Obra criada por Irmã Dulce vive no prejuízo, mas mantém serviços

bahia
26.05.2014, 09:52:00
Atualizado: 26.05.2014, 11:56:02

Obra criada por Irmã Dulce vive no prejuízo, mas mantém serviços

A freira baiana Irmã Dulce, se estivesse viva, completaria 100 anos hoje. Obras sociais fundadas por ela tiveram prejuízo de R$ 8 milhões, no ano passado, mas ao mesmo tempo conseguiram realizar 4 milhões de atendimentos

Há mais de 50 anos, o azul nas Obras Sociais Irmã Dulce se restringe à marca da entidade que lembra a cor das vestes da  religiosa que dá nome à instituição. O dinheiro em caixa tem outra cor: bem vermelho.  Em 2013, o orçamento fechou com prejuízo de R$ 8 milhões. Porém, seguindo a regra da sua fundadora -  a freira baiana Irmã Dulce  que completaria hoje 100 anos caso estivesse viva - os atendimentos só crescem e a porta nunca se fecha. Apesar da falta de dinheiro, em média, são quatro milhões de atendimentos por ano. 

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“Apesar do déficit no orçamento, nós só crescemos em número de atendimentos e na assistência dos procedimentos. A conta quase nunca fecha, mas contamos com as doações para manter a porta sempre aberta para quem precisa. Hoje, somos a maior rede de assistência integral pelo SUS do Nordeste”, conta a superintendente das obras, Maria Rita Lopes Pontes, sobrinha da religiosa.

Quando morreu, em 1992, Irmã Dulce deixou em sua carta-testamento (imagem ao lado) o pedido para que alguém da sua família assumisse a missão de comandar a instituição. “As dificuldades financeiras são muitas. Mas, ela (Irmã Dulce) continua fazendo milagres diários para as obras seguirem abertas”, ressalta Maria Rita.

Por ordem, Irmã Dulce manifestou o desejo que sua sobrinha assumisse a obra, depois sua irmã - Dulce Maria de Souza Brito Lopes Pontes e por último sua tia, Ana Maria da Silva Carneiro Lopes Pontes. Dulce Maria, ou dona Dulcinha, chegou a trabalhar nas obras, mas já é falecida. Ana Maria atuou por um tempo, mas se afastou.

Atualmente, Maria Rita é a única pessoa da família que trabalha na instituição. Questionada sobre o futuro administrativo das Osid, ela ressalta que as obras  seguem um caminho para que um dia não precise mais da atuação de ninguém da família da freira.

“As obras seguem hoje o exemplo de profissionalização que Irmã Dulce começou nos anos 1980. Chegamos hoje em um patamar que quem assumir a obra só tende a crescer. Irmã Dulce sempre teve uma preocupação de manter a natureza religiosa  nas obras. Hoje, contamos com o apoio das irmãs da Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, que Irmã Dulce fez parte, da ordem dos freis capuxinhos e da instituição das Filhas de Maria. Isso me deixa mais tranquila para não tirar o caminho da obra”, conta Maria Rita que não descarta a aposentadoria.

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“A missão de amar e servir é uma das defesas da família.  Nunca vou me afastar das obras. Graças a Deus não tenho filhos (biológicos) e vivo para a obra e pensando nos meus filhos mais velhos (idosos atendidos pelas Osid).

Mas  quando eu conseguir um apoio para o braço educacional das obras, conseguirei me aposentar”, destaca Maria Rita referindo-se ao trabalho desenvolvido no Centro Educacional Santo Antônio, em Simões Filho, que foi fundado por sua tia e hoje abriga 700 crianças e adolescentes.

Doações
O gestor administrativo e financeiro das obras, Milton Carvalho, destaca que  dos R$ 20 milhões que as obras receberam, cerca de 3,5% foram doações. “Só é possível manter as obras com as doações. Em 2013, foram  cerca de R$ 400 mil por mês de doações”. A maioria dos recursos vem de repasses do governo.

Depois de  2011, quando a Igreja Católica reconheceu Irmã Dulce como beata após atribuir a ela a salvação de uma mulher por milagre, as doações aumentaram. “Mas junto também cresceu a demanda e a procura. Inclusive, a busca por atendimento cresce numa proporção bem maior do que a das doações”, resume  a superintendente da instituição.

Atualmente, as obras são responsáveis pela gestão  do Hospital Santo Antônio (Complexo de Roma), além de uma unidade de pronto atendimento e três hospitais. A maioria dos atendimentos - todos gratuitos - realizados  tem como público pessoas de baixa renda.

Essa realidade é  rotina nas obras desde a sua fundação em 1959. Em 1974, por exemplo,  a receita, fruto de doações e contribuições, era de cerca de e 40 mil cruzeiros por mês. Ainda assim, havia  um déficit de 60 mil cruzeiros que era coberto com esmolas.  Nesse período, a maioria dos atendimentos também era voltada para pessoas carentes.

A situação das obras sempre foi complexa do ponto de vista financeiro que Irmã Dulce chegou a oferecer sua gestão para Madre Teresa de Calcutá (1910-1997). Mas, a missionária católica, que desenvolveu uma série de projetos pelo mundo de assistência à caridade, inclusive, na Bahia,  se recusou, pois disse que seu tipo de trabalho não era esse.

 À época, segundo relatos que constam no Memorial de Irmã Dulce, a freira baiana disse compreender que as pessoas não tivessem interesse em assumir as obras em função das dificuldades financeiras constantes, mas ela ressaltava que “Deus resolvia esses problemas”, argumentava a religiosa baiana.

Centenário
A partir de hoje, data de comemoração do centésimo aniversário de nascimento de Irmã Dulce, uma série de  atividades está prevista. “O projeto do santuário deve ser concluído até maio de 2015, segundo parceria firmada com a prefeitura de Salvador. Hoje, a estrutura que oferecemos para os turistas religiosos é muito abaixo do que outros santuários do mundo oferecem”, diz Maria Rita.

A superintendente das Osid ressalta ainda que há uma série de projetos para ampliar as ações de assistência da instituição, mas que ainda precisam de apoio e recursos. “É o caso do novo banco de sangue e hemodiálise, que precisa de R$ 8 milhões; da radioterapia, que necessita de R$  2 milhões e da unidade para pequenas cirurgias, que precisa de R$ 1,2 milhão para sair do papel”, ressalta Maria Rita.

Em documento registrado cerca de 4 anos antes de sua morte, Irmã Dulce definiu seus herdeiros nas Osid

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