venda direta na Bahia. Esse valor representa um crescimento de 5,8% no último ano, comparado ao ano anterior, conforme o levantamento da Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD) — entidade que representa empresas do setor como Natura, Avon, Herbalife, Mary Kay, Tupperware, por exemplo.

A crise econômica passou distante do setor, que viu o crescimento das vendas pelo e-commerce como aliado para levantar ainda mais esses números. Segundo a associação, a remuneração média da maioria das pessoas que trabalham com venda direta (51%) é de até R $3.135. Em 31% dos casos, a atividade é a principal renda do orçamento familiar. O desemprego, é outro fator que contribuiu para o aumento de vendedores, diante da necessidade desse incremento na renda.

Isto porque, a Bahia atingiu o triste recorde para o período na série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), desenvolvida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No trimestre encerrado em janeiro, a taxa chegava aos 20%. No total, são 1,272 milhão de desempregados no estado.

“A venda direta se tornou Social Selling - ou seja, a compra por indicação e relacionamento – o que se tornou uma oportunidade para empreender ou complementar renda, especialmente nesse período financeiro complicado. Inclusive, a digitalização foi um dos grandes focos de investimento do setor durante a pandemia e tornou-se uma grande ferramenta para que esses representantes possam continuar vendendo e gerando renda mesmo durante o isolamento”, destaca a presidente da associação, Adriana Colloca.

O mesmo levantamento aponta que 52% dos empreendedores revendem produtos do mercado de cosméticos e cuidados pessoais e 22%, roupas e acessórios. Mais da metade dos vendedores são mulheres (58%) e 42%, homens. Com relação aos canais de venda, 53,3% preferem os meios digitais para aumentar seus ganhos e utilizam a internet, Whatsapp e redes sociais para fazer as vendas. Só 18,3% mantem o esquema de venda presencial na residência ou trabalho do cliente.    

É o caso de Caren Dallarosa que trabalha com vendas  na Magalu, Natura,Clube Santuu (seguros de bikes). Todos de forma online. Durante a pandemia, ela conta que conseguiu vender R$ 17 mil no e-commerce da Magalu, em apenas um mês.

“Comecei em agosto do ano passado. Utilizo Instagram e lista de transmissão no Whatsapp. Meu foco são pessoas conhecidas ou grupos afins em redes sociais para divulgação. Vendo muito itens para casa, como eletrodomésticos, eletroeletrônicos e televisores”.

Há quase três anos, Eliziane Caldas, também buscou uma oportunidade de ganho com as vendas diretas quando se tornou consultora de beleza da Natura. Antes da pandemia, ela tirava R$ 2 mil por mês. Atualmente, essa renda dobrou e, a depender do mês ela chega a tirar R$ 5 mil. Nove em cada dez vendas que ela faz são através de redes sociais.

“Eu tive ganhos que não imaginava. As pessoas que não compravam de maneira digital, passaram a comprar. Hoje, 90% das minhas vendas são por meios digitais. Como tenho um canal no Youtube, eu resolvi vender e era uma forma de adquirir os produtos com um desconto e fazer resenha. Quando comecei a ter esse espaço, decidi agregar e comecei a divulgar meu link da Natura e disponibilizar cupons de desconto. Fui ter sucesso nas vendas a partir disso. Em seguida, parti para o Instagram”, diz.

Já  a consultora Fernanda Figueiredo, migrou do físico para o online, onde faz venda direta de pacotes de viagens na  Agência Escolhi Turismo. Ela faz vendas ainda, em uma plataforma de cursos online.  “Trabalhava em uma loja física. Um pouco antes da pandemia eu resolvi fazer carreira solo. As pessoas que fecham comigo são trazidas para o Whatsapp. E é tudo por via digital, até mesmo a assinatura do contrato. Como gosto de trabalhar com consultoria, acabo utilizando muito as plataformas de reunião Meet, Google para vender os pacotes e me aproximar mais do cliente durante o atendimento online. Quem trabalha com vendas, vende qualquer coisa”.

