'Meu coração gelou': Filha lembra momento de notícia da morte do pai em empilhadeira

salvador
08.10.2021, 05:30:00
Atualizado: 08.10.2021, 11:24:41
(Arisson Marinho/CORREIO)

'Meu coração gelou': Filha lembra momento de notícia da morte do pai em empilhadeira

Ela e o pai tinham combinado de curtir o fim de semana juntos

Para além das lágrimas, saudade. "Ficamos de passar juntos o último final de semana",  disse a técnica de enfermagem Iranesa Bonfim dos Santos, 36 anos, filha do funcionário terceirizado do Porto de Salvador, Florisvaldo Ramos dos Santos, 64. O pai dela morreu após uma empilhadeira cair sobre ele na noite desta quarta-feira (6). 

Florisvado trabalhava em Salvador de segunda a sexta e aos sábados e domingos ia para casa, na cidade de Amélia Rodrigues. "Eu era a mais apegada a ele. A gente se falava todos os dias. Nesse último final de semana íamos passar juntos na casa dele, mas acabei trabalhando", disse ela, enquanto enxugava as lágrimas no Instituto Médico Legal Nina Rodrigues (IMLNR), na manhã desta quinta-feira (07). 

A filha disse que o pai era conhecido em todos os lugares pelo bom humor. "Ele só vivia sorrindo. Todo mundo me dizia isso. Coisa mais rara era vê-lo  triste e quando a tristeza chegava, tratava logo de se livrar dela", disse  ela, que perdeu o pai um ano depois da morte da mãe

Abalada, Iranesa era consolada pelo marido, Carlos Leandro dos Santos. Ele também lamentou a morte do sogro. "Ele era moleque demais, extrovertido, do bem , um ser humano de exemplo. Uma pessoa honesta, que deixou isso como legado para os filhos", declarou.

Florisvado morava com a esposa na cidade de Amélia Rodrigues  e trabalhou no Porto de Salvador por mais  30 anos. "Ele estava aposentado, mas amava trabalhar. Não gostava de ficar parado e ele adorava o que fazia", relatou a filha. Ele deixa três fillhos e dois netos.

(Foto: Reprodução)

O acidente aconteceu por volta das 23h30, mas Iranesa só tomou conhecimento da tragédia na manhã desta quarta, quando deixou o hospital onde trabalha. "Comecei a receber várias mensagens e ligações, mas, como estava trabalhando e não é permitido o uso de celular, só vi hoje, depois que saí, que as pessoas perguntavam pelo meu pai, mas não diziam o que havia acontecido. Depois meu tio ligou dizendo que houve um acidente com um operário de Amélia Rodrigues. Meu coração gelou. Em seguida, recebi a ligação da empresa comunicando o acidente", disse ela. 

Iranesa disse que faltou clareza da empresa sobre o ocorrido com Florisvaldo. "Eles disseram apenas que o meu pai havia tocado na empilhadeira em pleno funcionamento e que em seguida ele caiu debaixo da empilhadeira. Mas o colega dele que viu tudo contou mais coisa", disse ela, fazendo referência às declarações do colega de trabalho do pai.

O trabalhador Edmilton Ferreira, citado pela filha da vítima, viu o acidente. "A empilhadeira saiu de frente, quando deveria sair de ré e por isso ele (operador) não viu porque a carga tapava a visão dele", conta o portuário.

Ele disse ainda que a situação foi muito rápida. "Não dá tempo para a gente gritar, pois acidente na Codeba é morte garantida", completou. Mas a morte do colega abalou a todos no local. 

Edmilton era amigo de Florisvaldo e viu a tragédia
(Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

"Nós não éramos colegas. Éramos irmãos. Entramos juntos. Ele me chamava de meu recém-nascido, porque ele gostava de ser o paizão de todos. Todo mundo chorou lá dentro", contou.

Em nota, a Codeba informou que o acidente aconteceu por volta das 23h30, durante uma operação de embarque de celulose. A companhia disse ainda que as causas do acidente estão sendo apuradas pelo Órgão Gestor de Mão-de-Obra do Trabalho Portuário, e lamentou a morte do funcionário. "A Codeba lamenta profundamente o ocorrido e se solidariza com familiares e colegas do trabalhador portuário Florisvaldo Ramos dos Santos", diz outro trecho da nota.

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