Heróis da resistência: indiferentes à reabertura, eles escolheram seguir em isolamento total

coronavírus
26.07.2020, 05:30:00
Atualizado: 27.07.2020, 21:50:48
(Ilustração: Quintino Brito/ CORREIO)

Heróis da resistência: indiferentes à reabertura, eles escolheram seguir em isolamento total

Oito em cada dez pessoas seguem favoráveis ao isolamento social para conter a pandemia

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“Fico em casa pelo tempo que for necessário, até que a contaminação não seja mais um risco, até que a vacina chegue aos postos de saúde, até que eu queira”, garante a cozinheira livre do Pitéu Cozinha Afetiva, Kátia Najara, que assume a resistência em sair da quarentena, mesmo com a reabertura das atividades comerciais, recém-liberadas ontem (24), pela Prefeitura de Salvador.

Kátia está entre aqueles que podem e vão permanecer em casa, com a intenção de colaborar para a diminuição do fluxo de pessoas nas ruas e, consequentemente, a propagação do contágio pelo novo coronavírus.

Para oito entre cada dez brasileiros (84%), o isolamento social ainda é uma medida eficiente no combate a covid-19, segundo a pesquisa mais recente divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). 

A entrevista feita com 2.009 consumidores, entre os dias 10 e 13 de julho, mostra o quanto a população está dividida: 49% aprovam e 47% desaprovam o retorno do comércio em sua cidade.

O mesmo cenário se repete em um levantamento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), realizado no mês passado. A amostra contou com a participação de mil pessoas. A presença forte de quem estava disposto a se manter em casa depois da flexibilização, já aparecia nos resultados quando o protocolo de retorno de Salvador nem havia sido anunciado pelo poder público. 

Quase metade afirmava que diminuiria sua frequência nos centros de compras (45%) e também em bares e restaurantes (46%). Ambos os estudos ouviram a população baiana para chegar a estes números.

Neste primeiro momento foram reabertos, na capital, shoppings, lojas de até 200 metros quadrados e igrejas, fechados por decreto municipal, que estava em vigor desde o dia 21 de março.

A decisão só foi tomada pelo prefeito ACM Neto cinco dias após a taxa de ocupação nos leitos de UTI, designados aos pacientes de covid-19, ficar abaixo de 75%. A segunda e terceira fases de reabertura dependem de uma diminuição ainda maior desse percentual: 70% e 60%, respectivamente, depois de um intervalo de 14 dias, contados a partir desta sexta-feira(24). O último boletim divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde aponta, atualmente, uma ocupação de 71%.

Mas, por enquanto, não tem refresco para os resistentes que permanecem em isolamento social. São pessoas como a enfermeira e professora universitária Thais Calasans, que argumenta que a pandemia não acabou. 

“Leio muito, vou atrás de evidência científica, acompanho e confio nos estudos científicos. Isso me direciona. Precisamos ser solidários com aqueles que  precisam sair. Isso é cuidado, é respeito”. Afinal, há pessoas que não têm escolhas.

Proteção social
Muita coisa mudou, principalmente com relação à mobilidade das pessoas, segundo o arquiteto, crítico e professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), Guilherme Wisnik.

Por isso é tão necessário promover agora, o que Wisnik chama de “proteção social”. “É muito importante que a resiliência no futuro desenvolva uma consciência sobre os valores que a gente entende como positivos em relação à vida coletiva e na cidade”, pontua.

A advogada Juliana Maia entende que as atividades econômicas precisam voltar, porém, a compra do supermercado vai se manter via delivery por mais algum tempo. “Deixei de ir até o supermercado, só compro as coisas online. Tudo que puder evitar minha saída, eu estou fazendo”.

O shopping sempre foi uma das principais opções de lazer para a pedagoga Dayane Paiva já que ela não costuma sair muito à noite. Porém, rever as vitrines e passear pelos corredores vai ficar para depois. “Não vou. Aprendi a viver em menor velocidade, a conhecer e curtir cada cantinho da minha casa e estar mais próxima da minha família. Se posso continuar em casa, prefiro manter essa atitude necessária e prudente”, reforça.

Novos sentidos
Permanecer em casa transformou ainda o sentido das coisas, como destaca o psicólogo, psicoterapeuta e diretor da Clínica Numen Psicologia, Danilo Cruz.

“Foi uma vasta oportunidade de questionamento com relação aos padrões de consumo, à valorização da presença e do contato nas relações pessoais, e à ampliação das possibilidades de trabalho. Paradoxalmente, a escassez da mobilidade nos moveu. Buscamos outros sentidos”.

