O que são Small Caps e por que elas são tão visadas por investidores

economia
22.05.2021, 05:04:00
A classificação do porte de uma empresa na Bolsa de Valores é simples (Anthony Shkraba / Pexels)

O que são Small Caps e por que elas são tão visadas por investidores

Já se bateu com esse termo por aí? Entenda de uma vez a classificação da Bolsa de Valores

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Quando um investidor iniciante pensa em entrar para a renda variável e cogita comprar algumas ações, quais empresas vêm logo à mente? Naturalmente, surgem alguns nomes como Vale, Petrobras, Ambev. De fato, essas são as empresas mais visadas na Bolsa de Valores.

Mas o que um investidor que está dando os seus primeiros passos precisa saber é que uma boa carteira não se limita a empresas de grande porte. Muito pelo contrário: algumas companhias menores podem ser até mais atraentes e darem mais retorno no longo prazo.

Daí que, quando esse investidor iniciante abre uma recomendação de carteira, aparece lá um termo em inglês: Small Caps. São justamente essas empresas que têm um porte pequeno.

Mas as 'small' são apenas um tipo de 'cap'. Tem muitas outras por aí, e que eventualmente vão aparecer no seu vocabulário: Large Caps, Mid Caps, Micro Caps… É uma salada bem recheada.

Em mais um capítulo da série do CORREIO voltada para investidores iniciantes, explicaremos o que são Small Caps e porque elas têm recebido tanta atenção. Além disso, abordaremos suas características e porque elas podem se encaixar no seu perfil.


O que são Small Caps?
O que diferencia o porte de uma empresa é justamente o seu valor de mercado. As Small Caps podem assim ser consideradas como ações com menor (small, em inglês) índice de capitalização (cap). Mas, o que isso significa na prática?

Uma empresa considerada Large Cap (grande capitalização) tem um valor de mercado geralmente acima dos R$ 100 bilhões. Acha difícil uma empresa chegar a esse nível? Na B3, a Bolsa de Valores brasileira, existem várias:

  • Petrobras (PETR4)
  • Vale (VALE3)
  • Ambev (ABEV3)
  • Itaú Unibanco (ITUB3)
  • Bradesco (BBDC3)

Essa categoria também é conhecida no mercado financeiro como 'Blue Chips'. Recebem esse termo por serem as ações mais acompanhadas pelos especialistas, por serem protagonistas da Bolsa.

Sendo assim, uma Small Cap é considerada uma empresa que tenha valor de mercado entre R$ 1 bilhão e R$ 10 bilhões. Ainda que a diferença para uma Large Cap seja enorme, algumas empresas muito conhecidas dos brasileiros se encaixam nessa categoria:

  • Azul (AZUL4)
  • CVC (CVCB3)
  • Totvs (TOTS3)
  • Arezzo (ARZZ3)
  • OdontoPrev (ODPV3)

Portes das empresas
O que diferencia o porte da empresa, portanto, não é o valor pelo qual a sua ação é negociada na B3. O preço da ação flutua de acordo com uma demanda própria, baseada na procura e na oferta.

Ou seja, se uma empresa de pequeno porte estiver muito visada pelos investidores, que estão buscando comprar a sua ação e, por outro lado, os acionistas estejam colocando poucos papeis à venda, o preço da ação vai subir.

Sendo assim, é plenamente possível que uma Small Cap esteja com um preço muito alto no pregão. Às vezes, com ações vendidas por valores até mesmo acima das Large Caps.

O que categoriza uma companhia, portanto, é o valor de mercado dela. O seu volume de negócios no Brasil e no mundo, o alcance dela em território nacional, a quantidade de ativos que ela possui. Em suma, o capital que ela possui.

Portanto, seguindo esse critério de valor de mercado – ou de capitalização – as divisões Small Caps e Large Caps não as únicas que aparecem no vocabulário de investimentos:

  • Micro Caps: empresas que possuem valor de mercado abaixo de R$ 1 bilhão . 
  • Small Caps: como já foi dito, são empresas que possuem valor entre R$ 1 bilhão e R$ 10 bilhões.
  • Mid Caps: empresas com valor de mercado entre R$ 10 bilhões e R$ 100 bilhões.
  • Large Caps: como já foi dito, empresas que possuem valor acima de R$ 1 bilhão.

