No mundo das abelhas: meliponário é rota turística para conhecer espécies sem ferrão

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27.03.2022, 07:00:00
Meliponário Pólen Dourado chega a receber 200 visitantes por mês (Foto: Rarison Lima/ Divulgação)

No mundo das abelhas: meliponário é rota turística para conhecer espécies sem ferrão

Localizado na Praia do Forte, Pólen Dourado proporciona o contato com abelhas indígenas nativas e mostra porque é tão importante que elas sejam preservadas

Uma experiência doce e ecológica. As anfitriãs são espécies nativas de abelhas indígenas brasileiras sem ferrão, que convidam o visitante a conhecer de perto o curioso mundo da polinização e entender porque a importância da espécie para o equilíbrio do planeta vai além da colônia. Depois de conhecer o Meliponário Pólen Dourado, vai ficar difícil não bater a vontade de ter sua própria criação no quintal.

O meliponário - que a gente pode chamar também de coleção de colmeias de abelhas nativas sem ferrão - fica na comunidade de Malhadas, em Praia do Forte. Lá, o passeio turístico com duração de 1h30 leva o visitante para conhecer 16 espécies diferentes, além de proporcionar uma degustação de diversos tipos de melis com pólen, como destaca o casal de criadores do espaço, Rarison Lima e Ana Paula Santos.

“A ideia surgiu quando percebemos a deficiência de conhecimento sobre as nativas e o risco eminente de mortalidade pela falta de informação. O objetivo é apresentar as espécies e fortalecer a mensagem de como cada uma delas tem um significado para o meio ambiente”, afirma Ana Paula.

Em média, 200 pessoas chegam a passar pelo meliponário mensalmente, que já recebeu famosos como o nutricionista e marido da cantora Ivete Sangalo, Daniel Cady.  O local conta com uma escola que ensina sobre a cultura das abelhas, chalés com serviço de hospedagem, além de uma lojinha onde são vendidos meliprodutos da marca, entre eles mel, própolis, pólen, sabonetes, repelentes naturais, creme corporal e velas.

O nutricionista Daniel Cady já fez uma visita ao meliponário 
(Foto: Rarison Lima/ Divulgação)

Rarison é ambientalista e Ana, meliponicultora. Antes, o casal tinha uma fábrica de móveis planejados no município de Queimadas, na região centro-norte da Bahia. A paixão começou como uma terapia, quando Ana teve um câncer de colo de útero e Rarison entrou em depressão. A única coisa que tirava ele da cama era cuidar das abelhas, que ganhou de presente de amigos meliponicultores.  

“Começamos em 2017 em nosso sítio, em Riacho da Onça. A partir daí começamos a estudar e conhecer mais sobre as nossas nativas brasileiras. Desde então, não paramos mais e decidimos nos dedicar a elas e a viver com elas e por elas”, relembra Rarison.  

O casal deixou a cidade e se mudou para o litoral decidido a construir o meliponário. Hoje, a visitação turística responde 80% da movimentação do Pólen Dourado. Há pacotes com valores entre R$ 15 e R$ 30 e agendamento de visitas em grupo, escolas ou excursões.  Ana pontua que o serviço que tem mais atraído gente é a melipoterapia, que promove o contato direito com as abelhas Uruçu Nordestina.

“Fazemos uma alimentação externa treinada e assistida.  Várias abelhas vêm ao local, pegam o alimento e fazem uma revoada que dura de 20 minutos a 1 hora, e o visitante tem a oportunidade de ter um contado direto com elas. São sensações únicas, desde o desbloqueio de traumas e de medos de insetos até momentos de paz e controle da ansiedade”, explica Ana.

Jataí, iraí, asa branca, marmeladas, tubiba, mandaguari amarela, boca de sapo, mirins e plebeias são mais algumas das espécies que será possível ver de perto durante o passeio.  Ana Paula diz que o que mais chama atenção no mundo das abelhas é justamente a inteligência dos bichinhos. “É um universo extraordinário. A organização, determinação e foco que as abelhas têm é algo fantástico de se ver e apreciar”, defende.

Fora da colmeia
Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), as abelhas são responsáveis pela polinização de 90% das espécies de flores silvestres e 75% das plantações de alimentos. O que seria do mundo sem abelhas? Quem explica é a bióloga, doutora em Ciências Agrárias e Meliponicultura, Genna Sousa:

“Sem esses insetos, especialmente as espécies nativas, a alimentação das pessoas e a diversidade vegetal seria drasticamente reduzida e haveria uma grande crise na produção”.  

A Desordem e Colapso das Colônias (CCD) chamou a atenção do mundo para a importância das abelhas, como acrescenta Genna.  “No fenômeno, as abelhas desaparecem e não retornam para as colônias com causas já conhecidas, entre elas, o uso desenfreado de agrotóxicos, principal motivo da mortalidade em massa da espécie. Somente no Brasil, até 2020 foram mais de um bilhão de abelhas mortas por agroquímicos”, comenta a especialista.

Genna acredita que tornar o meliponário uma alternativa de passeio turístico é um dos caminhos mais viáveis para a popularização do conhecimento sobre a necessidade de preservação das abelhas. “Tudo deve ter acompanhamento técnico-científico e pedagógico, lembrando que o meliponário com viés de educação ambiental deve ser cadastrado no devido órgão determinado pela legislação em vigor. No mais, é aproveitar, sentir a vibração das abelhas com a natureza e provar seus melprodutos com respeito e consciência”, afirma.


COMO CHEGAR

Meliponário Pólen Dourado

Onde fica:  Comunidade de Malhadas, em Praia do Forte, Litoral Norte

Quanto:  R$ 15 a R$ 30  

Agendamentos e mais informações:  no perfil do Instagram @polendourado ou pelo Whatsapp (75) 99901-6466

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