O dia em que Bell Marques 'entregou' Marrom no Carnatal

marrom
24.04.2021, 05:36:00
Bell Marque no Corredor da folia em Natal (Foto de Fábio Cunha)

O dia em que Bell Marques 'entregou' Marrom no Carnatal

Quando passava em frente ao camarote da festa em Natal, cantor perguntou, ao microfone, onde estava o jornalista. Quem souber, morre...

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Bell Marques, desde os tempos do Chiclete com Banana, é o artista que mais participa dos carnavais fora de época. Principalmente o Fortal, em Fortaleza, e o Carnatal, em Natal, lugares em que ele é sucesso sempre.

Eu já frequento essas festas há mais ou menos uns 20 anos. E quando tinha entrevista coletiva, eu sempre estava presente. Ou então dava uma passadinha na concentração dos blocos, falava com Bell, fazia a tradicional foto, e depois ia para o camarote da produção ver a passagem dos trios. Esse ritual eu faço com a maioria dos artistas baianos que está no evento.

Assim como Durval Lélys, Bell sempre que passa em frente dos camarotes e me vê faz uma brincadeira, pergunta se estou curtindo, tudo isso com aquele jeito carinhoso que ele sempre teve comigo.

Cada Carnaval fora de época - ou micareta, como algumas pessoas chamam - é uma festa. Mas teve um ano, se não me falha a memória, entre 2014 e 2015, que Bell aprontou uma comigo em pleno corredor da folia do Carnatal.

A festa em Natal acontece no primeiro fim de semana de dezembro, de quinta-feira a domingo, em torno da Arena das Dunas. Teve um ano que foi realizada no meio do mês mas, logo em seguida, retornou ao formato original. Normalmente Bell toca no mínimo três dias.

No primeiro dia eu estava no hotel mais chique da capital potiguar, onde Bell, por acaso, estava hospedado. Era o hotel Serhs Natal. Um nome de difícil pronúncia.

Foi um presente de Roberto e Diva, sócios da produtora Destaque, que me hospedaram lá. O hotel é maravilhoso, porém bastante rigoroso no quesito segurança. Você não pode receber ninguém no seu quarto, a não ser que seja hóspede.

Bell e eu num dos Carnatais (Foto: Acervo pessoal)

Na quinta-feira, fui convidado pela produção para ir na van dos músicos, que sairiam cedo do hotel para passar o som, preparar o ambiente, enfim, deixar tudo bonitinho para levantar o poeirão. Como tinha chegado de viagem nesse dia, falei com meu querido amigo José Mion, assessor de imprensa de Bell, que eu declinava do convite porque iria descansar um pouco, e iria mais tarde.

Acontece que, nesse dia, no meio da tarde, recebi um telefonema de um amigo que estudou comigo em Londres, no ano de 2010, e estava em Natal de férias havia uma semana. Queria me ver.

Adorei e marcamos no hotel. Convidei-o para ir comigo ao circuito. Ele revelou que não curtia Carnaval e, por isso mesmo, tinha marcado a viagem de volta para a sexta-feira.

Fomos jantar. Conversa vai, conversa vem, quando eu vi, na televisão que estava ligada no restaurante, estava passando Bell Marques. Aí me toquei que o desfile havia começado.

Paramos de comer por um instante e olhamos para a telinha. Nesse momento, Bell parou, como de costume, em frente ao camarote. Não me viu e perguntou pelo microfone: 'Cadê Marrom? Onde ele está? O que estará fazendo?' E deu aquele sorriso maroto. Pronto. Fiquei famoso em Natal (rs).

Não demorou muito e Mion me liga: “Marronzito, cadê você? Bell lhe procurou”. Eu tentei dar, como se diz na Bahia, 'o migué': estava no camarote, só que na hora que vocês passaram, eu fui pegar uma bebida. Claro que não colou. E eu, que sou um péssimo mentiroso, terminei falando a verdade para Mion. Com uma condição: que ele não comentasse nada com ninguém.

Estava tranquilo porque ainda tinha mais três dias de Carnatal, e eu estaria lá, com certeza. Na sexta-feira bem cedo me arrumei peguei meu crachá e fui lindo e Marrom para o Circuito.

Cheguei cedo e me posicionei bem na frente do camarote para ser visto. Foi tiro e queda. Quando Bell passou e me viu, bradou: 'olha Marrom aí, o sumido'. Todos riram. E eu para não perder a pose: 'oxente! Eu estava aqui ontem' (rs).

De sexta-feira até domingo eu tive que ficar explicando a todo mundo que encontrava o motivo do meu “sumiço”. Claro que a resenha foi grande. Mil insinuações que eu estava namorando, paquerando, fazendo alguma coisa para ninguém saber. Foi barril.

Fiquei escolado. A partir de então, em todos os carnavais fora de época eu chego cedo no camarote, escolho o lugar de maior visibilidade e só saio quando o desfile termina. Só assim eu posso dar minhas escapulidas quando termino de fazer a cobertura. Afinal, ninguém é de ferro.

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