Novos e velhos gestores tomam posse nas capitais do Brasil

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02.01.2021, 07:00:00
Bruno Covas tomou posse em São Paulo (Foto: Afonso Braga/Rede Câmara SP)

Novos e velhos gestores tomam posse nas capitais do Brasil

Em São Paulo, Bruno Covas, no Rio, Eduardo Paes, e em Belo Horizonte, Alexandre Kalil; no Sul, Sebastião Melo assume em Porto Alegre e, no Nordeste, João Campos, em Recife

Na cerimônia de posse do seu segundo mandato como prefeito de São Paulo, o tucano Bruno Covas afirmou na sexta-feira que a cidade de São Paulo está pronta para vacinar a sua população. “As vacinas vão chegar e a nossa cidade está pronta para vacinar em massa”, disse em seu discurso, acrescentando que ainda é necessário manter as medidas de isolamento social de combate ao coronavírus. O ato ocorreu na Câmara dos Vereadores de São Paulo.

Em um discurso alinhado ao do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), seu aliado político, Covas afirmou que “o negacionismo está com os dias contatos” e que agora é necessário banir o “vírus do ódio”. O prefeito defendeu ainda que a atividade política “não é para lacradores”, em referência aos governantes que adotam um perfil mais extremado contra os adversários. “As urnas deram o recado de moderação muito claro”, argumentou.

O ato serviu como cerimônia de posse de Covas, do vice-prefeito Ricardo Nunes (MDB) e dos 55 vereadores da 18ª Legislatura (2021-2024) da Câmara. Doria, que participou virtualmente, também voltou a defender a necessidade da vacina para solucionar a pandemia de coronavírus.

A natureza híbrida - presencial e virtual - da cerimônia causou alguns enguiços na hora em que cada um dos 55 vereadores tinham que responder “assim o prometo” a um juramento para dar início ao mandato. A Mesa que conduziu a cerimônia foi presidida pelo vereador Eduardo Suplicy (PT), o mais idoso entre os eleitos. Milton Leite, presidente da Câmara na legislatura que se encerra, atuou como o secretário da Mesa, onde também se sentaram Covas e Nunes

Após o discurso de Covas, Suplicy se dirigiu a ele publicamente para criticar o decreto emitido pelo prefeito e pelo governador que vai eliminar a partir de fevereiro a gratuidade do transporte público para idosos de 60 a 65 anos. Do lado de fora da Câmara, cerca de dez manifestantes protestavam contra a medida.

Rio de Janeiro 
Já na capital fluminense, o prefeito Eduardo Paes (DEM) informou em seu discurso de posse que vai propor a criação de uma lei de emergência fiscal, que tem por finalidade criar um arcabouço legal para evitar que eventuais futuros prefeitos arrasem com as contas públicas.

“Vamos desindexar contratos e desvincular receitas, desobrigar despesas e ampliar todo o arcabouço de responsabilidade fiscal. Com isso, vamos montar um novo marco legal que não permitirá a qualquer prefeito destroçar as contas do município”, disse Paes em referência à situação deixada pelo seu antecessor, o ex-prefeito Marcelo Crivella, que cumpre prisão domiciliar.

Eduardo Paes, prefeito do Rio, vai propor lei de emergência fiscal (Foto: Renan Olaz/CMRJ)

O prefeito publicou, na sexta-feira, no Diário Oficial do Município, 45 decretos para tentar organizar as contas da cidade, após receber um “caixa zerado”, segundo ele.

Além das medidas fiscais, Eduardo Paes falou que o foco da prefeitura será o combate à corrupção, que será comandado pela recém-criada Secretaria de Governo e Integridade Pública, sob o comando do novo secretário Marcelo Calero, advogado, ex-ministro da Cultura do governo Michel Temer e deputado do Cidadania. A nova secretaria substitui a antiga Casa Civil.

