Menos de 1 milhão: influenciadores digitais com poucos seguidores viram tendência e lucro

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28.05.2022, 10:22:00
Um estudo feito pela Qualibest mostrou que os microinfluenciadores digitais são seguidos por 71% dos brasileiros (Shutterstock/reprodução)

Menos de 1 milhão: influenciadores digitais com poucos seguidores viram tendência e lucro

Nano e micro influenciadores viram tendência de marketing e aproximam as marcas e os consumidores

Com cerca de 50 mil seguidores, o atleta de motosurf freeride Bruno Jacob (@jacobjetski) descobriu que além de sua atuação desportiva, também poderia atuar como influenciador digital. Com as pessoas interagindo mais nas redes sociais, o atleta, que também é empresário, percebeu que, através da interatividade, poderia usar a imagem pessoal tanto para o nicho de material esportivo como para saúde. 

Bruno Jacob chama a atenção para que os influenciadores se comportem como consumidores e saibam mais das marcas que divulgam (Foto:Divulgação)

Influenciadores como Bruno, chamados de nano (com perfis de um a 10 mil seguidores)  ou micro (com 10mil  a 100 mil seguidores), que até bem pouco tempo eram ignorados, têm se consolidado como tendência para a nova era do marketing de influência.  

De acordo com o CEO e fundador da consultoria de inteligência em comunicação, marketing e relacionamento Youpper Insights Diego Oliveira, para além do dado quantitativo, esses influenciadores atuam de modo muito mais eficiente com a audiência / seguidores. “Os micro e nano influenciadores são fundamentais para ajudar as marcas a entenderem como elas podem se associar ou colaborar com o público desejado, além de criar uma relação mais íntima e próxima com os consumidores”, esclarece.

Laços fortes

Diego explica que a presença dos nano e microinfluenciador é a base para construção de laços fortes entre marcas e consumidores, consumidores e marcas, pois a construção de uma boa narrativa, tendo os nano ou microinfluenciador como endossantes, permite uma aproximação maior nas ações dentro e fora do âmbito digital. “Podemos afirmar que o trabalho, quando bem realizado, possibilita uma atuação all line na jornada do consumidor, ou seja, dentro e fora do ambiente digital”, explica.

Diego Oliveira destaca a importância de conhecer a audiência para que sem fala, adaptando os conteúdos para que possam gerar mais engajamento (Foto Divulgação)

O especialista pontua ainda que não basta trazer um card bonito, alegre e com palavras difíceis. “Por exemplo, o baiano quer originalidade, cuidado com o conteúdo e que seja interativo. Já, o gaúcho valoriza a transparência e a clareza do que está sendo ofertado/divulgado pelos nano e microinfluenciador”, completa. 

No caso de Bruno, por exemplo, uma das formas de entregar conteúdos interessantes, capazes de engajar, é estar sempre atento ao que está acontecendo, produzindo de forma a respeitar os interesses da comunidade local e sendo original. “Conteúdo que agrega valor e gera propósito para a sua rede é um bom meio de construir sua imagem e ir crescendo aos poucos. Buscar apoio de patrocinadores, parceiros e empresários locais é um outro ponto importante também. Claro que você pode produzir um viral e surfar na onda dele”, sugere o atleta.

Pequenos e eficazes

Diego Oliveira lembra que o faturamento desses influenciadores pode girar em torno de 15 a 20 mil para campanha nacional e de 5 a 8 mil para campanhas regionais. “Todos os produtos e serviços podem se beneficiar da atuação deles. Não há restrição, uma vez que, para todos os segmentos entre categorias de produtos, serviços e marcas temos consumidores a serem alcançados”, garante o especialista. 

Oliveira reforça ainda que os nano e microinfluenciadores falam para uma audiência segmentada, real, próxima e conseguem transmitir verdade no uso e/ou sugestão aos seus seguidores. Por isso mesmo, o especialista alerta para a importância da honestidade e transparência ao realizar qualquer divulgação. “Aliado a isso, é fundamental que esses influenciadores não estejam vinculados com práticas ilegais (ex: corrupção, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, etc), passem credibilidade e tenham diálogo aberto e franco com os consumidores”, ensina.

Bruno sugere que antes de fechar um contrato, o influenciador saiba mais sobre a marca, agindo como um consumidor do que está sendo recomendando. “Afinal, não adianta indicar o que você não acredita, esteja sempre aberto a identificação, e procure empresas que pensem assim”, diz. “Antes de eu aceitar um serviço, sempre me certifico de todos os detalhes da contratação. Gosto das empresas que elaboram contrato e acertam antecipadamente todos os detalhes. Então essa é minha primeira dica, certifique que você não vai cair em cilada”, finaliza Bruno. 


Para os nano e micro 

  • 55% das pessoas afirmaram que pesquisam a opinião de influenciadores antes de efetivar uma compra, mostrando que os influenciadores têm um papel muito importante na comunicação digital, principalmente com os mais jovens;
  • Os perfis do Instagram ou do YouTube podem não apenas disseminar o entretenimento, mas também informações importantes sobre a pandemia e sobre o vírus, e mensagens positivas;
  • Os influenciadores devem seguir um plano de conteúdo específico, até porque é importante ser coerente e adaptar suas produções para a realidade atual;
  • Reveja seu posicionamento de marca e redesenhe suas estratégias;
  • Não foque apenas no agora, mas já trace objetivos para o futuro.

(Fonte:Maria Carolina Avis professora de Marketing Digital do Centro Universitário Internacional Uninter)
 

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