Morre Fran Demétrio, professora da UFRB e ativista dos direitos da população trans

bahia
28.07.2021, 20:13:22
Atualizado: 28.07.2021, 20:38:32
(Divulgação/UFRB)

Morre Fran Demétrio, professora da UFRB e ativista dos direitos da população trans

Com atuação destacada no Núcleo de Gênero, Diversidade Sexual e Educação, Fran era pós-doutora e foi a primeira mulher trans docente da UFRB

Morreu na tarde desta quarta-feira (28), em Salvador, a professora Fran Demétrio, docente da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) desde 2011, lotada no Centro de Ciências da Saúde (CCS). Ela atuava como Professora Adjunta no Curso de Bacharelado Interdisciplinar em Saúde (BIS) do Centro de Ciências da Saúde da Universidade e como professora permanente no Mestrado Profissional em Saúde da Família da FIOCRUZ.
 
Em nota, a UFRB manifestou "profundo pesar" e "condolências aos familiares, amigos e colegas pela irreparável perda". A causa da morte não foi divulgada.
 
Fran Demétrio foi a primeira mulher trans professora da instituição. Com atuação de destaque no Núcleo de Gênero, Diversidade Sexual e Educação da Pró-Reitoria de Políticas Afirmativas e Assuntos Estudantis (PROPAAE) e no Programa de Educação pelo Trabalho - PET - Bacharelado Interdisciplinar em Saúde.
 
Pós-doutora em Filosofia pela Universidade de Brasília (UnB), com doutorado em Saúde Coletiva pela Universidade Federal da Bahia, Fran era líder, coordenadora e pesquisadora do Laboratório Humano de Estudos, Pesquisa e Extensão Transdisciplinares em Integralidade e Interseccionalidade do Cuidado em Saúde e Nutrição, Gêneros e Sexualidades  da UFRB.
 
O Conselho Regional de Psicologia da Bahia também divulgou nota onde destaca a atuação de Fran Demétrio "pelos direitos da população Trans", e sua importância na ampliação  do "debate sobre raça, gênero e sexualidades, a fim de despatologizar os discursos, especialmente no campo da Saúde".
 
O CRP lembra na nota que Fran destacava que: "a Transgeneridade é genial, não genital. É a superação da genitalidade do ser para a genialidade do ser". O conselho prestou "solidariedade à família e amigas/os",  registrando no pesar "as contribuições de Fran para visibilidade Trans".


O Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia também divulgou nota. Assinada pela diretora do ISC, Isabela Cardoso de Matos Pinto, a nota diz que a morte da professora Fran é “ uma grande perda para a comunidade acadêmica”.

“Com grande pesar, o Instituto de Saúde Coletiva lamenta o falecimento de Fran Demétrio Silva Santos, aluna egressa deste Instituto e professora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, ao tempo em que manifesta sentimentos de condolências e solidariedade aos seus familiares e amigos. O falecimento da Professora Fran Demétrio é uma grande perda para a comunidade acadêmica”, diz a nota.
 
O Centro de Ciências da Saúde (CCS) da UFRB também divulgou nota de pesar onde destaca a trajetória da professora. A nota diz que Fran foi uma "mulher transfeminista negra, ativista aguerrida das questões de transgeneridade, fundadora e coordenadora do LABTRANS" e que "para além de toda a sua contribuição na formação crítico-reflexiva e científica dos estudantes, destacam-se o seu trabalho na formação em saúde e a sua luta pelo reconhecimento dos direitos da mulher trans na UFRB". A direção do CCS decretou luto oficial por três dias e a suspensão de todas as atividades acadêmicas nos dias 29 e 30 de julho.

O Núcleo de Pesquisa e Extensão em Culturas, Gêneros e Sexualidades (NuCuS) da UFBA também lamentou a morte da professora. "Faleceu hoje, em Salvador, a grandiosa doutora Fran Demétrio. Estamos tristes, mas ela viverá eternamente nos seus ensinamentos revolucionários que são seu legado. Fran, presente", divulgou o perfil do NuCuS no Twitter.

Fran Demétrio integrava a Associação Brasileira de Profissionais pela Saúde Integral de pessoas Trans, Travestis e Intersexo (ABRASITTI) e o Coletivo de Trans Pra Frente (Salvador-BA). Foi coordenadora do Colegiado do curso de Graduação em Bacharelado Interdisciplinar em Saúde da UFRB, período em que foi Presidenta do Núcleo Docente Estruturante (NDE), no qual participou da construção do novo Projeto Pedagógico do Curso do BIS.

Em entrevista à TVE, em 2019, a professora falou sobre visibilidade trans e destacou que a negação da existência impacta psiquicamente na saúde das pessoas trans e travestis. Veja a fala da professora.

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