'Não vamos permitir shows agora em Salvador', diz ACM Neto

coronavírus
03.09.2020, 11:07:00
Atualizado: 03.09.2020, 11:23:44
(Valter Pontes/Arquivo/Secom PMS)

'Não vamos permitir shows agora em Salvador', diz ACM Neto

Prefeitura vai anunciar que eventos terão autorização com novo limite de até 100 pessoas

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O prefeito ACM Neto afirmou nesta quinta-feira (3) que concorda com o novo limite de 100 pessoas por eventos permitido pelo governo do Estado, mas que shows não serão liberados nesse primeiro momento. Segundo Neto, ele provavelmente divulgará nesta sexta detalhes sobre como poderá ser colocado em prática essa capacidade de pessoas. "Vamos estipular que atividades que podem ou não acontecer", diz. 

"Entendemos que é um limite adequado para atividades, reuniões etc. Me perguntaram: show? Nós não vamos permitir show, deixando isso aqui claro. Show está fora de cogitação, não é o momento da gente permitir show ainda em Salvador", disse Neto, durante evento de inauguração de novo elevado na obra do BRT, na avenida ACM.

Ele disse que outras atividades devem ser liberadas. "Que não tragam risco, que possam ser feitas com distanciamento, nesse limite de 100 pessoas. O aumento do limite é positivo, mas não (cabe) em todas as atividades", considerou. "Como disse, show musical, com banda, som eletrônico, não dá. Uma coisa que deverá vir é permitir o voz e violão no restaurante, ou no ar, mantidos os mesmos limites atuais de bares e restaurantes".

O prefeito não cravou nenhuma atividade que será liberada, mas considerou que celebrações religiosas e formaturas para 100 pessoas, mantendo o distanciamento e evitando aglomerações, podem estar incluídas. 

Conversão de leitos e fechamento de hospitais de campanha
Neto falou também sobre a discussão que acontece de conversão de leitos para covid-19 para uso com pacientes de outras doenças. Ele disse que prefeitura e governo do Estado terão uma reunião técnica para tratar do assunto e só depois uma decisão será tomada, em conjunto. Mas o prefeito antecipou que não acha que seja o momento de fechar os hospitais de campanha.

"Estamos discutindo e qualquer decisão só será tomada em conjunto, que foi o que aconteceu desde o início da pandemia. Começamos a ter uma folga nos leitos de covid. mas existe uma demanda de pacientes que precisam de internamento hospitalar e que estão com outras doenças. As duas equipes estão conversando sobre essa possibilidade", confirmou.

Neto acredita que ainda não há uma "folga" suficiente para desmontar os hospitais específicos para pacientes com covid-19. "Não acho que seja o momento agora de desmobilizar os hospitais de campanha. Acho que a gente ainda deve deixar funcionando", diz. "Caso entendam que o caminho é transformar leitos, a gente começaria transformando ns hospitais regulares", sugere. "Muita gente ficou sem se tratar no período da pandemia, não procurou o médico. Agora, certas doenças se agravaram".

Com o retorno dos leitos para covid-19 dos hospitais regulares para leitos não-covid, isso ajudaria a diminuir a demanda de internamento de outras doenças que foram se acumulando na pandemia. "Bem administrado e com margem de segurança para desmobilizar os hospitais de campanha, aí a gente começa. Acho que hoje ainda não temos essa margem de segurança. Não sou contra a conversão de leitos, ela pode acontecer, vamos ver essa reunião técnica do município e do estado", diz. "Caso haja e a taxa de ocupação continue administrada, vamos pensar no início do processo de desmobilização".

Transporte público
Neto também falou sobre a situação do transporte pública em Salvador, que disse ser o principal problema da cidade atualmente. "A maior dor de cabeça que eu tenho hoje é o transporte público. Vocês sabem que chegou ao ponto de fazer intervenção em uma das empresas", disse."Hoje tem intervetor da prefeitura chegando 4h30 em garagem de ônibus para garantir que o ônibus vai rodar".

Ele citou seu envolvimento, através da Frente Nacional dos Prefeitos, na negociação para que o governo federal injetasse auxílio para o município para o setor do transporte. "Mobilizei prefeitos do Brasil, consegui de alguma forma interlocução com o governo federal, chamar atenção para necessidade desse socorro, o governo fez até a MP, mas a Câmara dos Deputados inviabilizou o texto. O projeto final aprovado pela Câmara foi horrível", diz, se referindo à Medida Provisória 938. 

Por conta disso, essa semana Neto esteve em Brasília para se encontrar com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para entregar um documento com sugestões de alteraçãoes à MP para que ela "tenha efetividade e possam vir recursos para Salvadro".

"Esse periodo de pandemia gerou um desequilibrio grande nos sistemas. A prefeitura vai ter que aportar recurso", disse Neto. "Uma parte vamos ter que pagar para o sistema não quebrar e parar".

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