Também por decreto, a prefeitura do Rio criou grupos para investigar a gestão anterior, com auditorias previstas para as folhas de pagamento e as contratações diretas sem licitações realizadas por Crivella, atualmente em prisão domiciliar. “A transformação que a população carioca tanto anseia passa, necessariamente, por uma mudança radical nas práticas da administração pública, assim como na relação e no trato com a coisa pública”, afirmou, no discurso de posse. Segundo Paes, a peça-chave dessa direção será o recém-criado Programa Carioca de Integridade Pública e Transparência - Rio Integridade, uma plataforma que tem por objetivo assegurar a governança e a conformidade da administração pública, com práticas de transparência e gestão de dados. 

Belo Horizonte 
Em Belo Horizonte, o prefeito reeleito Alexandre Kalil (PSD), assumiu o cargo para mais quatro anos com dois desafios e uma decisão política a tomar antes mesmo do fim da primeira metade do mandato que se inicia. A adoção de medidas para reaquecer o comércio da cidade, afetado pela pandemia da covid-19, e a realização de obras para evitar mais mortes e nova destruição do município pelas chuvas, como ocorreu em janeiro de 2020.

Já a decisão política tem a ver com o futuro de Kalil na vida pública, com o prefeito tendo que definir se vai disputar o governo do estado no ano que vem, deixando a prefeitura nas mãos do vice, Fuad Noman (PSD). O tempo para desincompatibilização é de seis meses antes do pleito. Seguidos os prazos eleitorais pré-pandemia, Kalil teria que deixar o cargo em abril de 2022.

Kalil e Fuad participaram de forma remota da posse. Em curto discurso via internet, o prefeito justificou a ausência pela pandemia, por ser portador de comorbidades, ter 61 anos, e afirmou que Belo Horizonte continuará sendo plural. “A cidade é LGBT, é dos cristãos, dos evangélicos, dos negros, dos imigrantes e assim continuará sendo”. Kalil não falou sobre planos ou projetos, para a cidade ou próprios.

Projeções sobre o futuro político do prefeito são evitadas, ao mesmo publicamente, também no entorno do chefe do Poder Executivo municipal. O possível sucessor de Kalil fala apenas dos desafios. “Temos muitas obras para fazer e empresas do comércio para recuperar. O prefeito vem afirmando isso. O ano de 2020 foi o da pandemia. O de 2021 será o da recuperação da economia da cidade”, declarou, na véspera da posse. 

Porto Alegre
Por fim, o novo prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB), tomou posse ao lado de 36 vereadores que assumiram o cargo na Câmara Municipal. No discurso, Melo falou sobre a recuperação da cidade após a crise provocada pela pandemia.

“É preciso levantar o otimismo da nossa cidade. A cidade vive um momento de grande depressão, perdemos muitos empregos, muitas empresas já não voltam mais. É preciso equilibrar o desenvolvimento econômico com proteção social”, destacou.

Sebastião Melo quer recuperar Porto Alegre após pandemia (Foto: Reprodução)

“Vamos trabalhar pela vacina. Acredito que o Governo Federal vai colocar a vacina à disposição da população, creio piamente nisso. Vacina não pode ser ideológica, de onde vier é bem vinda, desde que seja testada. Mas se o Governo Federal não der sinais claros, nós vamos fazer um consórcio metropolitano, nós vamos comprar a vacina para o povo de Porto Alegre, inclusive removendo orçamento de um lugar pra outro, porque a vida em primeiro lugar”.

O prefeito Sebastião de Araújo Melo tem 62 anos, é casado com Valéria Leopoldino, 59 anos, declara ao TSE a ocupação de advogado e tem superior completo. Ele tem um patrimônio de R$ 458.067,87. Já o vice Ricardo Gomes, do MDB, tem 40 anos, é separado judicialmente, declara ao TSE a ocupação de advogado e tem superior completo. O patrimônio declarado é de R$ 111.150,51.

Aos vereadores, o novo prefeito falou que preza pelo diálogo.  “Quero dizer olhando pra cada um de vocês, vocês terão de mim um prefeito de diálogo, um prefeito que respeita profundamente as diferenças e sabe conviver com elas. A democracia representativa e participativa devem convergir para uma cidade melhor. Uma demanda que vem de um vereador é legitima também”. 

