Moradores impedem homens de construírem muro em campo de futebol em Canabrava

salvador
27.06.2020, 07:00:00
(Fotos: Reprodução/Redes Sociais)

Moradores impedem homens de construírem muro em campo de futebol em Canabrava

Polícia foi chamada para conter os ânimos

A chegada de máquinas e homens desconhecidos num campinho de futebol que costuma ser usado pela população do bairro de Canabrava, em Salvador, na manhã desta sexta-feira (26), gerou um conflito. Por volta das 9h, os homens tentaram cavar um buraco no espaço para construir um muro e a comunidade impediu, chamando a polícia em seguida. De acordo com a Secretaria Municipal de Urbanismo (Sedur), o terreno é privado, mas não informou a quem pertence. 

Um morador, que estava na discussão e teme revelar a identidade, conta que algumas crianças estavam brincando no campinho quando foram orientadas a deixar o local, pois uns funcionários alegaram que iniciariam uma obra. A meninada, então, chamou os adultos para entender porque estavam querendo murar o campo. Os mesmos homens já tinham aparecido no local na manhã de quinta-feira e foram impedidos de realizar o serviço.  

A comunidade diz que usa o espaço há pelo menos 30 anos para promover “babas” — o futebol de várzea. Segundo o morador, o pessoal da liga que joga no local resolveu deixar os refletores do campo ligados de quinta para sexta para evitar que fizessem algo no terreno durante à noite. “Já existe essa tentativa de tomar esse espaço da gente há um tempo, mas é nossa única opção de lazer”, conta.

Conforme conta ele, cerca de seis homens, alguns deles alegando serem seguranças, teriam chegado com um documento alegando que a empresa para a qual trabalhavam era proprietária do terreno. No entanto, o morador afirma que estas pessoas não estavam fardadas e também não revelaram o nome da empresa nem para a comunidade e nem para os policiais. Os tais seguranças estavam, aparentemente, armados, relata.

Localizado na Rua Artêmio Castro Valente, próximo à antiga Cesta do Povo, o espaço teve a presença de pelo menos 30 pessoas e quatro viaturas da polícia militar, parte delas da 50ª CIPM (Sete de Abril) e outra da 57ª CIPM (Águas Claras). Os militares tentaram ajudar a resolver o impasse. A corporação informou ao CORREIO que a PM interviu e orientou as partes a procurarem a justiça. Não houve registro de ocorrência.

A comunidade defende que o espaço é público e que tem documentos que comprovam. À reportagem, o morador enviou um ofício da Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz), datado de 2010, que diz que um terreno localizado na mesma rua, de nº 4406, caracterizado como campo de futebol, é público. No entanto, o CORREIO buscou pelo Google Maps a localização descrita no documento, mas ela não condiz com o endereço do campinho alvo da confusão.

Campo de futebol que é alvo da disputa fica a pouco mais de 1Km do Estádio Barradão (Imagem: Reprodução/Google Maps)

No momento da discussão, o morador achou estranha a presença de Walter Seijo, que foi candidato à presidência do Esporte Clube Vitória no ano passado. O Estádio Barradão, pertencente ao clube, fica a pouco mais de 1Km do local. “Ele estava com o tal documento dizendo que pertencia a uma empresa, ele apareceu com um preposto da Sedur, que disse que só estava lá para apaziguar. Tinha tanta gente, a polícia pediu para a gente ficar do outro lado para evitar aglomeração”, narra.

Procurado por telefone, Seijo foi perguntado se esteve mesmo no terreno e o que fazia lá. Ele respondeu: “Não tenho nada para lhe informar”. E em seguida desligou a chamada.

Moradores estranharam aparição de Walter Seijo no campo de futebol (Foto: Reprodução/Leitor CORREIO)

Babas

O morador diz que a comunidade costuma realizar babas no campinho às segundas, terças e domingo, sendo este dia o mais frequentado, com jogos das 5h às 8h30 e eventuais campeonatos. “O baba de domingo existe há pelo menos 35 anos. Somos parte de um bairro periférico, pobre, é nossa opção de lazer. Sem um espaço como esse, os jovens vão para o caminho errado”, conclui ele, que vive na região desde a infância.

*Sob orientação da subeditora Fernanda Varela

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