Cenário favorável
O setor não tem mesmo do que reclamar: no ano passado foram comercializados bilhões de itens (produtos e serviços) por venda direta no Brasil, que geraram um volume de negócios cerca de R$ 50 bilhões, ou seja, 10,5% maior que 2019. Empresas como a Natura registraram um aumento de 63% nas vendas por plataformas digitais na Bahia, no período da pandemia.  No final de 2020, a marca de cosméticos chegou a quase 1,1 milhão de lojas online de consultores Natura - 49% a mais do que no ano anterior - com um aumento significativo no número de pedidos (mais de 40%) e de visitas (acima de 50%) no mesmo período.

“Nesse processo de venda direta, o nosso maior desafio foi a digitalização. As mídias digitais amplificam a relação da consultora com os consumidores. E percebemos esse movimento. A Natura já vinha fazendo o movimento de construção do digital, mas a pandemia exigiu que a gente acelerasse o processo. Criamos uma série de ferramentas, uma revista digital, mais eventos e treinamentos online”, ressalta o diretor de vendas regional da Natura, Ithamar Guerra.

A consultora  ou consultor pode personalizar a postagem, ou mandar uma promoção personalizada. “É uma forma direta de empreender, uma venda simples, que gera uma renda rápida. A gente lançou algumas ferramentas, e a principal delas é a revista interativa, em que a consumidora escolhe e o produto já vai para uma sacola. Isso facilitou muito, já que, até então, a venda direta era muito baseada na revista impressa. Com isso, decidimos igualar a comissão do digital e do presencial”, complementa.

Como começar?
Outros segmentos também estão se rendendo ao recrutamento de vendedores diretos ou consultores de e-commerce. Listamos, pelo menos, 15 opções de empresas que cadastram vendedores e afiliados online com lucros e comissões variam de  5,92% a 100%, a depender da marca e da loja (confira abaixo).    

Tiago Santa Bárbara é consultor vendas da Natura há seis anos. Antes a venda porta em porta respondia pela maior parte das vendas. Atualmente, o faturamento de Tiago cresceu em 80% com as vendas via Whatsapp. “Eu conseguia tirar, em média, por volta de dois salários mínimos. Hoje, esse valor é dobrado. Para ser sincero, eu não trocaria isso por um trabalho tradicional, só quero crescer. Antes de começar a vender eu ouvia histórias de pessoas que falavam que pagava faculdade, comprava casa com venda direta. Eu não acreditava e hoje eu vejo que é verdade”. 

Leia também: cinco formas de ganhar um dinheiro extra na quarentena

Para quem quer buscar apostar nessa alternativa de renda, o consultor e especialista em Empreendedorismo, Marcos Suel, destaca a importância de fazer um bom planejamento:

“Quanto mais vendas positivas, maior o lucro. No entanto, é necessário ter um plano de negócios. Ou seja, pensar as ações de marketing, definir quem é o público alvo que eu quero atingir e atender. Essa marca é interessante? Qual a sua presença mercado?”, aconselha.

Observar, assim, as necessidades, preferências, interesses desse cliente e, principalmente dominar as estratégias de digitalização de vendas diretas. “Entender a plataforma, como vai controlar o estoque e de gestão financeira também. O planejamento é essencial para ter sucesso nesse cenário”, completa Suel. 

Venda direta através das mídias digitais impulsiona pequenos negócios

Pequenos empreendedores também estão apostando nas redes sociais para incrementarem suas vendas na pandemia. Whatsapp, Reels e IGTV do Instagram, grupos de Facebook. Tudo vira canal principal de venda. Negócios como a Loja 071 Sex Shop, não perderam tempo em pensar estratégias e gerar conteúdo para atrair esses clientes que circulam nas mídias digitais.

“Começamos a vender para amigos, mas quando melhoramos nosso Instagram, nossa loja virtual, conseguimos clientela.  A gente fala sobre pautas como machismo, tira as dúvidas e isso tem feito crescer o número de clientes. Em quase um ano, conseguimos aumentar as nossas vendas em 80%”, afirma um dos sócios da 071, João Monteiro, que abriu a loja ano passado, junto com a namorada Paula Valente.