O personal Aloísio Moraes tem se questionado se realmente vale a pena furar a quarentena agora, mesmo que seja para rever a namorada. “Sabe há quanto tempo não dou um abraço? Digo à minha namorada que, quando tudo isso acabar, ela irá receber todos os abraços e beijos atrasados com juros. Meu pai é do grupo de risco. Só uma emergência vai me tirar de casa”.

Intenção positiva
A escolha por manter posturas que foram adotadas desde o início da pandemia se estendeu às empresas. Algumas optaram por aumentar a permanência em home office, manter os canais de venda digitais ativos e os drives de entrega, o que demonstra um movimento de marcas com intenção positiva, não só para o cliente, mas a sociedade como um todo.

Na unidade da Veracel Celulose, instalada no município de Eunápolis (BA), o tempo de permanência no home office foi estendido para o mês de setembro. A medida vale para 100% da equipe administrativa, migrada para a modalidade desde março. 

A empresa montou, inclusive, um kit para os funcionários com teclado, apoio de pé, cadeira, mouse e fone de ouvido, entregues na casa de cada colaborador.

“Existe uma quebra de paradigmas também no olhar mais humano para além do negócio e da cadeia produtiva”, pontua a gerente de Desenvolvimento Humano e Organizacional da Veracel Celulose, Dienane Brandão.

E os resistentes estão provocando outras revoluções. Para o presidente do Locomotiva Instituto de Pesquisa, Renato Meirelles, existe uma clara demonstração de que os consumidores estão mais próximos das empresas atentas à pandemia. 

“Os brasileiros estão mais exigentes e cobrando ações de marcas, se as empresas estão se posicionando, auxiliando os funcionários e oferecendo equipamentos e condições para que trabalhem com qualidade e segurança”, pontua. 

Leia também: Os desafios das empresas para o retorno

Mudança de hábitos
Os estabelecimentos reabertos podem fechar, caso a taxa de ocupação dos leitos de UTI exclusivos para atender pacientes com a covid-19 volte a subir e alcancem o patamar de 80%. O médico infectologista, diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia da Bahia, Antônio Carlos Bandeira, alerta que a decisão de permanência no isolamento também requer cuidados.

“O vírus não anda nem bate na porta. Logo, se você abrir sua casa para um filho, um amigo ou um neto que não estão tendo os devidos cuidados, haverá contaminação”.

Seja para quem vai ficar em casa ou precisa sair, a atitude necessária é a disciplina. “As pessoas têm que aprender a lidar com a pandemia, através da mudança dos seus hábitos”, completa.


VEJA O QUE DIZEM OS RESISTENTES

Ato solidário com aqueles que precisam sair

Leio muito, vou atrás de evidência científica, acompanho e confio nestes estudos. Isso me direciona. A pandemia não acabou. Existe o receio de que venha a segunda onda de contaminação. Tenho família na Europa e observei o início de tudo. Especificamente na Itália, vi o quanto foi negativa a demora em estimular o “fique em casa”.

'Todos que puderem, inclusive os empregadores, devem manter o isolamento', afirma Thais Calasans
(Foto: Acervo pessoal)

Sei que, no momento, estamos diminuindo os casos, mas quando a população voltar a sair, se sentindo segura, penso que podemos ter várias novas ocorrências. Todos que puderem, inclusive os empregadores, devem manter o isolamento.

Não é uma “gripezinha”. Precisamos ser solidários com aqueles que não podem, que precisam sair. Isso é cuidado, é respeito. Tive diversos casos próximos.

Alguns assintomáticos, outros mais graves e até um óbito. Assim, me manterei em quarentena, enquanto for possível, até a vacina chegar. E isso, independente de qualquer instância governamental. (Thais Calasans, 52 anos, enfermeira e professora universitária)

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No ‘casulo’, pelo tempo que for necessário

O susto de achar que um familiar havia contraído a covid reforçou o meu efeito casulo. Pretendo ficar pelo tempo que for necessário, até que a contaminação não seja mais um risco, até que a vacina chegue aos postos de saúde, até que eu queira.

É a primeira vez que consigo enxergar o mapa dos meus dias, pontua Kátia Najara
(Foto: Acervo pessoal)

O isolamento favoreceu um autoconhecimento e autocura que já estava em curso, mas alcançou outra dimensão. A rotina que eu criei não vai mais sair da minha rotina.

Como profissional autônoma a minha não-rotina de trabalho era muito desgovernada e se misturava demais à minha vida pessoal.

