Pandemia segue firme e empreendedores buscam digitalização para manter negócios

bahia
18.06.2021, 06:45:00
Atualizado: 18.06.2021, 10:59:25
Pouco antes da pandemia, Cris Ribeiro e a filha criaram o Ateliê Preta Porter e atendem sob demanda (Foto: Nara Gentil/CORREIO)

Pandemia segue firme e empreendedores buscam digitalização para manter negócios

Pesquisa diz que investimentos em redes sociais manteve empresas vivas

Uma pesquisa divulgada nessa quinta (17) pelo Sebrae registoru que mais de 70% dos pequenos e microempresarios tiveram queda no fauramento bruto com a adoção das medidas restritivas para proteger a população da contaminação pelo novo coronavírus. Digitalizar os negócios se tornou uma saída para continuar vendendo. Desde o início da pandemia, vários empreendedores buscaram adaptações como maior investimento em redes sociais, implantação de sistemas de delivery e drive-thru para seguir vivos. E a ideia caiu no gosto deles: de acordo com o  mesmo estudo do Sebrae, 87,5% dos empresários baianos pretendem permanecer ou iniciar a venda em meios on-line.

A costureira Cris Ribeiro tinha uma loja fixa de roupas até quatro anos, mas fechou por conta dos impactos da crise. Apaixonada por costura, ela ganhou duas máquinas no início da pandemia e decidiu unir o útil ao agradável, fazendo peças de roupa e acessórios de seda para vender sob demanda. Assim nasceu o Ateliê Preta Porter (@ateliepretaporter, no Instagram). A empresa é formada por Cris, que pensa e faz as roupas, e por sua filha, Évelin Oliveira, que além de modelo também cuida das redes sociais do negócio. É por esse canal, exclusivamente, que chegam os pedidos.

"Eu divulgo tudo na minha página do Instagram. Coloco as fotos, os vídeos e o pessoal curte, pede, usa como referência. Faço bastante a touca de cetim e as pessoas pedem. Com a pandemia, não temos condições de manter um ponto fixo ou fazer outro tipo de divulgação. Tenho um tempo em casa, um espacinho, então trabalho com encomenda para reduzir os custos", conta Cris. "As redes sociais contribuem muito, muito mesmo. Não só pra mim como para várias pessoas expandirem o negócio. Aí vou devagarinho, aos pouquinhos. Tenho o sonho de abrir uma loja física assim que passar a pandemia. Eu tenho todo o material para a estrutura: manequim, cabide, tudo. Essa é a pretensão futura", diz a empreendedora.

Cris costura peças de roupa com seda, além de toucas e xuxas para cabelo feitas com cetim (Fotos: Nara Gentil/CORREIO)

Apesar das oportunidades oferecidas pelo meio digital, a pesquisa do Sebrae levantou que mais de 45% dos entrevistados afirmaram que seus negócios não são digitais por conta de dificuldades em manuseio das ferramentas. Além disso, 72% afirmou não ter recursos suficientes para investir nesse tipo de modernização. 

Analista de atendimento do Sebrae, Rosângela Gonçalves explica que houve um investimento em educação e capacitação gratuita por parte de diversas outras empresas, justamente pensando nesses empreendedores. Segundo Rosângela, o Sebrae elaborou uma série de oficinas e cursos gratuitos em plataformas como o WhatsApp e o próprio Instagram para auxiliar quem ainda não possui muito manejo com essas ferramentas.

"A realidade do pequeno negócio com a pandemia é desesperadora. Não há capital de giro. Há inconstância, pessoas perdem poder de compra, há todo um cenário que desaquece a economia e o mercado. Com isso, as vendas caem e é importante buscar onde as pessoas estão. E sempre tem pessoas nos ambientes online, há canais intuitivos, simples e que podem dar uma nova vida aos negócios", afirmou.

