'Implorou para não morrer', diz mãe de jovem morto pela PM em Cajazeiras

salvador
14.01.2020, 14:48:00
Atualizado: 14.01.2020, 21:52:24
(Acervo Pessoal)

'Implorou para não morrer', diz mãe de jovem morto pela PM em Cajazeiras

Mãe contesta versão da polícia e diz que filho morreu na porta de uma igreja

Um jovem de 21 anos foi morto na porta de uma igreja, na tarde dessa segunda-feira (13), na localidade de Vila Vitório, no bairro da Fazenda Grande III, região de Cajazeiras. Segundo a mãe de Fabrício Jesus Santiago dos Santos, que preferiu não se identificar, o rapaz estava sentado, conversando com um vizinho, quando policiais militares chegaram atirando.

Em conversa com o CORREIO por telefone, na manhã desta terça-feira (14), a mãe disse que o filho nem teve tempo de reagir. "Ele estava sentado com o esposo de uma vizinha, conversando, quando a polícia chegou. Ele levantou e já tomou um tiro na perna. Meu filho pediu socorro e chamou por uma vizinha, pediu pelo amor de Deus para não matarem ele, implorou para não morrer. A polícia pegou o tapete da vizinha, enrolou ele e disse que estava dando socorro. Estive no local e vi todo aquele sangue, a sandália dele jogada, até as cápsulas de bala nós achamos”, lembrou a mulher.

A mãe disse ainda que, em seguida, o filho foi revistado pelos PMs, que teriam agido de forma truculenta. 

"Ele foi revistado, disse que não tinha nada, levantou as mãos e, mesmo assim, atiraram nele", completou. 

A PM contraria a versão da família. Segundo a versão dos policiais, equipes da 3ª Companhia Independente de Policiamento Militar (CIPM/Cajazeiras) faziam operação na Vila Vitório, por volta das 18h30 de segunda-feira (13), quando um homem efetuou disparos contra a viatura e eles revidaram. O rapaz foi atingido por um dos disparos e socorrido pelos policiais para o Hospital Professor Eládio Lassére, em Águas Claras, mas não resistiu e morreu na unidade de saúde.

A polícia informou ainda que Fabrício estava com um revólver e pedras de crack. Acrescentou ainda que registrou a ocorrência na Corregedoria e que o jovem respondia por tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo.

Ainda de acordo com a PM, essa foi a quarta vez que a Polícia Militar registrou ocorrência envolvendo Fabrício. Só na região de Itapuã, ele foi preso duas vezes, uma delas por tráfico de drogas, e outra por tentar fugir da polícia e portar drogas. Há três anos, em dezembro de 2016, ele também atirou contra policiais militares da 14ª CIPM (Lobato) e foi atingido na panturrilha. Na ocasião, a polícia diz que ele estava com um revólver 38 e 74 porções de cocaína.

Fabrício foi morto a tiros em confronto com a PM
(Foto: Arquivio Pessoal)

O que diz a família
A mãe de Fabrício nega tudo o que dizem os policiais. Segundo ela, ele a PM plantou drogas e armas para incriminar o filho. Além disso, ela garante que as prisões nunca aconteceram.

"Essa história de quarta vez preso é mentira. Ele nunca foi pego com drogas, pelo contrário, todas as vezes que ele foi pego aqui no bairro foi em abordagem. Uma vez eu ainda os levei em minha casa para provar que não tinha drogas e eles disseram: 'se tiver droga na sua, casa seu filho vai preso'. Eu levei, abri as portas para que eles vissem”, contou.

O rapaz, segundo ela, foi preso uma única vez, em 2016, após uma acusação falsa por parte da polícia. “Ele tem passagem. Uma vez ele foi incriminado por uma acusação de matar um policial e provamos que era mentira. Ele ficou preso por 1 ano e 4 meses. O policial que acusaram ele de ter matado estava vivo e presente no dia do depoimento, e a acusação foi retirada. Não corremos atrás pois, infelizmente, as coisas são difíceis para quem não tem recursos. Somos fracos de dinheiro e de condições, aí as coisas ficam por isso mesmo. Não demos seguimento por medo de ameaças, mas ele cumpriu a prisão dele e saiu depois”, completou.

Fabrício morava com a mãe em uma casa perto do local onde ele foi morto. A mãe diz que não viu o momento em que o filho foi baleado, mas diz que testemunhas afirmaram que os policiais chegaram atirando contra o rapaz, que não teria feito nada. Isso, segundo ela, é prática comum no bairro.

“Isso foi às 17h30. Eles estão acostumados a agirem dessa forma aqui, toda vez é a mesma coisa, já chegam atirando. Eles já chegam dessa forma e nós temos que correr e nos esconder. Nós não temos paz quando a polícia chega aqui”, afirmou.

Manifestação
Nesta manhã, a mãe e familiares de Fabrício fizeram um protesto na Vila Vitório. Segundo a PM, cerca de 15 pessoas obstruíram o trânsito com um container de lixo e atearam fogo em objetos. Equipes 3ª CIPM (Cajazeiras) acompanharam a movimentação no local, juntamente com uma equipe do Corpo de Bombeiros Militar.

“Fizemos o protesto para cobrar justiça e mudanças na forma de abordagem da polícia com os moradores. Não precisa eles entrarem aqui dando tiros, eles são recebidos com respeito. Queremos que venham, sim, mas que entrem e façam o trabalho deles sem atirar e matar ninguém. Temos crianças brincando na rua, que precisam sair correndo para dentro de casa quando a polícia chega. Eles que vestem a farda, dizendo que estão honrando e defendendo as pessoas, estão nos oprimindo”, completou a mãe, que revelou que irá conversar com o restante da família para decidir como proceder com o caso.  

“Vamos conversar com alguns familiares para nos instruir melhor, para saber se vamos fazer alguma coisa. Vamos correr atrás de justiça”, finalizou

* Com supervisão da chefe de reportagem Perla Ribeiro


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