Maioria das multas em Salvador é por velocidade; veja locais mais frequentes

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09.11.2018, 04:00:00
Marginal da Paralela, próxima à saída do CAB, teve 14,9 mil multas este ano; em 2017, liderou com 28,4 mil (Evandro Veiga/CORREIO)

Maioria das multas em Salvador é por velocidade; veja locais mais frequentes

Veja também principais lugares que multam por estacionamento irregular

Os soteropolitanos estão pesando o pé no acelerador mais do que deveriam ao trafegar pela cidade. A multa por exceder a velocidade máxima da via em até 20% foi campeã de registros em Salvador neste ano, com 267.488 multas emitidas entre janeiro e setembro, de acordo com a Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador).

As três vias em que a infração é mais cometida são velhas conhecidas. No ano passado, duas delas já haviam ficado no topo. Os soteropolitanos extrapolam a velocidade na Avenida Oceânica, na altura do Centro Espanhol, sentido Farol da Barra (14.972 multas); na Marginal da Avenida Paralela, após saída do CAB, sentido Rodoviária (14.893); e no Ogunjá, na altura da Cesta do Povo, sentido Bonocô (11.343 multas).

O número de multas registradas é alto, mas, comparado com o mesmo período do ano passado, há uma redução de 14%, quando 305.695 ocorrências do mesmo tipo foram registradas. Se consideradas todas as infrações, a redução foi de 22%. O montante arrecadado com multas  em 2017 foi de R$ 77,3 milhões.

No ano passado, a marginal do CAB foi a campeã de lugar com mais multas por excesso de velocidade, com quase o dobro das punições da Oceânica (28.461), atual campeã e que, no ano passado, ocupou a terceira colocação (14.433). O segundo lugar tinha sido da Rua da Paciência, na altura da Travessa Lydio de Mesquita (15.016).

Mais de 11 mil motoristas foram multados por excesso de velocidade no Ogunjá, este ano (Foto: Evandro Veiga/CORREIO)

Estacionamento irregular
Já os locais com mais multas por estacionamento irregular neste ano foram a Rua da Grécia, no Comércio; a Rua Barão do Triunfo, no Rio Vermelho; e a 1ª Avenida do Centro Administrativo da Bahia. Já no ano passado as vias com mais ocorrências foram a Avenida Jequitaia, na Calçada; a Ladeira da Água Brusca sentido Barbalho, no Santo Antônio e o Largo de Santana, no Rio Vermelho.

Segundo o superintende da Transalvador, Fabrizzio Muller, a atuação dos servidores para coibir o estacionamento irregular acontece de duas maneiras. Na primeira, cada agente de trânsito é responsável por uma área da cidade e fiscaliza as ruas que compõe essas poligonais. Na segunda, são realizadas ações especiais em áreas específicas da cidade, como na operação Pare Certo, que fiscalizas os pontos mais críticos de Salvador.

Os locais com mais multas por estacionamento irregular em 2018 foram a Rua da Grécia, no Comércio, a Rua Barão do Triunfo, no Rio Vermelho, e a 1ª Avenida do CAB. Em 2017, as vias com mais ocorrências foram a Avenida Jequitaia, na Calçada, a Ladeira da Água Brusca sentido Barbalho, no Santo Antônio, e o Largo de Santana, no Rio Vermelho.

Fabrizzio conta que a atuação dos servidores para coibir o estacionamento irregular acontece de duas maneiras. Primeiro, cada agente de trânsito é responsável por uma área da cidade e fiscaliza as ruas que compõem essas poligonais. Segundo, são feitas ações especiais em áreas específicas da cidade, como na operação Pare Certo, que fiscalizas os pontos mais críticos de Salvador.

Motoristas reclamam 
A estudante de Direito Imira Cunha, 22 anos, foi multada em março deste ano na Rua da Paciência, no Rio Vermelho.

“Eu passei com 50 km/h na frente do antigo Mercado do Peixe. Agora eu sempre presto bastante atenção ali no Rio Vermelho porque a multa é bem salgada”, diz, rindo.

A única multa do assessor parlamentar Thiago Freire, 30, foi na via campeã do ano passado: a marginal após a saída do CAB, na Paralela. Ele argumenta que as marginais confundem os motoristas.

“Eu ia bastante lá no CAB e estava um pouco mais de 70 km/h. Quando você sai do CAB, sua mente já acha que está na Paralela, mas o limite da marginal é de 60 km/h”, diz. Agora, está mais atento.

