'Não há arrependimento', diz deputado do PSL que arrancou cartaz sobre racismo

brasil
20.11.2019, 14:16:00
Atualizado: 20.11.2019, 14:25:20
(Divulgação/Câmara dos Deputados)

'Não há arrependimento', diz deputado do PSL que arrancou cartaz sobre racismo

Coronel Tadeu afirma que foi quem atacada foi a Polícia Militar

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"Não há arrependimento. Quem foi atacada foi a Polícia Militar", afirma o deputado Coronel Tadeu (PSL-SP) que entrou no centro do debate político nesta terça-feira, 19, ao arrancar um cartaz em um exposição sobre o racismo na Câmara.

Na imagem, um policial de arma na mão e um rapaz negro estendido no chão, com a camisa do Brasil e algemado. No cartaz, lia-se a frase "O genocídio da população negra".

O ato do deputado provocou reação imediata de deputados que acusaram o militar de racista. Tadeu se defende elogiando a exposição e negando qualquer tipo de preconceito.

Por que o senhor arrancou o cartaz?

A exposição é maravilhosa, sobre racismo. Sou favorável à pauta. Mas, no meio de tanto cartaz bonito, você vê uma agressão como essa contra a Polícia Militar? Isso é inaceitável.

O senhor se arrepende de seu ato?

Essa é uma casa de debate e, por ser a casa do debate, você precisa incentivar cada vez mais esse debate. Não me sinto arrependido. Fiz o meu papel eleito por quase 100 mil famílias de policiais do Estado de São Paulo. Só que, no momento em que venho para a Câmara dos Deputados, eu deixo de representar os policiais e passo a representar toda a sociedade. Eu não poderia admitir uma agressão daquela altura. Quem sabe que a forma não foi tão acertada, mas a medida foi correta. Não há arrependimento. Quem foi atacada foi a Polícia Militar.

O senhor fala em contraponto, mas já havia um ofício da Frente de Segurança Pública pedindo a retirada do material. O senhor não acha que ultrapassou o limite?

Infelizmente, eu não sabia que havia o ofício. Se eu soubesse que havia um pedido formal de retirada, eu não teria feito isso. Meu estilo não é de usar esse tipo de atitude.

O senhor está sendo acusado de ter quebrado o decoro parlamentar...

De jeito nenhum. Não ofendi um parlamentar. Não ofendi nenhuma pessoa. Simplesmente eu exerci o meu mandato. Mais do que nunca defender quem precisa ser defendido. E, aqui, estamos tratando de uma agressão e não de uma exposição. Estamos tratando de uma agressão a um determinado público. E isso não pode ser permitido

O senhor foi acusado de racismo por essa atitude...

Nesse momento as vítimas de racismo foram os polícias que foram acusados de serem os executores, homicidas. A mensagem é imprópria e não deveria estar dentro da Câmara dos Deputados.

A sua atitude hoje ocorre no dia em que está confirmado que a morte da menina Agatha Moreira, de oito anos, no Rio, foi causada por um tiro partido por um policial...

Pergunta ao policial se ele queria matar a menina. Quantas vítimas de bala perdida nós temos. O fato de ser hoje é apenas uma mera coincidência. Aquele projétil não tinha aquele endereço e, infelizmente, ele vitimou uma criança. Polícia não quer matar inocente.

Entenda o caso:
O deputado Coronel Tadeu atacou uma exposição na Câmara dos Deputados sobre o Mês da Consciência Negra. Ao realizar o ato, ele afirmou a exposição contribui para a "divisão racial do povo brasileiro".

O político do PSL arrancou um cartaz da parede que falava em genocídio da população negra e trazia uma ilustração de um policial se afastando com uma arma após atirar e matar um homem negro algemado, com a camisa com bandeira do Brasil. 

"O que isso quer dizer? Que a polícia só mata preto?", ele tira então o cartaz da parede. "Isso aqui não vai ficar na parede. Isso aqui é contra a polícia (...) Eu vou queimar o cartaz". 

O ataque foi criticado na Câmara. Deputados negros classificarma o ato de racista. Por outro lado, parlamentares da bancada da bala afirmaram que a placa é antipolícia. Políticos de oposiçaõ prometeram representar criminalmente contra Tadeu na Procuradoria-Geral da República, além de denunciá-lo ao Conselho de Ética da Câmara.

Carlos Latuff, responsável pela ilustração, afirmou que o gesto é uma censura à denúncia contra a violência policial. "Quando esse policial promove essa agressão, está confirmando a mensagem da charge. Não so a violência policial, como a tentativa de censura de denúncia contra a violência policial. A truculênia da polícia brasileira é, sim, o grande agente do genocídio da população negra e pobre no Brasil", disse à Época.

Veja o vídeo do Coronel Tadeu, postado pelo colunista Gullherme Amado, da Época:

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