Médica acusada de matar pacientes em UTI será indenizada em R$ 4 milhões

brasil
20.06.2017, 10:26:00
Atualizado: 20.06.2017, 10:36:08

Médica acusada de matar pacientes em UTI será indenizada em R$ 4 milhões

Virgínia foi inocentada em abril da acusação de matar pacientes na UTI do Hospital Evangélico de Curitiba, e agora receberá indenização do hospital que a demitiu após as suspeitas dos crimes

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O Hospital Evangélico de Curitiba, no Paraná, indenizará a médica Virgínia Soares de Souza, acusada em 2013 de antecipar a morte de oito pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), no valor de R$ 4 milhões. Durante as suspeitas dos crimes, na época, o hospital demitiu a então chefe da UTI.

No dia 20 de abril deste ano, a médica e outras sete pessoas foram absolvidos das acusações por decisão do juiz Daniel Surdi Avellar, da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Curitiba.

A Justiça considerou que faltaram provas suficientes que a condenassem. "Uma decisão de pronúncia que se repute minimamente democrática jamais poderia se amparar em afirmações genéricas no sentido de que 'ocorriam antecipações' de óbito na UTI do Hospital Evangélico", disse o juiz na decisão.

Médica acusada de matar pacientes em UTI será indenizada em R$ 4 milhões (Foto: Reprodução/RPC)

O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) mantém a decisão contra o Hospital Evangélico, que demitiu Virgínia, ex-chefe da UTI, conforme o advogado da médica, Elias Mattar Assad.

O caso ocorreu em 2013, quando Virgínia e os outros profissionais foram acusados de causar a a antecipação da morte de oito pacientes com o objetivo de liberar leitos na unidade do hospital.

Conforme a denúncia, na época, técnicas médicas teriam sidos usadas para que os internados viesse a óbito. Eles foram condenados pelo Ministério Público de terem praticado homicídios dolosos duplamente qualificados, além de formação de quadrilha.

De acordo com informações divulgadas, o advogado disse que a sua cliente havia sido acusada, presa e linchada moralmente de forma injusta. "Ficou provado que a médica apenas praticou atos com justificativas em literaturas médicas e objetivos de salvar vidas de pacientes críticos", afirmou. Conforme a nota, Virgínia foi "demonizada nos meios de comunicação".

O Ministério Público do Paraná vai recorrer da decisão de Avellar.

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