Agora, os dias de trabalho e horários de atendimento estão claramente definidos. Tem dia e hora para lavar roupa, fazer faxina, cozinhar para os meus, rezar, cuidar das plantas, fazer ioga, terapia, estudar, e, principalmente, não fazer nada. É a primeira vez que consigo enxergar o mapa dos meus dias, e isso é muito importante para mim. (Kátia Najara, 49 anos, cozinheira livre do Pitéu Cozinha Afetiva) 

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Mudanças valem para pessoas e empresas 

A Soul Dila vai deixar que a nossa equipe administrativa decida se quer sair do regime home office ou não. A escolha vai ser facultativa. Percebemos que a eficiência não está necessariamente ligada à presença no escritório.

'Percebemos que a eficiência não está necessariamente ligada à presença no escritório', reforçam Danilo Gois e Eduardo Bahiana
(Foto: Divulgação)

A reabertura do comércio traz a oportunidade do retorno de faturamento, o que é muito importante, embora o desafio da reinvenção continue. O consumo está sendo revisto e, de maneira geral, todos deverão se readequar de alguma maneira com  inovações, verdade, propósito.

É tempo de transparência e honestidade nas relações, e sempre foi. De uma hora para outra, fomos “convidados” a apagar as luzes externas, sair um pouco de cena e ligar as luzes internas.

Quando conseguimos fazer isso, a mudança acontece e enxergamos melhor o que somos, o que queremos, onde estão os erros e o que devemos fazer para seguirmos. E isso não vale só para as pessoas, mas também para as empresas. (Danilo Gois  e Eduardo Bahiana, 36 e 37 anos, sócios da Soul Dila)

Todos tiveram que buscar caminhos

Ampliamos os serviços digitais para facilitar a vida dos alunos e isso nos fortaleceu como um importante canal de conteúdo sobre saúde e bem-estar. A rede de academias Selfit vai manter a opção de treino online, mesmo após a liberação de nossas 14 unidades físicas instaladas na Bahia.

'A rede de academias Selfit vai manter a opção de treino online', adianta Leonardo Pereira
(Foto: Divulgação)

A quarentena, imposta pela pandemia do novo coronavírus, alterou o modo de trabalhar das pessoas, que agora, em grande parte, têm atuado de casa e se reunido  virtualmente.

Acredito que, hoje, as empresas valorizem mais a adaptabilidade, a flexibilidade, e entendam que é a própria sobrevivência do negócio que está em jogo.

Todos tivemos que buscar novos caminhos que contemplassem nossa contribuição à sociedade. Neste novo cenário, nós pudemos compreender a importância de continuar impactando positivamente a população através de ações que priorizassem a segurança e a saúde de todos. (Leonardo Pereira, 42 anos, CEO da rede Selfit Academias)

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O abraço faz falta, mas depois pago com juros 

Sair de casa agora me deixa muito preocupado. Me pergunto se realmente vale a pena. Meu pai é idoso e tem outras comorbidades. Então, não posso ser contaminado e passar para ele. Foi essa preocupação com ele que me tornou resiliente.

'Só uma emergência vai me tirar de casa', garante Aloísio Moraes
(Foto: Acervo pessoal)

O meu "novo normal" agora vai ser a proteção além da conta, coisas que não dávamos importância antes, hoje vamos dar e não digo só a questão da higiene, proteção, mas também do afeto. Sabe há quanto tempo não dou um abraço? Parece besteira, mas hoje em dia faz muita falta.

Digo sempre para minha namorada que quando tudo isso acabar, ela irá receber todos os abraços e beijos atrasados com juros.

Só uma emergência vai me tirar de casa, alguém passando mal ou eu passando mal, se minha situação financeira me obrigar ou meu trabalho retornar, só algo que seja extremamente necessário mesmo. Por que sair da quarentena se isso traz um risco enorme? Esse risco eu não quero correr. (Aloísio Moraes, 28 anos, personal)

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Que a empatia esteja sempre na ordem do dia

Percebo que há uma grande pressão de todos os lados para que essa reabertura aconteça. Não me sinto seguro para retomar as minhas atividades, até que os números realmente indiquem uma segurança mínima.

'Temos de, a cada momento, nos colocar no lugar do outro', defende Victor Carvalho
(Foto: Acervo pessoal)

Há mais de um ano trabalho praticamente em home office, então, a minha rotina não foi duramente afetada, como no caso da maioria das pessoas.

Mesmo assim, novos hábitos — que inclusive serão mantidos depois que a pandemia acabar — foram implementados em nossa casa.

Tinha o costume de ir ao mercado semanalmente (nunca havia testado fazer compras por delivery) e, com o isolamento, me vi obrigado a testar esse serviço, o que foi uma ótima descoberta.

