Medo de não pagar as contas é maior do que o de perder o emprego

economia
21.01.2019, 05:53:00
Atualizado: 21.01.2019, 05:53:53
Após perder dois clientes, Ivomar começou o ano com a renda reduzida em 20%: já abriu mão das férias e da troca do carro (Foto: Arisson Marinho/ CORREIO)

Medo de não pagar as contas é maior do que o de perder o emprego

Pesquisa aponta quais os principais medos financeiros dos consumidores em 2019

O ano de 2019 começou tenso para o contador Ivomar Barbosa. Ele perdeu dois contratos grandes dos serviços de consultoria que oferece em seu escritório. Na ponta do lápis, uma redução de 20% na renda mensal. “Fora os clientes inadimplentes, isso vai impactar na minha renda consideravelmente. Esperava começar o ano com folga e o esforço agora é para fazê-lo fechar”, lamenta. 

O medo de Ivomar é o mesmo de mais da metade dos consumidores. Supera até o receio de perder o emprego. É o que aponta uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), que mostra, pelo menos, os cinco maiores medos dos consumidores em 2019: não ter dinheiro para pagar as contas (61%), não guardar dinheiro (45%), abrir mão de determinados confortos no dia a dia (34%), não obter um emprego (28%) e perder o emprego (20%). 

“A viagem de férias, o depósito na poupança, a troca do carro... Tive que cancelar tudo até segunda ordem para não deixar de pagar as contas. A gente até sente a esperança, mas o fato é que continuamos levando tombo e com o caixa apertado”, afirma Ivomar que confessa que 2019 vai ser com emoção: “Você toma o susto, fica preocupado mas não pode demorar muito. Tem que correr o dobro para resolver a situação. Vou dormir e acordo pensando em como vou fechar as contas”. 

Ainda de acordo com o levantamento divulgado pelo SPC Brasil, o ano que passou não deixou boas lembranças para o bolso: oito em cada dez consumidores tiveram que fazer algum tipo de redução ou ajuste no orçamento em 2018.  Entre os cortes estão as despesas em refeições fora de casa (52%), compra de itens e vestuário, calçados e acessórios (49%), itens supérfluos de supermercado (47%) e viagens (43%).

(CORREIO Gráficos)
(CORREIO Gráficos)

Para a economista do serviço de proteção ao crédito, Marcela Kawauti, entra ano e sai ano mas o bolso do consumidor vai continuar apertado por conta das dívidas passadas e do crescimento em ritmo lento da economia. “Quando a gente olha a pesquisa como um todo vê que existe um otimismo na vida financeira, por isso o medo do desemprego é menor. Porém, a época ainda é difícil. Você pode estar empregado, mas sem dinheiro suficiente para pagar as contas por conta das dívidas que ficaram”, analisa a economista. 

Nesse caso, o caminho para driblar estes medos está no controle de tudo que se gasta - desde um cafezinho na rua, até a conta de luz. “Se eu sei quais são os meus gastos, quando eu tiver que apertar o cinto, vou saber onde cortar sem ter que passar por sufoco. A economia já começa a destravar, mas cresce de forma lenta. Então, ainda não dá para relaxar. tem que ter cuidado com orçamento”. 

O alerta precisa ser dobrado, sobretudo, com relação aos gastos que não se percebe, como aconselha Marcela: “O primeiro deles são para as tarifas de serviço que pagos, com planos que não estão adequados ao nosso consumo, entre eles os de televisão a cabo, internet e telefonia, por exemplo. A fatura vem e leva o nosso dinheiro no automático. A cesta de tarifas bancárias é outro ponto que pode ser revisado pelo consumidor”, acrescenta. 

E é bem esta a estratégia que Ivomar pretende adotar para conseguir recuperar a fatia perdida. “2018 foi um ano de superação. Até casei. Mesmo com todas as turbulências econômicas foi melhor do que eu imaginei. Agora fui surpreendido com esta perda na renda, então a tarefa é diminuir para administrar as contas e não negativar o nome”.

Sem temor

Para blindar o orçamento de todo este temor e manter as contas no lugar, o diretor da STavares Consultoria Financeira, Sérgio Tavares tem mais uma dica: “É vital acompanhar o orçamento semanalmente ou mensalmente. Aproveite a virada de ano e elabore um orçamento completo de 2019 contemplando todos os custos fixos e variáveis para evitar surpresas desagradáveis”. 

Outro esforço que vai contar ao seu favor é priorizar, independente do valor, uma reserva de emergência. É o que orienta o economista e educador financeiro, Edval Landulfo. “Em primeiro lugar, reveja o seu padrão de vida. Com isso e a eliminação de gastos desnecessários vai sobrar uma parcela capaz de ajudá-lo a montar a sua reserva financeira”. 

No mais, afastar os medos financeiros de uma vez por todas exige manter a disciplina. “Sempre visualize a recompensa com a realização dos sonhos da família que vem junto com o acompanhamento e as reduções no orçamento”, destaca.  


DICA DA SEMANA: PARA CUMPRIR METAS

1º passo Defina estas metas. Aí entram os sonhos, os custos fixos, necessidades e o quanto você ganha para contemplar tudo isso. Um bom planejamento orçamentário possibilita ter uma referência completa de tudo isso. 

2º passo  Objetivos definidos? É preciso acompanhá-los. Fique atento orçamento semanalmente ou mensalmente. Cheque os extratos bancários e garanta que os pagamentos serão totalmente supridos pelos rendimentos. Outro ponto importante é rever gastos. Pare um tempo a para rever tarifas de serviços, itens de consumo e outros custos.

3º passo  Não espere sobrar dinheiro para fazer uma reserva financeira. Ela deve estar na lista das prioridades logo no momento em que o orçamento anual vai ser montado e assim que o dinheiro cair na conta, guarde esta parcela. Não precisa ser muito. Basta não deixar de poupar. 

4º passo  Foco nas metas: Não permita a ocorrência de despesas não previstas no orçamento desvie seus objetivos financeiros. Caso haja uma emergência, se planeje para abrir mão de alguma coisa a fim de garantir que o resultado previsto será atingido. A palavra de ordem é seguir o planejamento financeiro e fazer os devidos ajustes no meio do caminho para atingir os objetivos maiores.

5º passo  Reveja sempre seu padrão de vida. Não adquira vários bens de uma única vez. Caso necessãrio, crie uma renda extra para atingir mais rápido os seus objetivos. E aí voltamos mais uma vez, a aquele que deve ser o mantra do ano para aqueles que não querem ficar no vermelho: se planeje.Sempre visualize a recompensa da família que que vem junto com o acompanhamento das finanças e as reduções no orçamento. 


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