As maiores bancadas serão do PSDB, PSOL e PT, com quatro vereadores cada um. Cabe ao prefeito decidir onde aplicar os recursos repassados ao município pelo Estado ou pelo governo federal e como administrar o que é arrecadado de impostos, como IPTU e ISS.

Melo já anunciou todos os nomes que ocuparão as secretarias, inclusive do vice, Ricardo Gomes, que deve ficar no Desenvolvimento Econômico. O prefeito também precisa trabalhar junto com os vereadores, que representam os cidadãos no Legislativo.

Recife
Com um discurso de combater as desigualdades e injustiças, o prefeito eleito do Recife, João Campos (PSB) e a vice-prefeita Isabella de Roldão (PDT) tomaram posse na Câmara dos Vereadores. Também assumiram os cargos os 39 parlamentares eleitos para a  legislatura 2021-2024 da Casa de José Mariano.

Filho do ex-governador Eduardo Campos, o prefeito João Henrique de Andrade Lima Campos tem 27 anos, é solteiro, declara ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a ocupação de engenheiro e tem ensino superior completo. Ele tem um patrimônio declarado de R$ 242.769,80.

Campos obteve 447.913 votos, que representaram 56,27% dos válidos. A prima dele, Marília Arraes (PT), com quem ele disputou o segundo turno, obteve 348.126 votos, ou 43,73%.

João Campos agradeceu ao governador Paulo Câmara e ao agora ex-prefeito Geraldo Julio (PSB), bem como os 12 partidos que compuseram a Frente Popular do Recife. O novo prefeito do Recife elogiou a gestão do ex-prefeito Geraldo Julio no combate à pandemia do novo coronavírus e disse que pretende buscar um plano municipal de aquisição do imunizante.

“O meu compromisso, com todo o povo do Recife, é de continuar enfrentando essa batalha contra o coronavírus com coragem. Jamais me omitirei enquanto houver vidas em risco. Não cairemos na armadilha da negação da ciência. A nossa primeira grande prioridade será a imunização da população. Lutaremos dia e noite, de forma ativa, pela vacina. Juntos, vamos terminar de vencer essa guerra”, afirmou.

Campos disse, ainda, que pretende trabalhar para fortalecer a educação pública no Recife. “É somente por meio de uma escola pública e de qualidade, que poderemos construir uma cidade em que todos tenham as mesmas oportunidades. Da tribuna desta casa, firmo hoje o compromisso de que trabalharei, todos os dias, para que um dia o Recife tenha a melhor educação pública de todas as capitais do país”, declarou.

Goiânia
O novo prefeito de Goiânia, Maguito Vilela (MDB), iniciou seu mandato ainda sedado em um leito de UTI do Hospital Albert Einstein, em São Paulo (SP). Ele está internado desde 27 de outubro para tratar graves complicações da covid-19. Na sessão solene da Câmara Municipal para a posse de vereadores e dos eleitos na disputa majoritária, esteve presente apenas o vice-prefeito, Rogério Cruz (Republicanos).

O boletim médico mais recente informava que Maguito segue em tratamento de hemodiálise, traqueostomizado, respirando com auxílio de ventilação, com níveis adequados de oxigenação. “Responde aos estímulos e apresenta longos períodos de despertar”, completa o informe.

Com o agravamento de seu quadro de covid-19 e a internação no fim de outubro, o ex-governador de Goiás nem sequer pôde comparecer à urna para votar na própria chapa. Nos exercícios que a equipe do Einstein desempenha no que chama de “períodos de despertar”, chegou-se a comentar com Maguito sobre sua vitória na eleição, mas os médicos advertem que não é possível saber o nível de percepção do paciente nesses momentos.

Ainda durante a campanha em Goiânia, a chapa vencedora foi duramente criticada por seu adversário no segundo turno, o senador Vanderlan Cardoso (PSD). O parlamentar alegava haver omissão do então candidato a vice e protagonismo do filho de Maguito e presidente estadual do MDB, Daniel Vilela (MDB). Até que o prefeito se recupere, o mandato será comandado por Cruz.

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