Mulheres pagam seguro de carro até 30% mais barato em Salvador

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20.03.2021, 06:30:00
Atualizado: 21.03.2021, 21:16:07
As mulheres ainda são minoria no trânsito, mas elas são mais prudentes que os homens. Um dos reflexos disso é o menor preço do seguro do carro (Foto: Freepik)

Mulheres pagam seguro de carro até 30% mais barato em Salvador

Número de mulheres no trânsito cresceu na Bahia; há 739 mulheres habilitadas com mais de 91 anos

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Enquanto pesquisas de fabricantes indicam que a mulher é responsável pela decisão de compra da maioria dos automóveis, na hora de ter uma carteira de motorista elas ainda são minoria. De acordo com um levantamento da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) com dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), havia 25,8 milhões de condutoras de automóveis habilitadas até março deste ano, o equivalente a 35% do total de carteiras válidas no Brasil. Entre elas, 6,8 milhões também pilotam motocicletas.

6,8 milhões de brasileiras estão habilitadas para pilotar motocicletas (Foto: Honda)

Na Bahia, dos 2.873.484 habilitados, 2.100.975 são homens e 772.509 são mulheres. Ou seja, no estado, o número de mulheres com uma carteira nacional de habilitação válida não chega a 25%, valor inferior à média nacional. Entre as baianas que dirigem ou pilotam, 257.373 têm entre 31 e 40 anos, 179.256 entre 41 e 50, 103.736 entre 51 e 60, 89.373 entre 26 e 30 anos e 62.634 entre 18 e 25 anos. 

Existem ainda situações curiosas, como 739 mulheres habilitadas com mais de 91 anos na Bahia, sendo que uma pode dirigir caminhão e outra ônibus. Há ainda 19 com mais de 101 anos que continuam portando uma CNH do tipo B, para guiar automóveis.

Os números oficiais mostram que o contingente de condutoras cresceu cerca de 2,5% no país entre 2013 e 2020 e que o número de mulheres envolvidas em sinistros de trânsito é menor. Dados do Ministério da Saúde apontam que 82% das vítimas fatais são do gênero masculino.

“A mulher é um público cada vez mais importante para a medicina do tráfego e sua conduta oferece um exemplo a ser seguido por toda a sociedade”, afirma Antonio Meira Júnior, presidente da Abramet. “A mulher é mais cuidadosa, mais atenta aos limites de velocidade e mais prudente na direção. Essa postura contribui decisivamente para a prevenção de sinistros e deveria ser adotada por todas as pessoas”, destaca o médico.

Reflexo no seguro
A postura das mulheres no trânsito tem reflexo no bolso, como no momento da contratação de uma apólice de seguro para o veículo. Uma pesquisa da Minuto Seguros aponta que a proteção para os dez automóveis mais vendidos em Salvador em fevereiro podem ser até 31,6% mais baratas para mulheres, mas, na média, a redução é de 26,4% em relação aos homens.  

A pesquisa contemplou pessoas de 35 anos e casadas. As cotações utilizadas foram da Azul, Alfa, Aliro, Allianz, Bradesco, HDI, Itaú, Liberty, Sompo Seguros, Mapfre, Mitsui, Porto Seguro, Tokio Marine, SulAmérica e Zurich.

“De forma geral, as mulheres são mais cuidadosas ao volante, se envolvem em menos acidentes e, normalmente, os danos causados neles são menores do que os causados em acidentes com motoristas do sexo masculino”, afirma Manes Erlichman, sócio-diretor da Minuto Seguros.

Os dados fornecidos pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) mostram que o total de sinistros envolvendo mulheres gera valores de indenização menores do que os que acontecem com os homens, o que colabora para explicar o fato do público feminino ser considerado de menor risco pelas seguradoras.

A soma das indenizações pagas às mulheres representa cerca de 63% do total do valor segurado. Isso significa que a cada R$ 100 de seguro pago por elas, elas recebem uma indenização de R$ 63. Já entre os homens, as indenizações representam 66% do total do valor segurado.

Maior concentração
A Abramet destaca que campanhas para o uso de cinto de segurança em gestantes e o uso da cadeirinha infantil, medidas defendidas pela associação que se tornaram lei, ampliaram a segurança da mulher ao volante. 

“A Lei das Cadeirinhas, assim como a diretriz da Abramet, além de proteger a criança também dá à mulher condutora mais concentração, sabendo que a criança está segura dentro do veículo”, avalia Rita Moura, diretora da federada Abramet em São Paulo.

Mesmo grávida, a mulher pode continuar guiando um carro (Foto: Volvo)

História e pioneirismo
Registros históricos revelam que, em 1888, Bertha Benz foi a primeira pessoa a dirigir um automóvel por longa distância. Na época, com 39 anos, acompanhada apenas de seus filhos, ela contornou os obstáculos que o veículo apresentava no percurso como falta de combustível, resfriamento do motor e problemas com o sistema de freios. Esta viagem, feita na Alemanha, foi essencial para o desenvolvimento técnico do automóvel.

A recriação da primeira viagem a bordo de um automóvel (Foto: Daimler)

No ano seguinte, na França, a duquesa Anne d'Uzé foi a primeira mulher a obter habilitação para dirigir. No Brasil, a primeira a tirar carteira de habilitação foi Rosa Helena Schorling. A motorista habilitou-se em 1932 no Espírito Santo. Em 1933, conquistou o direito de conduzir motocicletas.

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