Marceneiro pretendia assaltar bancária no Itaigara para pagar dívida com agiota

salvador
19.05.2022, 18:20:00
(Bruno Wendel/CORREIO e Reprodução)

Marceneiro pretendia assaltar bancária no Itaigara para pagar dívida com agiota

Ele mentiu para a vítima, dizendo que precisava medir um armário na casa dela

O suspeito de matar a bancária Rita Maria Brito Fragoso e Silva, de 62 anos, no dia 12 de maio, foi preso na manhã desta quinta-feira (19) pela Polícia Civil (PC), em Arraial do Retiro. Na delegacia, ele confessou que enganou a vítima para ter acesso ao apartamento dela, onde cometeu o crime. Na ocasião, ele esperou a chegada da bancária do trabalho, a abordou e disse que precisava fazer uma medição de um armário da residência de Rita, onde tinha prestado serviço três meses antes por uma empresa privada. Em conversa com investigadores, ele relatou que foi ao apartamento da vítima roubá-la porque estava devendo para um agiota.

De acordo com a delegada Pilly Dantas, coordenadora da 1ª DH/Atlântico e responsável pelas investigações, o marceneiro, que não teve o nome divulgado pela PC, agiu sozinho. A empresa onde ele trabalhava não tem qualquer ligação com o crime. 

"Ele já conhecia o acesso e a rotina do prédio. Sabia que não tinha porteiro e funcionários que controlassem a entrada, o horário que a vítima ia voltar para casa e que ela morava sozinha. Então, esperou alguém sair para ter acesso ao prédio. Ele ficou aguardando a chegada dela na porta do apartamento e disse que precisava fazer a medição de um dos móveis. A empresa não tinha conhecimento de nada disso”, explicou a delegada.

Detalhes do crime
Em depoimento, o marceneiro afirmou que não tinha a intenção de matar a vítima quando foi até o apartamento. Ainda de acordo com detalhes informados pelo suspeito aos investigadores, Rita foi morta quando começou a gritar e pedir socorro aos vizinhos ou qualquer um que pudesse ouvi-la.

Pilly Dantas conta que o suspeito utilizou uma faca da própria residência, que já foi apreendida, para matar a vítima. “Diante das circunstâncias e das atitudes que a vítima teve para se defender e denunciar a ação, ele a estrangulou inicialmente até que, provavelmente, a vítima desmaiasse. E, quando percebeu que ela estava recobrando os sentidos, pegou uma faca, efetuou golpes e, além disso, a estrangulou com um fio de carregador”, detalha.

Depois de cometer o crime, o marceneiro levou da casa cartões de créditos, aparelho de telefone celular e notebooks. Todos esses equipamentos foram vendidos e as pessoas que compraram também serão ouvidas pela polícia. Foi pela recuperação do notebook, inclusive, que a polícia chegou até o suspeito, que já confessou o crime, de acordo com a polícia.

“Inicialmente, ele alega que estava em dívida com um agiota e que pensou na possibilidade de cometer esse roubo por precisar de dinheiro. [...] Ele não tinha sido preso anteriormente, nunca teve qualquer envolvimento criminal anterior ao caso”, completa a delegada Pilly Dantas.

O corpo de Rita foi encontrado no 6º andar do edifício Itaigara Pratical Residence, na Rua Érico Veríssimo. Segundo a sobrinha da vítima, todas as portas do apartamento estavam trancadas. "Inclusive a porta da varanda, que ela tinha o hábito de deixar aberta para os gatos fazerem suas necessidades. E os gatos estavam trancados em um armário. Tudo isso foi feito para não chamar a atenção de ninguém, acredito", disse. A reportagem tentou contato com a família para falar sobre a prisão do suspeito, mas não teve retorno até o fechamento desta matéria.

Cuidado com a segurança
Especialista em segurança e CEO da CDI Segurança Privada, Cyro Freitas alerta que é preciso tomar o máximo de precauções possíveis para liberar a entrada de uma pessoa à sua casa. Para ele, além de contratar empresas confiáveis, com tempo considerável de mercado e referências, cabe ter o máximo de informações sobre quem irá até você.

“Outra opção é solicitar do prestador de serviço nome, RG e placa do veículo, e confirmar quantas pessoas irão compor a equipe e acessar a residência, além de sempre compartilhar com um vizinho, porteiro, parente que vai executar o serviço naquele horário para que tenha sempre alguém atento e com os dados de quem estará prestando o serviço. Por fim, evitar receber profissionais em momentos que a pessoa estiver sozinha em casa”, orienta.

Ainda de acordo com Freitas, caso um prestador de serviço apareça sem ser chamado pelo cliente, é essencial que uma ligação seja feita para a empresa onde o funcionário trabalha para confirmar se há, de fato, a necessidade de realização de um novo serviço ou qualquer medição. 

“Uma vez que o vínculo é fechado com a empresa, ela é responsável pelas atitudes dos funcionários. Além de que, nestes casos, a confirmação é importante porque, quando você tem o cuidado de ligar para a empresa, cria um fator dificultador. O indivíduo vai saber que a empresa vai negar e vai embora para não ser preso. Importante fazer isso porque seu vínculo é com a empresa e não com o funcionário”, completa.

Outro caso
Em setembro de 2021, um caso parecido ocorreu no bairro de Ondina, em Salvador. Maria Helena Mazzei Pereira, de 67 anos, foi encontrada no quarto do apartamento onde ela morava. Cristian de Jesus Santos, 23, responsável pelo crime, foi preso no bairro da Liberdade e confessou o assassinato.

Segundo informações da polícia, ele admitiu ter esganado e violentado sexualmente a idosa. Ainda de acordo com apuração da polícia, o acusado era contratado de uma imobiliária e teve acesso ao imóvel por uma semana na época do crime, pois dois apartamentos do prédio estavam sendo reformados – inclusive o que foi alvo da ação criminosa. 

O crime chocou as pessoas do apart hotel que conheciam a idosa. “Sempre foi uma senhora tranquila. Vinha, fazia de tudo aqui no salão e depois ia para casa na maior serenidade. Terrível isso o que aconteceu com ela", disse um funcionário de um salão de beleza que fica no andar térreo do hotel de onde era cliente antiga. 

Autor confesso do crime, Cristian tinha passagem na polícia por roubo e confessou ter tido envolvimento com tráfico de drogas. Em coletiva de imprensa, a delegada Pilly Dantas, que acompanhava o caso no período de investigação, revelou ainda que o suspeito morava com a avó. 

*Com orientação da subchefe de reportagem Monique Lôbo

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