Nome do PT para disputar governo deve ser escolhido até esta quarta, diz Wagner

bahia
08.03.2022, 05:00:00
Rui Costa, que estava cotado para o Senado, vai continuar “sentado na cadeira de governador”, nas palavras do senador Jaques Wagner (Arisson Marinho/Arquivo CORREIO)

Nome do PT para disputar governo deve ser escolhido até esta quarta, diz Wagner

Em nova reviravolta, PT terá candidato ao governo e Otto vai tentar reeleição

Em mais uma reviravolta na composição da chapa governista para a disputa das eleições estaduais deste ano, o governador Rui Costa (PT) deve permanecer à frente do cargo até o final deste ano, o senador Otto Alencar (PSD) deve buscar a reeleição em Brasília e o vice-governador João Leão (PP), que dava como certo que assumiria como governador tampão pelos próximos nove meses, viu os planos irem por água abaixo. Se nada mais mudar, um nome indicado pelo PT será o escolhido para a candidatura a governador. 

Enquanto o primeiro arranjo após a desistência de Wagner de encarar a disputa eleitoral desagradou Otto Alencar, o segundo, anunciado nessa segunda-feira (7), mexeu com Leão, que se reuniu ontem com o seu partido para decidir que caminho irá tomar – permanecer na base de apoio ao governo do estado ou buscar novos ares. Para aumentar a chateação do líder pepista, o anúncio da nova costura chegou até ele através de uma entrevista ao vivo, concedida por Wagner à rádio Metrópole, segundo informação publicada da coluna Satélite, do CORREIO.  

Três nomes estão colocados como os possíveis pré-candidatos do partido: o secretário de Relações Institucionais, Luiz Carlos Caetano; o secretário de Educação, Jerônimo Rodrigues, além da prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho. A expectativa é que a escolha aconteça esta semana, com os mais otimistas apostando numa solução até amanhã. O nome deverá ser escolhido por aclamação, sem bate-chapa, para evitar ainda mais desgastes internos, explica uma liderança do PT. 

“Eu pedi a entrevista aqui para fazer um anúncio”, disse Wagner na emissora de rádio. “Meu nome estava colocado, eu tomei a minha decisão, que para mim é muito mais importante estar com Lula (ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva) na reconstrução do Brasil a partir do ano que vem”, explicou. Segundo ele, para “fortalecer a chapa”, pensou-se num desenho com o Rui concorrendo ao Senado e Otto, ao governo. “Era essa a primeira estratégia que eu tinha montado, eu particularmente confio tanto em João Leão quanto em Otto”, lembra. Ele conta que levou o assunto ao partido e enfrentou resistência, além da insistência de Otto em continuar no Senado. “No sábado, nós tivemos a última conversa, eu, Otto, Rui e  Caetano, que é o articulador político de Rui e ele (Otto), apesar de tudo combinado com o PP e João Leão, não demonstrava tesão para fazer campanha e campanha sem tesão não existe”, ponderou. “Campanha é uma coisa difícil”. 

“Otto não demonstrou essa vontade, realmente não era pedido dele, era uma solução que a gente estava montando”, lembra. “Então, eu, sentado com Rui, por isso que eu marquei essa entrevista aqui, por incrível que pareça não vazou nada... Rui decidiu que vai ficar sentado na cadeira e nós vamos apresentar um nome do PT para a cabeça de chapa”, conta. “Sentado na cadeira, ele vai querer fazer, como Lula fez com Dilma, como eu fiz, um nome do partido”, explicou. 

“Aí vai ter que conversar de novo com o PP e com o PSD, para ver como é que a gente ajusta a chapa, porque João Leão já estava ciente de que em 1º de abril sentava na cadeira. Com isso ele não senta”, diz.

Wagner disse já ter conversado com a direção do PT no estado e a expectativa é de que o nome seja escolhido amanhã. “Temos três bons nomes, dois deles muito testados eleitoralmente. Caetano já ganhou três ou quatro em Camaçari, Moema ganhou quatro em Lauro de Freitas. E Jerônimo é um cabra de Feira (de Santana), que tem sucesso absoluto por em tudo o que pega para fazer”, avalia. 

Esse arranjo ainda será apresentado ao ex-presidente Lula, diz Wagner. Mas para ele, o governador Rui Costa deve ter um papel decisivo na escolha do seu sucessor. “Se você colocar qualquer nome apoiado por Lula, esse nome sai na faixa dos 30%”, aposta Wagner. Ele aposta numa campanha estadual bastante conectada com a disputa nacional. 

Ainda segundo Wagner, a escolha do nome para a posição de vice vai depender de uma conversa com o PP, mas a permanência de Rui já estaria definida.  Moema declarou que vai trabalhar pela unidade do grupo político. Jerônimo e Caetano não retornaram os contatos da reportagem.

Rui evita comentar: ‘tem que cobrar de quem falou’
O governador Rui Costa evitou comentar detalhes das articulações do seu grupo político e sugeriu que as perguntas sobre o assunto fossem feitas a “quem falou” em público sobre o assunto. Ou seja, Wagner. O governador disse que pretende se pronunciar no próximo dia 13, quando tiver um quadro definido. 

“Eu não vou ficar comentando parte do diálogo que nós estamos tendo internamente até o fechamento, não vou ficar comentando especulações”, avisou. “Não dei nenhuma declaração de formação de chapa nem parte da chapa. Se alguém quer cobrar alguma coisa tem que cobrar de quem falou. Eu não falei nada em público. Vamos dialogar com partidos e sempre com a direção partidária. É a direção que dialoga com os deputados”, disparou o petista. 

As declarações foram dadas durante a entrega de equipamentos e ambulâncias para municípios na manhã desta nesta segunda, no Parque de Exposições, em Salvador. Presente no evento, Otto foi taxativo ao afirmar sua decisão de disputar a reeleição no Senado e manter a aliança de 11 anos com PT, “independente da escolha” a ser feita. Segundo ele, a coordenação do processo será feita por Wagner. “E nunca me coloquei como candidato a governador, quem colocou foram vocês na imprensa. Sempre me coloquei como candidato a senador”, avisou. Ele sinalizou que apoiará a decisão tomada pelo PT. “É uma situação já resolvida. Não tem mais o que eu explicar. Não tem nenhum dificuldade de caminhar com o candidato que vier indicado lá pelo PT”, afirmou, descartando possibilidade de rompimento.  

Em relação à insatisfação no PP, a aposta petista é que os aliados permanecerão onde estão. A leitura é que o espaço ocupado pelo partido na Bahia é bom. “Cresceu recentemente”, lembra um integrante do governo. Fora do PT, a leitura é de que abriu-se espaço para uma crise mais séria. Por mais espaço que o PP tenha hoje, as decisões partidárias este ano miram o presente. Ou seja, tudo depende muita da viabilidade eleitoral da chapa que será apresentada. 
Leão repostou ontem a foto de um encontro com lideranças do PP para tratar da situação, mas não fez comentários públicos até o fechamento desta edição. 


 



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