A empatia está na ordem do dia. Temos de, a cada momento, nos colocar no lugar do outro e procurar razão em todos os motivos, seja para ficar em casa ou ir à rua. Não me sinto confortável em sair, mas espero que um dia isso aconteça. (Victor Carvalho, 33 anos, empresário)

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Não me sinto confortável para voltar ao normal

Trabalhava, fazia academia, agora tenho que ficar em casa. Tinha uma rotina antes, na qual eu costumava sair muito, viajar bastante. Para mim, esse vírus pega no ar, nós temos que nos cuidar. Faço parte do grupo de risco, tenho dois filhos e sempre gostei de morar sozinha.

'Sei que  devo permanecer em casa', diz Jandira Alves
(Foto: Acervo pessoal)

Mas a pandemia me fez ter crises de ansiedade por passar esse tempo todo só. Foi horrível. Não desejo isso a ninguém. Graças a Deus, estou melhor. Sei que  devo permanecer em casa. Levo a quarentena muito à sério, porque sou hipertensa.

Pessoas da minha família, que moram no interior, se contaminaram e isso foi muito preocupante, por eu estar longe deles. Tive que permanecer longe, não pude ir ao interior, nem a lugar nenhum.  Meu contato é virtual.

Não me sinto confortável para voltar ao normal e nem tenho certeza se vou me sentir segura novamente, só sei que é preciso me acostumar, cada vez mais, com a ideia de que a solução é ficar aqui. (Jandira Alves, 57 anos, recepcionista)

Por que ir para a rua, se posso ficar em casa?

Não acho justo furar a quarentena se eu posso me manter em casa. Moro com meus pais e tenho medo por mim e mais ainda por eles, de levar o vírus para casa e contaminar meu pai, que faz parte do grupo de risco. Além disso, é um vírus que ainda deixa inúmeras dúvidas sobre como cada organismo pode reagir a ele.

Os números nós vemos, não mentem e temos um problema grave em curso. Se eu tenho a possibilidade de ficar em casa e trabalhar de casa, assim eu vou fazer. Acredito que é um momento em que só deve sair do isolamento quem não tem alternativa.

É uma ação difícil, mas necessária em prol do coletivo. Quantos tantos queriam poder ficar em casa e não estão podendo? Eu realmente não consigo prever quanto tempo eu vou continuar em quarentena. Hoje, a minha intenção é só sair se for algo realmente necessário. Mesmo com o cansaço de estar nisso há quatro meses, pretendo continuar até que a situação se estabilize.(Vitor Andrade, 29 anos, jornalista)

A revolução é se adaptar e sair do tradicional

Completamos 35 anos de mercado. A Arte em Papel é uma loja onde é muito tradicional o cliente ir até a loja física e escolher com muito cuidado o presente e as embalagens, pensando sempre em surpreender, mesmo que seja com um mimo mais simples, como uma canetinha diferente, por exemplo.

'A pandemia fez com que nós observássemos um mercado promissor', avalia Carla Oliveira
(Foto: Divulgação)

Com a pandemia, nós tivemos que transpor tudo isso para o online. Dentre todas as consequências da pandemia, o e-commerce é a revolução que veio para ficar. Durante os meses em que ficamos com as lojas físicas fechadas, as vendas online duplicaram, comparadas ao mesmo período do ano passado.

A pandemia fez com que observássemos um cenário promissor de expansão da marca para outros estados. A população terá receio de frequentar as lojas físicas, por isso, intensificaremos as ações para compras online e delivery, com opção de retirada pelos Correios e drive thru dos shoppings que estão mantidas. (Carla Oliveira, 39 anos, sócia e diretora da Arte em Papel) 

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Mais formas de chegar até as pessoas

O Salvador Shopping e o Salvador Norte Shopping estão reabertos, após a liberação do poder público. No entanto, os dois equipamentos irão manter ativos tanto a plataforma online que criamos por conta da pandemia, como os serviços de drive thru.

As modalidades que funcionaram como uma alternativa ao fechamento das lojas físicas registraram, juntas, cerca de 45 mil vendas entre os meses de maio e julho. O Salvador Norte já iniciou a implantação da sua plataforma digital também.

Foi preciso entender a dinâmica, os anseios dos clientes para comunicar sobre essa nova forma de venda, ampliar a divulgação nas redes sociais, treinar os funcionários, promover uma interação quase que integral no ambiente virtual.

Oferecer mais opções é uma forma de estreitar ainda mais o relacionamento. São canais complementares e não concorrentes. (Fernando Rocha, 64 anos, diretor Regional de Operações (BA/SE) do Grupo JCPM, que administra o Salvador Shopping e o Salvador Norte)



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