Mercado funerário é estável e aberto a novas tecnologias

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30.10.2017, 06:00:00
Atualizado: 01.11.2017, 13:15:20
Mercedes recebeu com surpresa o convite para assumir uma funerária (Arisson Marinho/CORREIO)

Mercado funerário é estável e aberto a novas tecnologias

Faturamento anual do setor funerário é de R$ 7 bilhões ao ano

Aos 24 anos e recém-chegada da Espanha, Mercedes Aranda recebeu um convite inesperado: assumir a Funerária Santa Izabel. O pai, que trabalhava no setor há décadas, precisava de alguém para tomar conta do negócio e o dever caiu na mão dela. “Confesso que, no início, tinha dúvidas se iria me adaptar à atividade e dar continuidade, por se tratar de lidar com a morte”, relembra. Hoje, 31 anos depois, ela está à Frente da Funerária Luz e, além de compreender a função que realiza, sabe que é necessário ter profissionalismo e boa gestão, como em qualquer outro caso.

Os números não negam que é preciso ter investimento na área: o faturamento anual do setor funerário é de R$ 7 bilhões ao ano, segundo levantamento do Sindicato dos Cemitérios e Crematórios Particulares do Brasil (Sincep). Além disso, para Diógenes Silva, técnico do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a particularidade do mercado é que “ele é constante, por conta das tradições envolvendo a morte, e tende a se manter estável”.

Porém, alguns aspectos devem ser levados em consideração na hora de investir nesse setor: como lidar com o público, geralmente em luto, e ainda regular o próprio emocional. De acordo com Daniela Moscon, psicóloga e professora da Universidade Salvador (Unifacs), é interessante que haja empatia durante o atendimento. “Se é um momento de tristeza, é preciso se solidarizar. Não significa abraçar e chorar junto, mas mostrar que você entende o que ele está sentindo e respeita a dor dele”, explica. Por outro lado, para preservar a saúde mental, ela indica que o empreendedor tenha o acompanhamento de um psicólogo e use estratégias como exercícios de respiração e atividades fora do trabalho para reduzir tensões.

Ligado nas mudanças

Em 1932, Noel Rosa já previa: “(quando eu morrer), não quero flores, nem coroa com espinho”. Mais de oito décadas depois da canção,  o setor passou por mudanças e abarca uma infinidade de tecnologias e profissionais - que vão do coveiro ao maquiador de cadáveres. De acordo com Diógenes, “o mercado é rígido”, mas alguns nichos que podem se destacar são a transmissão de cerimônia online para pessoas que estão em outro local e o mercado pet - que no geral movimenta R$ 18 bilhões ao ano, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet).

Não à toa, Mercedes frequenta congressos, feiras e workshops do setor funerário no Brasil e exterior para se atualizar. “É um trabalho delicado, árduo e profissional, de 24 horas por dia, que exige um balanceamento em lidar com os sentimentos que envolvem uma família enlutada e aspectos técnicos”, explica.

O que levar em consideração na hora de empreender

1. Mercado: O mercado costuma se manter estável por questões culturais. Porém, ele geralmente é limitado e muitas empresas já estão consolidadas. Começar do zero é um desafio, mas pode ser driblado

2. Tecnologia: No mercado funerário também há espaço para tecnologia. Uma opção são as transmissões online de cerimônias

3. Atendimento: Por se tratar de um momento delicado, o atendimento precisa de muito mais atenção. Empatia cai bem, mas sem exageros

4. Psicológico: Geralmente as pessoas estão em luto quando procuram esses serviços. Para não absorver toda essa carga, procure acompanhamento psicológico e formas de relaxar

5. Capacitação: Cursos, palestras e seminários fazem parte da rotina de quem quer investir no setor. Invista!


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