No Ateliê Bolo Bom, as vendas ganharam um reforço com as redes sociais, como pontua a proprietária da marca, Arlene Oliveira. O forte é o delivery. “A pandemia foi terrível para todo mundo e não podia ficar de braços cruzados, então, essa foi a forma que achei de divulgar o que eu fazia. Uma professora minha, me deu a ideia de colocar a foto dos bolos no status do Whatsapp e assim começou, parentes foram olhando, gostando e fui conquistando mais clientes. Hoje, eu não penso em ter uma loja física, mas em modernizar o meu negócio, mas mantendo a operação virtual”.

Já na loja de acessórios personalizados Alagbedé, a procura cresceu 80% depois das redes sociais. “Vendemos em torno de R$ 5 mil a R$ 6 mil por mês. As nossas joias são de cunho religioso, de religiões de matriz africana. Temos um público bem específico. Mas conseguimos sim, perceber um crescimento especialmente do público masculino”, ressalta a atendente da loja, Evelin Oliveira.  

Quanto mais stories, maior o alcance. É o que destaca a empreendedora e proprietária da marca Aribrigs, Arielle Reis. Ela é mais uma que reforça o ganho dos pequenos negócios com o fortalecimento das suas redes sociais.  “Faço enquetes para instigar a curiosidade e divulgar novos produtos. Com a pandemia, como tudo parou, passei a focar 100% nisso. E com as redes sociais meu público se ampliou bastante”.

CONFIRA 15  LOJAS COM VENDA DIRETA OU PROGRAMAS DE AFILIADOS NO E-COMMERCE

1.Avon 
O lucro pode chegara a 38%. www.avon.com.br/institucional/seja-uma-revendedora

2. Eudora
A margem de ganho é de até 40%. Ou seja, a cada R$ 100 vendidos, a revendedora pode tirar R$ 40.  cadastro.eudora.com.br 

3. Tupperware 
A marca promete lucros de até 100% nas vendas. www.distribuicaotupperware.com.br/

4. Natura
As consultoras contam com um plano de crescimento de até cinco níveis com lucros que de até 35%.  accounts.natura.com/queroserconsultora/

5. Mahogany 
As revendedoras podem adquirir os produtos da marca com 30% de desconto e revender pelo preço que desejar.  mahogany.com.br/mahogany-em-casa/seja-uma-revendedora 

6. DeMillus
O lucro na Demillus é de 30% em cima dos pedidos.  demillus.vestemuitomelhor.com.br/seja-revendedor/

7. Jequiti
Os lucros variam de 30% a 100%, a depender do produto vendido. institucional.jequiti.com.br/seja-uma-consultora

8. Mary Kay
Antes de começar a vender é necessário ser indicada por uma consultora da marca. Na página da Mary Kay na internet, não constam informações sobre a margem de lucro. www.marykay.com.br/pt-br/be-a-beauty-consultant

9. Magalu
Com o  Parceiro Magalu é possível criar uma loja no e-commerce e divulgar as ofertas para os seus contatos. A partir daí, a loja paga uma comissão por cada uma dessas vendas. https://www.magazinevoce.com.br/

10. Renner
O programa de afiliados também paga comissões na divulgação de produtos da loja. O percentual é de 5,92%.  www.lomadee.com/anunciante/lojasrenner 

11. O Boticário
O padrão de lucro é de 15%. Mas as ações e promoções podem fazer os lucros chegaram a mais de 30%. revenda.boticario.com.br/

12. Reserva
A marca de roupa masculinas desenvolveu a plataforma Reserva Ink, que permite a criação da sua própria loja online. O empreendedor cria, divulga e a Reserva faz a produção, cuida da logística, estoque e entrega para o cliente final. A assinatura mensal custa R$ 99. https://www.reserva.ink/

13. Cacau Show
A margem de lucro mínima é de 15%. incentivo.cacaushow.com.br/ 

14. Polishop
As comissões variam de 15% a 50%. www.polishop.vc/seja-um-empreendedor/porque

15. C&A
O empreendedor pode abrir sua loja online para vender produtos da marca e ganhar uma porcentagem em cima dessas vendas. A comissão máxima é 8,88%. minha.cea.com.br

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