Itapuã lidera ranking de bairros mais barulhentos; veja campeões

salvador
07.05.2021, 05:15:00
Itapuã é o campeão de reclamações de barulho na cidade. Bairro tem muitos bares com música ao vivo (Paula Fróes/ CORREIO)

Itapuã lidera ranking de bairros mais barulhentos; veja campeões

Bairro recebeu 282 denúncias até abril; Paripe e Pernambués completam o pódio

Hoje (7) é o Dia Municipal de Combate à Poluição Sonora. E Salvador, sem dúvidas, é considerada uma cidade barulhenta. Seja antes da pandemia, seja depois, basta ter janelas para saber. O carro do ovo, a música alta da vizinhança, as festas do tipo paredão e até os sons das igrejas estão ultrapassando os limites do bom-senso e se configurando como poluição sonora de acordo com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur). 

Mas tem os bairros que se destacam. Itapuã é o campeão do barulho na cidade, tendo sido alvo de 282 denúncias para a Sedur até abril desse ano. Isso equivale a cerca de 70 reclamações por mês e, portanto, 17 por semana. Logo atrás vem Paripe, com 264 denúncias e Pernambués finalizando o pódio em terceiro lugar, com 260. Além disso, só em 2021, foram apreendidos cerca de 300 equipamentos sonoros na capital.

“Esses bairros têm como fontes geradoras do som principalmente veículos automotores, em paredões muitas vezes apreendemos aquelas carrocinhas que ficam acopladas aos veículos. Na Liberdade, que aparece em 5º lugar na lista, são as igrejas, pois é um bairro que tem muitas delas. Em 4º lugar, aparece a Boca do Rio”, explicou a subcoordenadora de fiscalização e combate à poluição sonora, Márcia Cardim.

Moradora de Itapuã, Mairy Silva concorda com a cabeça da lista. Várias vezes, ela diz ter tido que fechar as janelas e sobreviver ao calor para evitar o estresse com o barulho. Vizinhos e bares, cada um com sua preferência musical, e o som do clássico carro do ovo adentrando as ruas são os acontecimentos mais comuns do bairro. “Você fica indignado, mas dá risada. A cantoria do carro do ovo é chata, mas é o trabalho de muitos durante a pandemia. No geral, aumentou muito a incidência dos carros de ovo, de polpa, de fruta”, relatou.

O caso de Mairy também aconteceu com Márcia Cruz Luz, dona de um salão de beleza no bairro de Paripe. Sua principal queixa são os carros de som que os bares colocam nas ruas. “Na pandemia, é quando a gente mais observa essas coisas, porque elas não deveriam acontecer. Ano passado, era horrível. Cheguei a denunciar, mas disseram que tinham que receber mais de uma ligação. Recentemente, com a fiscalização passando muito por aqui, as coisas melhoraram”.

Já em Pernambués, Rafael Reis tem muito o que reclamar dos vizinhos. “Tem vizinho que já acorda ligando o som alto. Quando têm aniversários então, eles extrapolam mesmo, ficam até tarde com som ligado, conversa alta e gritaria, é bem complicado”. Ele afirma acreditar em uma relação entre o alto número de casos de covid-19 e a alta poluição sonora do bairro, que, geralmente, vem acompanhada de aglomeração. “Parece engraçado, mas uma coisa pode ter a ver com a outra, afinal de contas, se pararmos para pensar, em grande parte das vezes sons muito altos atraem aglomeração”, acredita o estudante.

Mas quem explica mesmo essa relação do soteropolitano com os sons é o mestre em antropologia social pela Ufba, Lucas Souza. Segundo o pesquisador, Salvador é uma cidade sonora, percussiva, vivaz e extrovertida. E isso, por vezes, é bom. 

“Há sempre um certo perigo a nos rondar quando tratamos dessas questões, porque, com um deslize, podemos escorregar para ideias preconceituosas, com uma carga subjetiva de discriminação racial, tendo padrões comportamentais como referenciais que historicamente se costuma considerar como ‘modos superiores’. E isto é associado a um tipo europeu”.

Para ele, quando pensarmos que somos barulhentos e falamos alto, devemos nos perguntar: estamos nos colocando numa posição destoante de um “padrão adequado?”. “Isso está diretamente ligado às concepções que impregnam nosso imaginário e que são produto de um processo civilizatório”, explica.

É lei e tem multa

De acordo com a lei municipal 5354, para o som ser considerado poluição sonora, o índice deve ultrapassar os 60 decibéis das 22h às 7h e 70 decibéis das 20h às 22h. Para checar esses índices, existem até mesmo aplicativos gratuitos para celular. “A partir do momento que a gente está em fiscalização e faz a medição a 2 metros da fonte sonora, é constatado poluição sonora”, explicou a subcoordenadora de fiscalização da Sedur. A denúncia pode ser feita através do canal oficial: 156 para poluição sonora e 160 para aglomeração. Aos infratores, a multa varia de R$ 1.068 mil a R$ 168 mil.

Ranking dos bairros mais barulhentos na capital:

  • 2021
  1. Itapuã
  2. Paripe
  3. Pernambués
  4. Boca do Rio
  5. Liberdade
  • 2020 
  1. Pernambués
  2. Itapuã
  3. Paripe
  4. Fazenda Grande do Retiro
  5. Liberdade
  • 2019
  1. Rio Vermelho
  2. Pernambués 
  3. Itapuã
  4. Cajazeiras
  5. Pituba
  • 2018
  1. Itapuã
  2. Cajazeiras
  3. Pernambués
  4. Liberdade
  5. Boca do Rio
  • 2017
  1. Itapuã
  2. Boca do Rio
  3. Cajazeiras 
  4. Pernambués 
  5.  Rio Vermelho

*Orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro

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