É algo 'fechado'?
A classificação citada acima pode variar muito, inclusive de acordo com a moeda que é considerada. Alguns índices e bolsas podem considerar outros patamares de valor de mercado como parâmetro. Ou até mesmo outros critérios, como o faturamento da empresa.

Em suma, trata-se de uma divisão que não é tão objetiva ou fechada. É uma classificação especulativa. O importante é entender que as companhias possuem portes diferentes, e que há uma nítida diferença entre o comportamento de uma Small Cap para uma Large Cap.

Em geral, as Small Caps contemplam dois tipos de empresas: as companhias novas, que podem atuar em mais de um setor, mas não são líderes no seu segmento; ou organizações antigas, mas que estão concentradas em um segmento menor.

Quais as características?
Pense o seguinte: as Large Caps (ou Blue Chips) são as maiores empresas do país, aquelas que já estão consolidadas e que geralmente dominam algum segmento do mercado nacional.

Sendo assim, apesar de sempre existir riscos na gestão de uma empresa, as Blue Chips apresentem um grua maior de previsibilidade. Oscilam menos com as crises e as mudanças econômicas, mas podem ter uma taxa de crescimento menor por já estarem consolidadas.

Além disso, por serem empresas muito visadas nos pregões da Bolsa, possuem uma liquidez maior. Ou seja, é – teoricamente – mais fácil para um investidor negociar o seu ativo.

Já as Small Caps são, via de regra, empresas que possuem um histórico mais curto de negociação na Bolsa de Valores e que ainda estão buscando crescimento. Podem oscilar mais de acordo com crises dos seus setores e tendências econômicas. Porém, possuem um horizonte de crescimento maior.

E é justamente esse o atrativo de algumas Small Caps para alguns investidores: são empresas que a longo prazo podem crescer substancialmente, dominarem o mercado e assim podem dar mais retornos às pessoas que adquiriram as suas ações.

Ao mesmo tempo, por serem ações com um menor volume de negociações nos pregões da Bolsa, pode ser mais difícil para um investidor vender os seus ativos e assim obter liquidez.

É aquela velha história: quanto maior a possibilidade de retorno, maior é o risco. Portanto, investir em Small Caps requer algum conhecimento de mercado e acompanhamento do desempenho da empresa em seu setor. Ou seja, se ela está indo bem ou se está passando por dificuldades.

Dividendos
Uma diferença importante das Large Caps para as Small Caps está no pagamento de proventos, como dividendos e juros sobre o capital próprio.

As maiores companhias normalmente fornecem dividendos regulares aos acionistas, e que crescem de forma constante, ainda que baixa. Por outro lado, as Small Caps, muitas vezes, não fornecem esse tipo de retorno aos investidores.

Faz parte da estratégia da companhia: as Small Caps podem ser empresas constituídas para crescerem de forma agressiva. Com isso, os lucros obtidos por elas são reinvestidos no próprio negócio, tentando abrir mais lojas, adquirir mais equipamentos, contratar mais pessoal etc. Assim, o lucro não é repassado ao acionista.

Faz parte da troca. Em teoria, quem investe numa Small Cap prefere que a empresa cresça no longo prazo do que pague dividendos com regularidade.

Índice SMLL
A B3 divulga o Índice Small Cap (SMLL)
, que é uma espécie de carteira teórica, composta pelas ações das empresas de menor porte e que têm obtido boa performance de negociações.

Para entrarem nesse índice, o primeiro critério estabelecido pela B3 é de que as ações estejam fora do grupo de principais companhias. Ou seja, daquelas que concentram 85% de todo o valor de mercado da Bolsa de Valores.

Por outro lado, ficam de fora os ativos que são negociados nos pregões a menos de R$ 1. Além disso, o índice considera as ações entre as 99% mais negociadas da bolsa.

Sendo assim, o índice SMLL pode ser uma boa referência para que o investidor iniciante conheça quais são as Small Caps e quais estão com boa performance na bolsa brasileira.

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