Integrante do Baralho do Crime é morto pela polícia na Engomadeira

salvador
23.05.2017, 08:18:00

Integrante do Baralho do Crime é morto pela polícia na Engomadeira

Maurício Santos Cavalcanti era considerado um dos maiores distribuidores de drogas de Salvador

Um dos homens mortos no bairro da Engomadeira na noite desta segunda-feira (22) foi identificado como Mauricio Santos Cavalcanti, conhecido como Gordo ou Rabicó, integrante do Baralho do Crime. De acordo com informações do site do Baralho do Crime, ele é conhecido por atuação intensa no tráfico de drogas do bairro. Ele fazia parte do Baralho desde junho de 2015 e, segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP) era um dos maiores distribuidores de drogas de Salvador.

Segundo informações do posto da Polícia Civil no Hospital Geral Roberto Santos, Mauricio morreu em uma troca de tiros com policiais da Rondesp Central, na Rua Senhor do Bonfim. Os policiais fizeram um cerco nas ruas Senhor do Bonfim e Santo Agostinho quando avistaram vários homens armados que, de acordo com a polícia, estavam vendendo drogas e atiraram contra as viaturas.  

Gordo integrava o Baralho do Crime desde 2015
(Foto: Divulgação)

Os policias reagiram, atingindo dois homens. Eles ainda tentaram fugir pelos telhados das casas da localidade, mas foram alcançados pelos policiais. Maurício foi atingido no tórax e o outro homem, ainda não identificado, foi baleado no abdômen, tórax e no pé. Eles foram levados para o Hospital Geral Roberto Santos, mas não resistiram aos ferimentos.

Segundo moradores, o outro morto é André Victor da Anunciação Oliveira, 19 anos. Familiares contestam a versão da polícia de que ele estava armado quando foi baleado. “Ele não estava armado, colocaram uma arma na mão dele. Tiraram ele de dentro de casa e executaram a sangue frio. Meu sentimento é de revolta pela desigualdade da sociedade e pela ordem que a polícia recebe de matar”, disse um parente.

O tiroteio intenso durou cerca de uma hora, segundo relato de moradores. A polícia chegou por volta das 18h e ficou por cerca de três horas no local. Os tiros começaram às 20h. “É assustador morar num lugar desse. Temos filhos pequenos, que não podem nem ter infância porque temos uma polícia que mata o pobre por ser pobre”, desabafou uma moradora. No local do crime, algumas cápsulas ficaram espalhadas pelo chão.

Cápsulas e luvas ficaram espalhadas pelo chão na Engomadeira
(Foto: Tailane Muniz/CORREIO)

Em nota, a Polícia Militar informou que outros suspeitos conseguiram fugir. O registro da ocorrência foi feito no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Ainda de acordo com a PM, foram apreendidos com os suspeitos uma pistola Ruger com 9 munições, uma pistola G-Cherokee 9 mm com 8 munições, 9 munições calibre 40, uma balança, três cadernos com anotações sobre o tráfico de drogas, sete celulares, R$ 2.850 em espécie, 23 cubos de pasta base de cocaína e 15 tabletes de maconha.

Susto
Moradores que moram no bairro ficaram assustados com o tiroteio intenso. “Foram mais de 100 tiros! Nós estamos trancados em casa, ninguém entra e ninguém sai”, desabafou uma testemunha, ao telefone.

A moradora relatou que sua mãe, que tem 67 anos, voltava para casa no momento dos disparos. “Ela passou mal, assustada. Para conseguir trazer ela para casa, eu tive que sair no meio dos tiros. Os policiais nos trataram com ignorância, fecharam as saídas da rua e ficaram chamando todo mundo de vagabundo”, contou. Conforme ela, quatro viaturas das Rondas Especiais (Rondesp) estavam no local.

Laboratório do crime
Em novembro do ano passado, a polícia desmontou um laboratório de drogas, que supostamente abastecia cidades do interior do estado e de Sergipe. O laboratório seria de responsabilidade de Maurício e outros suspeitos, identificados como Márcio Silva dos Santos, conhecido como "Barraco" ou "Cavalo", e Gabriel Barbosa da Silva, o "Da Roça".

A estimativa da polícia é de que o local movimentava R$ 30 mil por dia. Ninguém foi encontrado no local quando a polícia chegou. O laboratório funcionava em uma casa com cerca de 40 metros quadrados, era climatizado e trabalhavam no local, aproximadamente, 15 pessoas refinando drogas como crack e cocaína. 

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