Para a analista de transporte e tráfego Cristina Aragon, não é por coincidência que as multas por velocidade ocorram no mesmo lugar de um ano para o outro: “Se está havendo muita recorrência nessas regiões, isso significa que você precisa dar uma reforçada na sinalização para que as pessoas tenham clareza da velocidade da via”, explica.

Para Aragon, a sinalização em algumas vias da capital ainda é “muito tímida”. Ela afirma que o problema é maior ainda nas marginais. “Acredito que poderia haver um reforço na sinalização das placas. O condutor sai da avenida com velocidade superior e quando entra na outra não tem clareza da máxima”, critica. 

A fonoaudióloga Karina Quintela, 42, faz atendimentos a domicílio e transita diariamente pela cidade de carro. Ela conta que foi multada na ladeira no final da Avenida Manoel Dias, sentido Rio Vermelho, no início deste ano.

“Eu fui pegar um pouco de impulso para o carro subir a ladeira e acabei extrapolando os 60 km/h. Eu fico atenta demais ao dirigir. Como eu trabalho indo nas casas dos pacientes, tenho cuidado porque, além de pagar combustível, eu teria que pagar multa e não compensa”, diz.

Radares estão espalhados por vários pontos da cidade (Foto: Marina Silva/CORREIO)

Falta sinalização ou o motorista é apressado?
Para Fabrizzio Muller, o excesso de velocidade lidera o ranking das infrações de trânsito porque são registrados através dos radares 24 horas, enquanto as outras irregularidades dependem da presença do agente de trânsito.

Ele discorda que as vias onde aconteceu o maior número de registros não estejam bem sinalizadas. Para Muller, os números têm relação com o comportamento dos motoristas, não com sinalização.

“Essas vias estão sempre no topo da lista porque são regiões em que as pessoas ainda não se habituaram com a fiscalização. A sinalização é adequada, mas as pessoas não prestam atenção. Às vezes, recebemos reclamação de que uma via não está sinalizada, mas quando chegamos lá, ela está”, declara.

Sobre a conscientização da população, o gestor explicou que a Transalvador realiza campanhas em escolas e universidades e outras através das redes sociais.

Mortes no trânsito
A Organização Mundial de Saúde (OMS) orienta que a velocidade máxima em áreas urbanas seja de 50 km/h. Conforme a entidade, a redução de 60 km/h para 50 km/h aumenta em dez vezes a chance de uma pessoa atropelada sobreviver. 

Em 2018, foram 79 mortes e 3.103 feridos nas ruas de Salvador contra 81 mortes e 3.397 feridos em 2017. Procurada, a Transalvador informou que já estão em curso estudos para reduzir a velocidades em avenidas como a Luis Eduardo Magalhães e a Anita Garibaldi, mas não há prazo para a mudança.

O que mais causa multas?
As multas de trânsito registradas em Salvador reduziram em 22,6% de janeiro a setembro deste ano, em comparação ao mesmo período de 2017. Neste ano, foram 492.920 infrações de trânsito na capital, contra 637.309 no ano passado.

Além de excesso de velocidade, as multas mais recorrentes foram estacionar em local ou horário proibido (23.796), transitar em via exclusiva para ônibus (23.142), avançar sinal vermelho (19.874) e transitar em velocidade superior à máxima permitida em mais de 20% e até 50% (14.975).

Em fevereiro, a fotógrafa Tayse Oliveira, 27 anos, foi visitar uma amiga no bairro Granville, depois do trabalho. Dias depois, recebeu uma multa.

“Não tinha vaga no condomínio em que minha amiga mora, então, tive que estacionar na rua. Quando passei, vi uma placa que informava que o estacionamento era irregular, mas parei muito depois. Mesmo assim, fui multada. Isso foi por volta das 22h”, conta.

O “top 5” das infrações ocorridas em Salvador no ano passado também teve a velocidade como campeã, seguida por transitar na faixa exclusiva para ônibus (52.257), avançar o sinal vermelho (42.732), estacionar em local ou horário proibido (31.677) e estacionar na calçada (23.415).

Fabrizzio Muller, conta que a redução nos números se deve à atenção redobrada e conscientização dos motoristas. Ele disse que a prefeitura não trabalha com metas de redução de infrações, mas tinha como objetivo reduzir para 50% o número de mortes em acidentes até 2020. 

“Ficamos em 51%, um percentual muito bom. Agora, queremos manter essa redução passando de 4,6 mortes para cada 100 mil habitantes para 4 mortes para cada 100 mil habitantes. É importante lembrar que o objetivo da fiscalização é garantir a fluidez e a seguridade viária”, afirma.


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