Onde investir ainda em 2020? Veja segmentos em alta e apostas para 2021

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28.09.2020, 06:00:00
Apesar das incertezas, alguns segmentos permanecem crescendo. Outros ganharam impulso mesmo durante a crise causada pela pandemia (Shutterstock/reprodução)

Onde investir ainda em 2020? Veja segmentos em alta e apostas para 2021

Investir de forma correta é fundamental; veja dicas

A pandemia do novo coronavírus alterou completamente as projeções econômicas para 2020. Em janeiro, os investimentos mais cobiçados naquela época eram bares ou restaurantes, mercado da beleza, serviços automotivos, serviço de entrega rápida (delivery) e lojas virtuais. Segundo levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), entre as cinco categorias, apenas duas superaqueceram durante a crise: e-commerce (estabelecimentos virtuais) e delivery. Há três meses para o final do ano, será que existe investimentos que valham à pena?  

De acordo com a analista do Sebrae Adriana Pereira, justamente por conta da pandemia e das etapas de abertura graduais, os segmentos que mais crescem no momento são os atrelados às áreas de limpeza e saúde, serviços ou produtos ofertados por delivery e e-commerce, tais como alimentação, em especial alimentação saudável, brinquedos, cosméticos, games, móveis e utensílios para casa e artigos de decoração. O mercado de pets se mantém ativo, bem como pequenas obras e área de consertos. 

“Não temos pesquisa que mostre uma estatística precisa, mas os setores de alimentação, pet e beleza ainda são os mais procurados, sempre considerando as vendas virtuais e delivery como opção. Muitos empreendedores também procuram se reinventar como prestadores de serviços em suas áreas de conhecimento, atuando por conta própria”, diz. 

Crescimento atípico

O diretor executivo da Zero4Motors e empreendedor André Novais ressalta que, por outro lado, há mercados que obtiveram um destaque maior em virtude da pandemia. Segundo ele, o entretenimento na web, por exemplo, vem proporcionando uma maneira cada vez mais sólida de consumir conteúdo atualmente. “As ‘streams’, com milhares de ‘viewers’ atestam o caso.  Já a área de comunicação, aliada ao marketing digital, vem se tornando indispensável para as novas empresas que estão surgindo no ‘novo normal’, diante do perfil de consumo cada vez mais consciente, além da necessidade de se destacar frente à ampla concorrência na internet”, pontua.

Novais lembra que há um ano, a alimentação fora do lar (bares e restaurantes) e o varejo de moda estavam em alta na capital. “A pandemia, no entanto, nos fez perceber a fragilidade desses dois mercados. Como investir atualmente exige setores mais seguros, eu posso afirmar que supermercados, entretenimento e o setor de beleza (cosméticos, estética e salões) continuam sendo cobiçados pelos consumidores, mesmo diante da crise”, completa. 

André Novais acredita que, com a chegada da vacina, áreas como o turismo, a cultura e hotelaria podem experimentar um crescimento significativo (foto: Divulgação)

Para o empresário, como a capital dita muito sobre as tendências do estado, os baianos podem seguir apostando em beleza, entretenimento e varejo, mas com um olhar atento para os setores de turismo, cultura e hotelaria, que após a pandemia, com a chegada da vacina, pode voltar a se reestruturar e ter um ‘boom’ mercadológico. “Isso pensando a longo prazo. Embora seja arriscado investir nessa categoria analisando a situação da pandemia no mundo, existe a probabilidade de que esse mercado volte a ganhar espaço nos próximos anos, sobretudo na Bahia, que encanta os turistas com as belezas naturais, comidas típicas e riqueza cultural”, defende. 

Cautela e suporte

Quando o assunto é iniciar um novo negócio ou até mesmo investir em algum segmento, Adriana Pereira sugere cautela nesse momento de retomada e da possibilidade de recuos. Ela lembra que devido à pandemia e mudanças no mercado, algumas tendências podem ser percebidas. A analista salienta que os mercados de saúde/higienização e beleza devem manter a tendência de crescimento. Os mercados de brinquedos e games (entretenimento em casa) também apresentam tendência de alta, assim como mercado pet. 

“Mercado de alimentação saudável, vegana deve se consolidar ainda mais. Serviços de reparos, consertos de toda a ordem, obras de pequeno porte na construção civil. Serviços com drones e desenvolvimento de aplicativos também apresentam tendência de alta. Ressaltando que o e-commerce e o delivery como formato vieram para ficar”, completa. 

Para ela, em qualquer momento, o empreendedor deve sempre buscar validar sua ideia frente à realidade do mercado e elaborar um plano de negócios. “O Sebrae tem várias ferramentas presenciais e à distância que permitem orientar o empreendedor. Além disso, é fundamental conhecer todos os protocolos exigidos em função da pandemia, sejam estaduais ou municipais, e acompanhar a evolução da pandemia”, pontua.


DICAS DE INVESTIDOR

André Novais preparou algumas dicas para quem estar buscando iniciar um negócio. Confira:

1.Monte um plano de negócio, porém não demore. As vezes começar errado é melhor que se preparar demais e perder o “time” do negócio. 

2. Não se apegue a uma ideia inicial, como muitos empreendedores tendem a fazer. Geralmente nossas ideias mudam com as opiniões dos clientes, portanto, converse e ouça outras pessoas.

3. Pesquise concorrência. Faça visitas e veja o que pode melhorar no seu negócio.

4.Quanto maior valor investido, maior o risco que o negócio terá. Investimento seguro é aquele que o dinheiro não sai do seu bolso. 

5. A ideia é começar pequeno, mas pensando grande, atento as tendências de curto e longo prazo para o começo do próximo ano. 

6. É muito melhor investir pouco e ir crescendo com a demanda do que começar grande e ter que lutar para fechar as contas, que podem sofrer influência na demanda do mercado. 

Segmentos em alta:

1.    Tecnologia;

2.    Área da saúde/higiene;

3.    Marketing digital;

4.    Comunicação;

5.    Entretenimento na web;

6.    Alimentação, especialmente os saudáveis;

7.    Mercado pet;

8.    Serviços de pequenos serviços em construção civil;

9.    Serviços de drones;

10.    Mercado da beleza e auto cuidados.
 

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