Quem já era digital teve uma vantagem quando todo esse caos explodiu mundo afora. Dudu Paixão, 24, começou a sua empresa há 3 anos como um passatempo: pegou um fio de cobre e fez uma espada de Xangô. A brincadeira cresceu e virou a Alagbedé (@alagbedejoias, no instagram), uma loja de joias e modelagem de metais que tem o candomblé como guia. Desde sempre, Dudu divulga o seu trabalho nas redes sociais e é este o ambiente onde entra em contato com clientes, divulga catálogo, expõe novas peças e faz todo o relacionamento como cliente.

Hoje, a empresa conta com três pessoas. Além de um amigo que o ajuda na produção das peças, conta com uma funcionária que cuida exclusivamente das redes e do atendimento nos canias do Instagram e do WhatsApp.

"O Alagbedé estava tendo um crescimento legal e a pandemia estragou os planos de ampliação. Mas felizmente não abalou o que foi construído e agradeço muito aos Orixás. Quando começou a pandemia, pensei que ia ficar parado, eu estava louco no começo, mas graças à internet mantive um fluxo que deu para nos segurar, sem deixar a conta cair no vermelho", disse. 

O caso da Alagbedé é uma exceção. O estudo do Sebrae aponta ainda que 70,22% dos entrevistados afirmaram que o faturamento bruto mensal da empresa diminuiu devido às medidas restritivas. Desse total, 45,45% informaram que houve uma redução de 51% em seu faturamento em comparação com o primeiro trimestre de 2020. Segundo a pesquisa, 29,05% adotaram medidas alternativas somente a partir da segunda onda. Essas medidas incluem redução da carga horária, delivery, divulgação online, atendimentos por agendamento, entre outros.

A pesquisa do Sebrae entrevistou, via e-mail, 403 donos de pequenos negócios no estado no mês de maio de 2021. A margem de erro é de 5 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

Dudu Paixão é fundador da Alagbedé
Dudu Paixão é fundador da Alagbedé (Foto: Acervo Principal)
Alagbedé funciona na laje da casa de Dudu, na Fazenda Grande do Retiro
Alagbedé funciona na laje da casa de Dudu, na Fazenda Grande do Retiro (Foto: Acervo Principal)

Dicas
Analista de negócios do Sebrae na Bahia, Taiane Jambeiro aponta que investir em digitalização é um caminho de sobrevivência para micro e pequenas empresas. A especialista deu algumas dicas para quem está começando a explorar essa área agora possa ter um bom pontapé inicial no mundão da internet. Confira logo abaixo.

Conhecer bem seu produto. Isso é determinante para saber em quais redes sociais é interessante criar um perfil para o seu negócio e também definir o tipo de personagem que estará representando sua empresa nas postagens.
Vá além dos produtos. Nas redes sociais, as pessoas procuram coisas interessantes para o seu dia-a-dia. Se o seu negócio é de comidas, invista em boas imagens. Também é interessante publicar conteúdos que agreguem algo para o dia-a-dia dos clientes. Dessa maneira, é mais provável que eles retornem ao seu perfil.
Programe as suas postagens. Sentar uma vez na semana para pensar em ações especiais e programar pelo menos uma postagem por dia é importante. Planejar é o segredo para que sua página não se torne um deserto de ideias.
Explore o Marketplace. Empresas como Mercado Livre, Americanas.com e Magazine Luiza podem se tornar ótimas plataformas para expandir o seu público. Por serem plataformas já conhecidas, elas podem aumentar a sua credibilidade e ajudar a vender para outros territórios.
Ofereça bons prazos e cumpra. Ninguém gosta de esperar. Uma compra é sempre um voto de confiança e se tratando do meio digital é importante que seu negócio consiga cumprir tudo que prometeu. E isso começa por uma entrega no prazo correto e boa comunicação caso alguma coisa fuja da rota.
Crie uma loja virtual. Para além do marketplace, não esqueça de ter o seu próprio espaço, onde o cliente possa ver os produtos e fazer a compra com a maior facilidade possível.

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas